A táctica na Bundesliga

2 de Janeiro de 2004
WERDER BREMEN, STUTTGART, BAYER MUNIQUE E BAYER LEVERKUSEN / COMO JOGAM AS QUATRO GRANDES EQUIPAS ALEMÃS:

Sublimação máxima da mescla entre a força e técnica, a Liga alemã revela-se, esta época, como uma mais disputadas da Europa. Na luta pelo titulo, quatro fortes equipas, cada qual com o seu estilo e perfil táctico. O sistema base é comum: 4x1x3x2, só com um trinco. Em campo, porém, a dinâmica táctica é muito diferente.
No topo, finda a primeira volta, o Werder Bremen do bombardeiro Ailton, um brasileiro que sonha em jogar na selecção alemã. Com um notável poder de desmarcação, fazendo da velocidade a principal arma, quase todos os seus golos são marcados em corrida, com o pé esquerdo, após abrir autênticas auto-estradas por entre as defesas adversárias. No banco, um homem da casa, de jogador a treinador: Thomas Schaaf. Em síntese, a sua filosofia de jogo mescla as duas escolas –a tradicional e a moderna- do futebol alemão, pelo que, no passado, também ensaiou o típico 3x5x2 germânico. O sistema que, no entanto, molda hoje o actual Werder é, preferencialmente, um basculante 4x1x3x2, design expresso sobretudo na sua variante ofensiva, com defesa á zona, um trinco espécie de farol do onze (em principio Ernst, que também pode alinhar na esquerda, surgindo então Baumann á frente da defesa), um ala de contenção (Ernst ou Borowsky, á esquerda) e outro de desiquilibrio (Lisztes, á direita), e um médio ofensivo criativo (Micoud), nas costas da dupla de avançados (Ailton e Klasnic ou Charisteas). É um onze de pendor atacante. O homem que inicia a saída de bola é Ernst, mas o cérebro motorizado que arranca a equipa de trás é Lisztes, um húngaro organizador de jogo, encostado em Bremen á ala-direita. Nos jogos mais difíceis, o sistema ganha a variante mais cautelosa, desenhada pelo trio Ernst-Listez-Baumann, astutos a recuar e avançar, como um harmónio, tornado o onze e o campo com longo, num esquema de 4x3x1x2, ficando só Micoud como médio ofensivo. Apesar da quebra nos dois últimos jogos (derrotas com Bayern e Leverkusen) o Stuttgart de Magath é, no entanto, o onze, de todos os candidatos, com o fio de jogo mais definido. Um 4x4x2 estendido, na dinâmica do sistema, num elástico mas ao mesmo tempo compacto, 4x1x2x1x2, com um trinco Soldo, dois alas com tendência para flectir (Vranjes e Hleb, um fantasista que arranca desde a esquerda), um médio centro esquerdino Heldt, espécie de playmaker com fabulosa precisão de passe, curto ou longo, e dois avançados (Kuranyi e Szabics), sendo o jogo pelos flancos quase da exclusiva responsabilidade dos laterais Lahm, á esquerda, e Hinkel, á direita. É, porém, a equipa que dispõe de menor banco, no qual, para o refrescar o ataque, estão apenas Cacau e Amanatidis.

TÁCTICAS: O Bayern de Hitzfeld e o Leverkussen de Augenthaler

Após meses de contradições tácticas, Hitzfeld decidiu, nos últimos jogos, dar um impulso mais ofensivo ao seu Bayern. Assim, abandonou o 4x4x2, estilo 4x3x1x2, das primeiras jornadas, e, desde o jogo de Bremen, na ronda 1x, escalou um surpreendente 4x3x3, com laterais ofensivos (Salihamdzic-Lizarazu), Ballak médio centro, espécie de playmaker recuado, e, no ataque, um atípico trio de avançados, pois regra geral, neste sistema ele seria composto por um extremo e dois pontas de lança, ou dois extremos e um ponta de lança. Com Hitzfeld jogam três pontas de lança tradicionais: Pizarro, Roque Santa Cruz e Makaay. A particularidade nasce do facto de Santa Cruz descair para a esquerda, onde muitas vezes não existe médio ala clássico, face á baixa de forma de Zé Roberto, ou, jogando Heargreaves, devido ao facto do inglês ser destro e partir, quase sempre, da zona central, do lado ou das costas de Ballack, que, mesmo com esse apoio, continua a jogar muito recuado, longe da área onde pode causar perigo, com os seus fortes remates ou passes de morte. O onze continua, porém, sem um modelo de jogo base. Em Leverkussen, Augenthaler ressuscitou o Bayer através de um 4x1x3x2, com dois fortes centrais (Lucio-Juan), laterais de apoio (Placente-Balitsh), um trinco (Ramelow), três médios em linha (Schneider-Robson Ponte-Babic) e dois avançados (França, na área, e Neuvelle, rasgando pela faixa). No último jogo, porém, em Stuttgart (vitória, 3-2) surpreendeu ao esquematizar um traiçoeiro 4x5x1, estendido numa espécie de 4x1x3x1x1, com Schneider a lateral direito e só com um ponta de lança (Berbatov) e um médio ofensivo (Ponte), apostando num trio de médios, á frente de Ramelow, para desenhar, em movimento, de trás para a frente, perigosas triangulações ofensivas de contra ataque (Babic, na esquerda, Basturk no meio, Bierofka, na direita). Com este mórbido sistema e suas variantes, Augenthaler deu mais uma lição táctica, assumindo-se, com Magath e Schaaf, como um dos treinadores de referência da nova vaga.

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