AL AHLY: Os «faraós da bola»

24 de Outubro de 2005
OS GRANDES DUELOS DO FUTEBOL AFRICANO A NÍVEL DE CLUBES REGRESSAM Á REGIÃO NORTE.
Ao contrário do verificado a nível de selecções, onde quatro onzes da chamada África negra apuraram-se para o Mundial, a nível de clubes o domínio, após dois triunfos consecutivos do Eniymba da Nigéria, regressou, esta época, à região norte, morada da África branca. Nas meias-finais, o Al Ahly afastou o Zamalek, eternos rivais do Cairo, e, na Tunísia, o Etoile Sahel bateu o Raja Casablanca.
Cairo explode com as proezas do Al Ahly. Um ambiente enlouquecido, pintado a vermelho e branco, que festeja a proeza de 50 jogos consecutivos sem perder entre competições nacionais e internacionais. No banco, já com os cabelos brancos, quase como um velho professor que já vê o jogo cinco minutos antes de toda a gente no Estádio, Manuel José sente-se o faraó do futebol egípcio. No relvado, o seu Al Ahly busca reconquistar o mítico título da Liga dos Campeões Africanos, já obtido em 2001. Toda a equipa respira confiança a cada jogada. Futebol rápido, tecnicamente apoiado, com magia individual e grande sentido táctico.
Esquematiza-se, preferencialmente, num sistema de três defesas (quase recordando os tempos de Manuel José no Boavistão de meados dos anos 90), estendendo-se, depois, na dinâmica da táctica num elástico 3x3x3x1. Concilia operários recuperadores com criativos lutadores. Fixem estes nomes: Na defesa a «3», um trio de respeito (El Hooty-Nahas-Sayhed) segura o onze atrás, soltando à sua frente, um trinco-volante que recupera e inicia a saída para o contra-ataque (Mostafa Hassan ou Mohamed Ashour), alinhando de perfil, na fase defensiva, com os laterais que fazem todo o corredor, tornando-se, na dinâmica ofensiva, quase em verdadeiros extremos. Á direita, surge El Shater, enquanto à esquerda, Manuel José converteu o angolano Gilberto, médio ala-extremo de origem (posição onde joga na selecção), num lateral carrilero que faz toda a faixa com velocidade e fantasia. Os três catalizadores ofensivos do onze moram, porém, nas costas do avançado centro Moteab. Com classe e resistência física, Mohamed Shwaky transporta a equipa para a frente e joga de área a área, apoiando dois criativos vagabundos que ora rasgam pelos flancos, ora entram de trás em diagonal criando perigo: Aboutrika e Barakat. São ambos destros, mas sabem jogar em qualquer flanco. Aboutrika, técnica apurada, conduz a bola com elegância e passa com astúcia e precisão. Olha para um lado e, pimba, mete a bola para o outro, isolando o esquivo Barakat que, sempre em movimento, surge, muitas vezes para finalizar, aproveitando o arrastar de marcações feito por Moteab.
Na final vai encontrar a estrela da Tunísia, o Etoile Shael, um onze que guiado pelo playmaker Melliti Khaled, mescla talentos tunisinos, tal como Ghezal, Chaker e Marouene, exímio a marcar livres, com estrelas vindas de distintas paragens africanas, como o avançado nigeriano Opara, o cabo-verdiano Gilson Silva e o duo ganês Osei-Taylor.

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