A “varinha mágica”

14 de Março de 2011 17:46
Lille e Rennes: Mossa Sow, Gervinho, Hazard, Montano, Boukari… A face sedutora da luta pelo título francês.

 

Tem impulsos no jogo que fazem a imaginação do bom futebol voar. Não existe timing certo para a carreira de um jogador explodir mas vendo a forma como o futebol do senegalês Moussa Sow se redimensionou esta época, aos 25 anos, faz pensar nesta idade como chave num cruzamento entre a rebeldia e a maturidade. Tanto joga como clássico nº9 (17 golos) como recua ou surge nas alas disfarçado de extremo. Ele é o ponta-de-lança vagabundo do Lille que luta sensacionalmente com o Rennes (à 26ª jornada os dois com os mesmos pontos na liderança) pela conquista do título gaulês.
Ironias da bola, Sow jogava a época passada no Rennes. As duas equipas têm desenhos semelhantes (4x3x3 como um pivot, Mavuba no Lyon e M`Vila preferencialmente no Rennes) soltando no ataque avançados que são quase corredores de fundo, a imagem de marca ofensiva do futebol francês, fiel às influências estilísticas dos seus antigos territórios de tez negra. Em confronto, a magia do trio Gervinho-Sow-Hazerd do Lille, contra a de Montano-Leroy-Boukari do Rennes. Há aqui um intruso neste mundo de futebol vertical. É o jovem poeta belga Hazard. Parte desde a esquerda mas, de repente, surge na direita, pegando na bola com organização criativa e remate. Hazard está feito para ser um grande craque. Respira classe e visão. Parece mais médio do que avançado pelo que fico sempre com a sensação que gostaria de o ver pegar na bola em posições mais recuadas e jogar (ou começar a jogar) partindo daí.
 
Montano, no ataque do Rennes, procura sempre o um-para-um. Tal como o marfinense Gervinho no Lille. Como jogam com o meio-campo em triângulo «1x2» nenhum tem um médio ofensivo clássico estilo 10 (por isso, talvez, aquela ideia sobre Hazard). Jogam com dois médios de transição à frente do pivot: Tettey-M`Vila ou Dalmat no Rennes, dupla mais pressionante; Balmont-Cabaye no Lille, como mais poder de saída de bola.
Na defesa, o Rennes é uma equipa posicionalmente mais culta. Fixou Kana-Biyik (antes lateral-esquerdo) no centro e ganhou, ao lado de Mangane, uma dupla que combina velocidade com força. O Lille expõe-se mais. Rami e Chedjou jogou mais distantes entre si. Os laterais, em ambos os modelos, servem, em face da presença de extremos, essencialmente de apoio.
 
Garcia (Lille) e Antonetti (Rennes) são dois treinadores saídos dos livros de estilo do profundo futebol francês. Respeitam a técnica na táctica. Respeitam a formação e a astúcia de prospecção que estes clubes ditos de gama média-alta devem ter para conseguir furar no topo do futebol actual. Juntos, eles são a força tranquila do moderno futebol gaulês. Com Hazard, aprendiz de feiticeiro, com a varinha mágica.
 

 

 

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