A Argentina, é, sem qualquer dúvida, a mais forte selecção do mundo da actualidade. A razão daqueles três pibes não serem uma sua escolha habitual, resulta de ainda serem muito novos –D´Alessandro e Saviola, campeões do mundo Sub-20 este ano, tem 21 anos, Riquelme, 23 anos, obteve igual trofeu em 97 - e, por isso, terem chegado ao mais alto nível competitivo, numa altura em que Bielsa já estruturara a base da selecção, com um padrão de jogo definido e vitorioso. Mesmo assim, é com profunda tristeza que vemos a grande probalidade daqueles três magos não rumarem ao Oriente. Muito novos e podem esperar? Menotti fez o mesmo a Maradona em 1978 e ainda hoje, apesar do titulo, ninguém o perdoa-a por isso. Os grandes jogadores, os verdadeiros génios, explodem logo com 18 ou 19 anos. Pelé, Di Stefano e Cruyff, são a prova dessa teoria que, acreditem, se aplica a Riquelme, D`Alessandro e Saviola. Eles são do melhor que o futebol argentino e mundial produziu nos últimos 20 anos pós-eclosão Maradona, cujos mesmos movimentos, enquanto pibe no Argentinos Juniores, podem ser revistos nos rasgos e dribles de D`Alessandro, também ele filho dos potreros, o futebol de rua, um jogador que faz qualquer um ficar de boca aberta. Duvidam? Vejam um jogo do River e depois digam qualquer coisa. Riquelme é um maestro com varinha mágica, chicote e perfil de caudillo, grande líder, algo de que carece o futebol argentino e que, sem o qual, nunca logrou um titulo internacional. A loucura ignorante disse que ele era um novo Maradona. Erro crasso. Riquelme é outro tipo de jogador. Mais metódico, organizador e forte fisicamente. Se alguns destes três pibes pode ser o novo Maradona ele é D`Alessandro. Saviola é um conejo a jogar futebol. Salta pelo meio das defesas com a mesma sagacidade que o faz aquele pequeno animal na floresta, só que Saviola é mais difícil de apanhar. Mesmo que seja necessário refazer toda a ordem táctica do onze, devia sair um decreto do governo argentino a obrigar, em nome da pátria e do bom futebol, estes três mágicos a jogar no Mundial 2002.
ARGENTINA:
As duas selecções de Bielsa

Os talentos são tantos, que Bielsa, em 3-5-2 ou 3-4-3, poderia formar dois onzes quase do mesmo nível. Na baliza, El loco Burgos, At.Madrid ou Bonano, mais sóbrio, Barcelona. Na defesa a 3, os titulares são Vivas, Inter, muito rápido, nos tackles, a dobrar; Ayala, o capitão, uma esfinge de técnica agressiva, Valência e Samuel, Roma, o gladiador. Todos muralhas que muitas vezes se perdem em violentas entradas, sobretudo Vivas e Ayala, o que num Mundial pode ser fatal. Outras opções são Pochettino, Español e Pellegrino, Valência.
A meio campo, todos esperam a total recuperação de Simeone, Lazio, o caudillo do onze, que sem ele, ficará ainda mais dependente do trinco Verón, o jogador mais influente na manobra colectiva. Sem ele, a equipa perde a sua bússola em campo. No lugar de Simeone, pode surgir Almeyda, Parma. Nas alas, como laterais ofensivos, Zanetti, Inter, á direita e Sorín, Cruzeiro, á esquerda. Todos fabulosos a atacar, mas distraídos a defender. Outras opções, são, respectivamente, Husain, Nápoles, e Kily Gonzalez, Valência.
Na fase ofensiva, Ortega é o nº10. No seu lugar podia jogar Riquelme, mas até a coexistência seria possível, com o recuo deste, mais forte no plano táctico. A preferência de Bielsa por Aimar e Gallardo para substitutos preferenciais de Ortega, colocam, porém Riquelme, quase fora do Mundial.
E como ponta de lança? Crespo ou Batistuta? Não escolher Crespo é perder um goleador que, aos 26 anos, passa a melhor fase da sua carreira. Preterir Batigol, é recusar um goleador histórico, que apesar dos 32 anos, continua mortífero. Jogar os dois? Pouco provável, no plano da complementaridade, pois tem estilos demasiado iguais. Assim, um deles, terá a seu lado, nos extremos, os dois Lopez, Claúdio, Lazio, o piolho, e Gustavo, Celta, ambos sabem ir á linha ou flectir para a área. Uma verdadeira Terra de Mágicos.
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