A Universidade do futebol

21 de Dezembro de 2005
O MARAVILHOSO MUNDO DOS CAÇA-TALENTOS:
Em 1999, o Milan, na ânsia por descobrir novos génios, foi à Argentina contratar um miúdo de apenas 11 anos que dizia ser um novo Maradona. Seu nome Leandro Depetris. Anos depois, o mesmo pibe mágico joga agora, aos 17 anos, nos juniores do River Plate. A sua interessante história reporta-nos para o fascinante mundo dos caçadores de génios. Afinal, como se detecta um talento? Existem jogadores que já nascem estrelas ou o talento pode ser resultado de um processo laboratorial?
San Vicente é uma pacata vila argentina da província de Santa Fé, o maior viveiro de talentos do futebol gaúcho, a cerca de 500km de Buenos Aires. O clube da terra chama-se Brown. Em meados de 1999, surgiu nas primeiras páginas dos jornais italianos. Um chiquito de tão-só 11 anos, que há poucos dias ainda jogava no pátio do colégio e desde os 9 já alinhava nos infantis do Newell`s Old Boys, fora convidado pelo Milan a incorporar-se numa equipa das suas camadas jovens, onde, meses antes, já prestara provas que, ao que parece, foram de tal forma fantásticas que Baresi não hesitou em anunciar “a descoberta de um novo Maradona”. O precoce prodígio chamava-se Leandro Depetris e, durante a sua estadia em Milanelo, fora sempre acompanhado pelo seu pai, Celestino, que, no final, recebeu uma fabulosa proposta de contrato –falou-se em um milhão e meio de dólares- para o seu filho ir, já no ano seguinte, viver e jogar para Itália. Assim foi. “Baresi ficou excitado com o entendimento entre Leandro e o filho de Weah, que também joga nos infantis do Milan”, contou então o pai Depetris, com a cabeça á roda perante a oportunidade de, num minuto, ganhar uma quantia com a qual já nem sonhava até ao fim da vida. O tempo foi passando. Dono de um fantástico pé esquerdo, o pibe Depetris começou a cativar os olhares de todos aqueles que assistiam os jogos das equipas juvenis do AC Milan. Quando, porém, muitos já começavam a acreditar estar ali um talento na senda de Maradona, uma nova directiva regulamentar emanada da FIFA sob a contratação de jogadores jovens, obrigou o mágico Leo –como lhe chamavam os companheiros de equipa- a regressar á Argentina, em finais de 2001.
No presente, quatro anos passados do inicio da sua aventura na bota da Europa, redescobrimos o pibe mágico de San Vicente a jogar com a camisa nº10 da equipa juvenil Sub-15 do River Plate, o clube onde ingressou quando fora obrigado a regressar ás pampas. Tem agora 17 anos. Vendo-o jogar, em Janeiro de 2005, na Bolivía, no Mundialito “Paz e Unidade” organizado para equipas Sub-15, Depetris destaca-se pela sua baixa estatura e, pegando nas rédeas do onze desde a meia-cancha, pelo perfil de organizador de jogo. É um pequeno maestro a quem as camisolas, sempre fora dos calções, parecem estar sempre grandes. O seu talento com o pé esquerdo provoca alucinações. Nos movimentos denota já grande cultura táctica, aprendida sobretudo nos dois anos em Itália, e nos passes e remates uma grande visão de jogo e um dom natural para o belo futebol. Os seus sonhos, agora, são, jogar na equipa principal do River, e, depois, quando tenha 18 anos, voltar ao Milan, onde todos continuam á sua espera. Por enquanto, continua nas escolas do River, estudando no colégio do clube, e treinando sob as ordens de Mestre Rodolfo Raffeli, o treinador da equipa Sub-15 dos Milionários, na qual, nos relvados da Bolívia, também se destacou, para além de Depetris, destacou-se um pibe de 13 anos, o mais pequeno que o River tem nesta categoria, chamado Diego Buonanotte. Para Raffeli está ali um jogador fabuloso. Apenas lhe falta crescer fisicamente para aguentar um jogo inteiro e, depois, seguir o caminho de outras estrelas geradas na escola do River, de onde saíram, só nos últimos anos, magos como Aimar, Saviola, Crespo, Riquelme, D`Alessandro e Cavenaghi. No entretanto, a chuteira canhota de Depetris, na qual Baresi disse ter revisto, aos 11 anos, o espirito de Maradona, continua a encantar todos os que o vêem jogar.

Caça-talentos: DEAR SIR, STOP. ENCONTREI UM GÉNIO, STOP

O Rei Midas do futebol Para a FIFA, a contratação de Depetris tratou-se, essencialmente, de mais um caso para acender o polémico debate sobre o mercado dos jogadores jovens, antes também explorado, por exemplo, pelo Ajax -que, nos anos 90, com os meninos nigerianos Kanu, Babangida, Oliseh e Finidi, incutindo um aroma africano á sua idolatrada escola- e, entre outros, pelo Torino que, em 1991, adquiriu, com apenas 13 anos, o ganês Kuffur, hoje no Bayern de Munique. No plano estritamente futebolístico, no entanto, o caso de Depetris coloca a questão de saber, afinal, como se detecta um talento? Quais os traços que o definem logo na sua origem, no momento em que dá os primeiros toques na bola? Existem três níveis de real qualidade futebolística: o jeito, o talento e o génio. Depetris foi descoberto como um génio com apenas 11 anos. Será possível detectar uma futura estrela assim tão cedo? Para Cruyff, não existem dúvidas. A carreira de um futebolista começa logo aos 12 anos. É nesse momento que os grandes observadores descobrem o talento: “Nessa idade já se pode saber se um rapaz vai ser ou não um grande jogador. Á técnicas fundamentais para detectar esse talento, como o jeito e a forma de tocar a bola. Esse dom, pura e simplesmente, se tem ou não se tem. Não é possível ensinar isso depois dessa idade.” É neste universo que habita a personagem mais romântica do mundo do futebol: o descobridor de talentos, vulgo olheiro. Embora já repouse longe a odisseia de Bob Bishop, que nos anos 60, percorria em nome do Manchester United, no seu velho carro, as estradas e caminhos da Irlanda profunda em busca de descobrir talentos, parando por tudo que era Estádio ou campinho de futebol, eles continuam a ocupar um lugar quase mágico no mundo do futebol. De Bishop, se conta, que, quando, em 1961, numa dessas paragens, se deparou com os dribles e movimentos estonteantes de um pequeno e magrinho little boy de Belfast, com as pernas que pareciam um alicate e o cabelo de beatle que lhe escondia a cara quando corria, de imediato correu em direcção ao primeiro telégrafo e enviou uma clara mensagem para Matt Busby de Old Trafford, mítico manager: “Dear Sir. STOP. I have found a Genius, STOP”, isto é, encontrei um génio!

Griffa e o gordito que marcou quatro golos

Na Argentina, o busca-talentos, tem um nome e duas pernas: Jorge Griffa, antigo jogador do Newell´s e do Atlético de Madrid, nos anos 60, que, depois de pendura as chuteiras tornou-se um olheiro quase sobrenatural, tal a quantidade de estrelas que descobriu, mesmo quando todos desconfiavam. Actualmente é o coordenador do futebol jovem do Boca Juniores, mas há pouco tempo esteve nas instalações do At.Madrid, do qual, poderá na próxima época tornar-se coordenador do futebol-base. A sua fama de caça-talentos foi construída, no entanto, durante os vários anos em que foi o divino olheiro do Newell´s Old Boys, para onde levou, desde que assumiu o cargo em 1972, Valdano, Scoponi, Pochettino, Escudero, Sensini, Juan Rossi, Dezzoti, Balbo, Giusti, Berizzo e, entre muitos outros, um fabuloso goleador descoberto quando, nos anos 80, uma equipa juvenil do Newell´s foi jogar a Santa Fé: Batistuta. Não foi, no entanto, uma descoberta pacífica, pois, já nesse tempo, o pibe Gabriel não tinha grandes qualidades técnicas, era até um pouco gordito e desengonçado a tocar na bola. Insensível, no entanto, Griffa logo ordenou a sua contratação, apesar de todos os outros treinadores, alegando razões físicas e técnicas, reprovarem a ideia. Griffa tinha, porém, um argumento demolidor: “Ninguém mete quatro golos por acaso!” O futuro, como já se sabe, pela saga goleadora em que se tornou a carreira de Batistuta, veio dar razão a Griffa. Ao longo dos anos, no entanto, BatiGol manteve sempre o mesmo estilo inestético e pouco dado a gestos técnicos. Ele, é, afinal, a prova de que, como diz Valdano, o “talento não é mais do que a imaginação defendendo-se de um defeito”. Como Batistuta sabia que fintar não era o seu forte, saltava essa formalidade técnica com fulminante remates á baliza. Gerd Muller, bombardeiro alemão dos anos 70, por sua vez, como também tinha uma morfologia perto de ser rotulado de um gordito, usava o corpo para proteger a posse da bola. Ambos, do alto da sua sabedoria goleadora, se riram do dito futebol cientifico, quase ciência exacta.

COMO DETECTAR O TALENTO FRANZINO QUE NÃO DRIBLA

GUARDIOLA E A DESCOBERTA DO CATEDRÁTICO Perante a mágica possibilidade de, como muitos acreditam ser o caso do pibe Leandro Depetris, o talento ser inato, todo o processo de formação consequente de um jogador iria tornar-se num mero passeio técnico. Se pensarmos em Pelé ou Maradona, até parece possível que assim seja, mas génios como estes só surgem, no máximo, uma vez na vida. Nem todos os talentos, no entanto, revestem esta forma dribladora, tecnicista e ilusionista. Durante vários anos, Guardiola, como trinco-maestro do Barcelona, foi considerado, sem executar fintas fantásticas ou marcar grandes golos, um jogador fundamental na manobra do onze da Catalunha. O seu estilo de jogo foi, porém, sempre o mesmo desde que começou nos infantis. Como então saltou á vista o seu talento? Aplicando a tese maradoniana que detectou o eventual génio Depetris, Guardiola correria, portanto, o risco de até nem chegar a ser jogador de futebol, afastado nos treinos de captação, enorme centro de filtragem que os clubes promovem aos jovens que sonham em ser estrelas dos relvados. Aí, no meio de milhares de miúdos, salva-se, quase sempre, o mais virtuoso ou o melhor constituído fisicamente. Ora, Guardiola, não era, nem é, uma coisa nem outra.. “Em cada 10 miúdos catalães, 8 querem jogar no Barça. Eu era um deles, mas sempre fui muito realista. Quando saia de casa aos 13 anos, dizia sempre á minha mãe: Se chegar a juvenil, já fico feliz! Nunca pensei chegar á primeira equipa. Pensava que para jogar futebol era necessário muito mais do que “passa bem, joga bem, toca ao lado e aguenta 90 minutos.” O destino e um treinador que atendia mais ao gesto de passar do que ao de romper, foi o que me salvou. Foi sorte, caso contrário, nada feito. Mas, nesse tempo, eu apenas queria estar com a gente do futebol. Estar no plantel, ver o treino da primeira equipa e, sobretudo, ver Schuster treinar. Esse, sim, era o meu sonho. O resto sentia-a que era impossível. Só muito tempo depois vi que afinal podia lá chegar. Estava na filial e via que, de vez em quando, Cruyff seguia os meus progressos”. Até que uma tarde, El Falco virou-se para Oriel Tort, o velho sábio olheiro do Barça, e disse-lhe: “Mira, como juega este chaval!”. Dias depois, Guardiola estrava-se na primeira equipa do Barcelona, em pleno Bernabéu, frente ao Real Madrid: “Sabendo que ia jogar, passei a semana toda a ver vídeos do Real, com a música do filme “Missão Impossível” como pano de fundo”, recorda.

A técnica e o carácter

Como se compreende, portanto, vários atributos podem contribuir para detectar um talento, consoante as várias formas que eles podem adquirir: Técnica e drible, velocidade, constituição física ou...a simplicidade da cabeça levantada no toque e na condução da bola. O que distingue um divino caçador de talentos de um simples olheiro é a sagacidade para tanto descobrir um craque como Maradona, cujo talento magistral salta logo á vista, como detectar um sóbrio maestro, que não finta nem marca golos, quando ainda em fase embrionária. Em traços gerais, um futebolista, durante a sua carreira, deve saber manejar três conceitos básicos ao bom futebol: técnica, táctica, e condição física. Em cada um deles, escondem-se dois requisitos básicos. Técnica: recepção e passe. Táctica: marcação e desmarcação: Condição física: velocidade e resistência. O estudo do passado, leva-nos, no entanto, a ter que inserir uma quarta qualidade, construída, na sua essência humana, fora do relvado: a personalidade, ou seja, o carácter. O próprio Griffa confirma essa nova realidade: “Antes, para detectar um talento só atentava na técnica. Hoje há que ver se o chico é forte, coordenado, ver o temperamento e se é inteligente e equilibrado emocionalmente. A técnica continua fundamental, mas é agora ela é só um ponto de partida”. Para Luis Suarez, responsável pelo gabinete de prospecção do Inter de Milão, o carácter é mesmo a característica mais importante para a afirmação do jogador: “É ele que distingue os bons jogadores dos grandes jogadores. Nós, os observadores, temos de ter um pouco de imaginação e tentar prever como serão no futuro”, disse Luisito numa das suas recentes deslocações a Portugal em busca de talentos lusos. No Ajax, uma referência a nível de formação, existe mesmo o chamado sistema TIPS de detecção de talentos: T: técnica, I: inteligência, P: personalidade e S: speed, isto é, velocidade. A grande questão que divide muitos formadores actualmente, reside em saber se o carácter pode ou não ser trabalhado. Há quem diga que sim e há quem diga que não mas, se pensarmos em casos passados, desde Best a Cantona, descoberto e formado por Guy Roux no Ayxerre, concluímos que ele, quando não lapidado e preso a um temperamento irascível, pode hipotecar e comprometer toda a carreira -ou parte, como nos exemplos citados- de um grande talento.

Maradona Junior: Estrelinha do Nápoles Primavera

O SONHO DA HEREDITARIDADE GENÉTICA DO GÉNIO Quando, na bancada, os adeptos observam os primeiros toques na bola dos meninos dos juvenis é costume dizerem: Se crescer e ganhar força, será um grande jogador. Na Argentina, onde a mesma teoria também existe, este foi o mesmo pensamento que muitos, no inicio dos anos 70, dirigiram a um menino do bairro de La Boca que vivam jogar numa equipa juvenil chamada Los Cebolitas. O pibe, no entanto, acabou por nem crescer muito e ficou, até, um pouco gordo. O alucinante é que, mesmo assim, tornou-se no melhor jogador do mundo. Seu nome? Maradona, claro! Pensando na possibilidade genética de, como seguindo os genes, o talento também fosse hereditário, os grandes craques teriam assim como que, digamos, dinastia própria. Pura utopia, obviamente, como os factos friamente comprovam: Jordi, o filho de Cruyff, após prometer muito no inicio de careira, limita-se hoje, após uma carreira discreta, a jogar no Alavés, Garrinchinha, o malogrado filho de Garrincha, que chegou a jogar no Belenenses no inicio dos anos 80, não passou de um jogador modesto, e até Edinho, filho de Rei Pelé, após ser uma estrela do motociclismo, consagrou-se com um bom...guarda redes. A nova esperança de hereditariedade genética do génio, mora, hoje, em Nápoles. Tem actualmente 17 anos e transporta consigo um nome que faz saltar corações: Diego Armando Maradona Junior. Trata-se do filho de Maradona, nascido a 4 de Abril de 1986 de um relação extra-matrimonial do jogador, então em Napóles, com a italiana Cristiana Sinagra. A estrela argentina nunca quis reconhecer o seu filho, nem nunca quis, até final do ano passado, sequer falar com ele, mas, em Maio de 1992, o Tribunal de Menores de Nápoles, ao qual recorreu a mãe, confirmou a sua paternidade, permitindo, assim, que o ragazzo tivesse o apelido Maradona, ao mesmo tempo que condenou o ex-jogador a pagar uma pensão de alimentos mensal no valor de 3.500 dólares. Desde os sete anos, Maradona Júnior já pousava vestido de futebolista, mas só em Julho de 1997, tinha então com 11 anos, o seu nome surgiu pela primeira vez em destaque, no momento em que o Nápoles decidira incorporá-lo nas suas equipas jovens. De inicio, todo este cenário tinha apenas o sabor de uma manobra nostálgica, mas com o passar dos anos, o piccolo Diego, que sempre disse ser seu sonho jogar na primeira equipa do Napoles, foi crescendo, ganhou corpo e passando pelas diferentes categorias etárias do clube, até que começou a dar nas vistas, sempre com a camisola nº10 nas costas.

Um golo de livre com o...pé direito!

Em Março de 2001, tinha 15 anos, fez um golo de livre, num Napoles-Bari em giovanissimi, os nossos juvenis, e a proeza, diz-se, foi anunciada pelos bares da cidade, como se tratasse da reaparição de S.Gennaro. Um anos depois, seduzido pelo seu jogo, o técnico António Rocca decidiu convocá-lo para a selecção italiana Sub-17, despertando a atenção de todos quando, num treino, defrontou a squadra azzurra principal. Actualmente, Maradna Junior, apesar de inscrito no onze alievi, os juniores, já joga, por vezes, na Primavera do Napoli, uma espécie de equipa B onde alinham os jogadores mais jovens, treinada por Gigi Caffarelli, um antigo colega de Maradona no Napoles dos anos 80. Em Fevereiro passado, esteve presente no famoso Torneio jovem de Viareggio, mas, apesar de ter todos os olhos sobre ele, nunca foi titular e pouco jogou. Mas, como definir o futebolista Maradona Junior? Em termos físicos, lembra em muitos aspectos o pai, sobretudo no rosto, no olhar meio perdido, no cabelo desordenado e na morfologia, mede 1,66m. e também parece ter peso a mais para o seu corpo. Na forma de jogar é que não existe praticamente nenhum ponto de contacto. Joga como avançado, mas, ao contrário do pai, não é esquerdino, mas sim destro, e, embora a sua especialidade também seja marcar livres e possua claramente boa técnica com a bola nos pés, não revela a mesma magia no toque da bola. Para António Porta tem uma técnica superior á média, e, quando lhe pediram para citar um jogador que, com as devidas proporções, no futebol actual se assemelhasse com ele, citou...Rui Costa. Nos últimos tempos, surgiram noticias que falavam numa possível ida de Maradona Junior para a Escócia. Os pretendentes seriam o Dumferline e o Kilmarnock, mas os dirigentes napolitanos afirmam serem tudo apenas especulações de empresários e não estarem interessados em deixar sair o filho do pelusa. É que muitos acreditam na tal hereditariedade do génio, mas, como bem disse o professor universitário Vittorio Dini, famoso adepto o Nápoles e fundador de uma sociedade místico-futebolistica chamada Te Diegum: “Calma, calma. Maradona só existiu um e veio á terra uma vez, como Jesus Cristo. Não podem existir dois.” Sábias palavras que também se poderiam aplicar, actualmente, a outros quadrantes futebolísticos, como os que, por exemplo, dizem ser Robinho, nova grande estrela de 17 anos do Santos, o novo Pelé. Pura ilusão. Robinho é um jogador fantástico, empolgante até pela forma de correr e driblar, mas Pelé era tudo, o Rei. Chega a ser uma heresia para a religião do futebol comparar Pelé com Robinho. Maradona Junior e Robinho, até pode vir a realizar excelentes carreiras no futuro, mas devem crescer só tendo como referência os seus atributos e limites, caso contrário poderão perder-se, porque por mais que os nostálgicos sonhadores anunciem a sua reencarnação, a história nunca se repete. Nunca mais voltarão a existir mitos como Pelé e Maradona. Repetida só a imagem dos meninos a jogar futebol de rua, num baldio de terra ou campinhos improvisados, mas mesmo essa, a verdadeira grande escola do futebol, já só poderá ser descoberta em África ou em alguns locais da América do Sul...
Um tema apaixonante para os estudiosos do futebol, onde se fala de como são detectados, ainda meninos, não só dribladores geniais como Maradona, mas também catedráticos como Guardiola ou goleadores inestéticos como Batistuta, analisando, também, várias teses sobre o tema, desde mestres como Cruyff e Valdano, até olheiros como Suarez e Griffa.

Nota:

Texto de 12/2004 (com actualização da idade Depetris)

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