Perante um publico de turbantes ou envolto no entusiasmo do extremo-oriente, a Liga dos Campeões Asiáticos apresenta-se, cada vez mais, como uma competição bem disputada e organizada. A vitória do Al-Itthiad da Arábia Saudita revestiu, esta época, contornos épicos, com uma vitória por 5-0, no jogo da segunda mão, na Coreia, frente ao Seongnam que, na primeira mão, em Ryade, ganhara por 3-1. Uma reviravolta fantástica que muitos relacionam com o afastamento, entre os dois jogos, de Tomislav Ivic, substituído pelo antigo jogador Dragan Talajic. Ou seja, trocou-se um treinador estruturalmente defensivo (a eterna acusação sobre Ivic) por outro mais ofensivo. Assim, na Coreia, o onze de Talajic surgiu, destemido, num dinâmico 4x4x2 que se abria, a atacar, num empolgante 4x2x4, com os médios subir. Apesar da constante intenção em alongar o campo, o onze manteve-se sempre um bloco coeso, com a defesa a «4» sempre completa, laterais recuados a fechar os flancos e uma forte dupla de centrais, chefiada pelo intransponível Redah.
No meio campo, duas linhas que se cruzam nas compensações ou transições defesa-ataque ou ataque-defesa, conforme se recupere ou perca a posse da bola. Como volantes organizadores, a dupla Al-Dosari, mais de contenção, e Mohammed Ndour, um médio internacional de grande categoria, 26 anos. Inicia a saída de bola, e, para além de exímio transportador de jogo, também entra de trás no apoio aos avançados ou tentando o remate. Neste estilo, segurou o meio campo e fez dois golos. Um jogador muito interessante que poderia jogar na Europa, sem problemas. Nas ala esquerda, excelente a profundidade de jogo incutida ao sector pelo veloz e virtuoso Abushgeer, enquanto descaído para a direita, mas com tendência para flectir e buscar a batuta do jogo, o brasileiro Tcheco, técnica fina, que a época passada brilhara no Coritiba. No ataque, uma dupla muito móvel, Hamzah-Al Oteibi, que ora surge na área, ora abre nas faixas, permitindo a entrada de trás, em diagonal ou corrida vertical, dos médios Ndour-Abushgeer-Tcheco. Uma excelente equipa, que confirma a subida competitiva do futebol asiático.