ARÁBIA SAUDITA: O Futebol dos Príncipes; IRÃO: Os Ayatollahs da bola; CHINA: O Imperador Fan Zhiy

September 20, 2001 12:00 AM
(MUNDIAL 2002) - DEPOIS DO JAPÃO, COREIA E CHINA, A QUALIFICAÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA

Uma nova imagem para um novo milénio. Inserido num continente com mais de 3 biliões de habitantes, representando cerca de 60% da população mundial, o futebol asiático entra no Sec.XXI como uma renovada força futebolística.
Perante a olhar tutelar e aparentemente calmo do imponente Rei Fahd, uma imagem e um sentimento omnipresente por todas as ruas e artérias de Ryah, os jogadores sauditas sentiam o dever cumprido após bater a frágil selecção da Tailândia por 4-1. Ao mesmo tempo, em Bahrein, o Irão perdia por 3-1 e, desta forma, uma semana após o sensacional apuramento da China de Milutinovic, a nova força emergente do renovado futebol asiático, a Arábia Saudita conquistava a sua terceira qualificação consecutiva para a fase final do Mundial. Depois do futebol dos imperadores, o futebol dos príncipes. Na base do terceiro sucesso saudita, o mesmo estilo que a leva a ser conhecida como o Brasil da Ásia, por o seu jogo ser essencialmente técnico e pausado, de pé para pé, distinto do mais veloz e vertical estilo coreano ou japonês, as outras grandes potências do futebol asiático. Após ter chegado aos oitavos-de-final no EUA-94, com um onze onde brilhou o médio Saeed Owairan, o Maradona da Ásia, os milionários dirigentes sauditas ambicionam apagar a fraca imagem deixada no França-98, onde caiu logo na primeira fase, apesar de treinado por Parreira, despedido após perder os dois primeiros jogos e definido pelo Príncipe Faisal como um traidor do verdadeiro estilo saudita que, ao contrário das opções defensivas do brasileiro, deverá sempre ser ofensivo. O destino de Parreira fora, no entanto, igual a muitos treinadores estrangeiros que, desde os finais dos anos 70, passaram pelo futebol saudita atraídos pelos petrodólares. O mesmo destino teria durante esta campanha de apuramento, o jugoslavo Slobodan Santrac, antigo seleccionador jugoslavo e uma lenda do Estrela Vermelha, despedido logo no segundo jogo, após a derrota no Irão por 2-0. Despedido Santrac, seria de novo o carismático Al Joahr, antigo internacional, a orientar a selecção saudita nos momentos decisivos, repetindo o cenário ocorrido há um ano na Taça de Ásia, onde, após o afastamento de Milan Macala, levou a Arábia Saudita á final da prova. Apostando num tradicional 4-4-2 com tendência ofensiva, Al Joahr motivou o onze e guiou a selecção dos príncipes a novo Mundial, onde muito certamente já não se sentará no banco, tal a ideia convicta dos dirigentes sauditas que pensam poder comprar o sucesso com dinheiro. Mais do que investimentos megalómanos, o futebol saudita necessita de criar um estilo e uma identidade que cruzada com a influência estilística brasileira, garanta-lhe a necessária revolução de mentalidades rumo á profissionalização de todas as suas estruturas, sem necessidade de recorrer, ciclicamente, a mercenários estrangeiros a quem nunca dão tempo para trabalhar. Nasser Al Johar já provou que poderia ser o homem certo para guiar a selecção da Arábia saudita no terceiro milénio.

SAMI AL JABER: O Velho Príncipe Saudita

O simples pronunciar do seu nome entre os adeptos, suscita de imediato vénias. Chama-lhe o Sheikh e esta será a sua terceira presença na fase final de um Mundial. Mais do que um simples jogador, Al Jaber tornou-se, aos 29 anos, numa lenda do futebol árabe. Avançado por natureza, recua muitas vezes no terreno para por ordem na equipa. É como que um segundo treinador dentro do relvado. A nível interno logrou todos os títulos possíveis, com a camisola do Ali Hilal, o seu clube de sempre, tirando uma curta experiência no futebol inglês, sem grande sucesso, no Wolverhampton. Outras estrelas sauditas, são o médio Al Temyat, 24 anos, eleito o futebolista asiático do ano, jogador do Al Hilal, o experiente defesa central Al Khilaiwi, muito próximo das 150 internacionalizações, um pilar do Al Khilaiwi, com o qual venceu quatro títulos sauditas nos últimos cinco anos, uma inspiração para o jovem médio Talal Al Meshal, 21 anos, muito criativo, com um estilo brasileiro tal a forma como dribla e conduz a bola. Longe de ser um viveiro de talentos, a Arábia Saudita reúne, no entanto, grande potencial técnico. Um estilo que também pode ser vislumbrado em jogadores como Al Shlhoob, Mohammed Nour, Al Saqri, Ahmed Dukhi e Al Daeyea, tudo figuras da sua selecção.

ESTRELAS DO FUTEBOL ASIÁTICO: O Ayatollah Ali Daei o Imperador Fan Zhiy

Durante longos anos o nome do coreano Pao-Do-IK, autor do memorável golo que bateu a Itália no Mundial-66, foi o único citado quando se falava em estrelas do futebol asiático. Aos poucos, porém, o cenário foi mudando. Bum Kum Cha, nos anos 80 e Owiaran, nos anos 90, entre outros, levaram o perfume asiático ao mundo do futebol. No presente, na senda de Nakata, o japonês que seduziu o Calcio, surgiram outras figuras asiáticas de nível internacional, algumas delas expressas nesta fase de apuramento para o Mundial-2002. Na imperial China destacaram-se o central Fan Zhi, o grande capitão, 32 anos, jogador do Crystal Palace, o guarda redes Jian Jin, um gigante de 2,02 metros, muito forte nas bolas aéreas, o defesa Zhang Enhua e o malabarista Sun Jiahi, enquanto se aguarda pelo regresso da forma de Ma Mingyu, regressado após uma experiência negativa no Perugia, que sonhava repetir com ele o sucesso obtido no ano anterior com Nakata. No Irão, onde Ali Daei, ex-Bayern Munique e Hertha, hoje no , continua a ser o grande Ayatollah do futebol iraniano, com os seus golos, experiência e visão de jogo, ao lado de duas promessas: o virtuoso avançado Ali Karimi, 23 anos, e Hamed Kavianpour, 22 anos, médio ofensivo, tal como Ali Daei, um produto das escolas do Pirouzi, o grande clube iraniano, de onde saíram outras estrelas no futebol internacional, como Azizi e Mahdavikia, avançado do Hamburgo. Nos Emiratos Árabes Unidos, destaque para o médio centro Abul Salam Juma, jogador do Al Wahda, um maestro asiático, num onze em que também brilha o guarda redes Moataz Abdulla, que passou quase toda a carreira no Qatar e o avançado Subait Khatir, muito elogiado pelo romeno Iordanescu, seu treinador no Al Ain. Tudo nomes a ter em conta pelo seleccionador da Irlanda, que irá jogar contra uma destas selecções, Irão ou EAU, o ultimo playoff de apuramento para o Mundial 2002.

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