Embora seja considerado como um dos treindores de top no actual futebol mundial, a erdade é que Arsene Wenger nunca venceu uma competição europeia. O melhor que conseguiu foi chegar a duas finais (da Taça das Taças, em 92, com o Mónaco de Rui Barros e Weah,, perdendo com o Werder Bremen, e da Taça UEFA, em 2000, com o Arsenal, após cair da Liga dos Campeões, sendo batido pelo Galatasaray).
Na Liga dos Campeões, o maior feito foi, em 93/94, a meia-final com o Mónaco, reforçado com Klinsmann, então afastado pelo Milan de Capello. No Arsenal, em oito épocas, ganhou três títulos ingleses, mas, na Champions, nunca passou dos quartos de final, onde só chegou duas vezes.
No resto, caiu sempre na fase de grupos. Como explicar este insucesso de Wenger e do seu Arsenal no cenário europeu?
Apesar dos títulos e das empolgantes exibições na Premiere League, o Arsenal nunca foi um modelo em termos de equilibrio entre-linhas. Está longe de ser uma máquina de futebol colectivo e o desequilibro entre o sector defensivo e o ofensivo foi sempre evidente. É fantástico a atacar. É inconsistente a defender.
Até ao ano passado, tal incoerência colectiva evidenciou-se apenas no cenário europeu. Agora, com um Chelsea de rosto continental, tacticista até á medula e mestre a defender, intrometido no “jogo directo” tipicamente inglês, também sente essa debilidade defensiva internamente.

No passado, em todas as suas equipas, Wenger, em termos de escolha de jogadores sempre privilegiou a capacidade física a defender e a técnica a atacar.
Tal opção é hoje notória na pujança atlética e força no jogo aéreo, mas, ao mesmo tempo, na dureza de rins, pouca velocidade e falta de classe técnica do quarteto defensivo base do actual Arsenal: Campbell-Touré, centrais (opção: Cygan ou Senderos) Lauren-Cole, laterais (opção: Clichy, Eboué ou Hoyte, estes dois centrais de origem). Não existem craques como Terry, Ferdinand ou Ricardo Carvalho, para, com perfeito sentido posicional, iniciarem, depois, com classe e cabeça levantada a saída de bola para o contra ataque ou executar o primeiro passe de construção para o meio campo.
Há assim, uma abissal clivagem técnica entre sectores, o compromete desde logo a ligação entre-linhas e a velocidade das transições. Consegue imprimir grande profundidade de jogo pelos flancos (com os laterais a subir ou com os alas Pires, Reyes, Ljungberg e o próprio Henry, quando arranca de trás) mas sofre muito no centro, onde Bergkamp e Cesc, perfeitos tecnicamente a organizar jogo, trabalham pouco na recuperação e quase só jogam com a bola no pé.
Neste contexto, Vieira vê-se obrigado a carregar a equipa ás costas. A raiz do problema começa, porém, no déficit técnico do sector defensivo.
É, portanto, com estas debilidades táctico-colectivas que Wenger volta a atacar, esta época, o desafio europeu, consciente que, independentemente dos muitos titulos ingleses que vença, só a conquista da Loga dos Campeões lhe dará, de inteiro direito, o passaporte para o Olimpo da história como um dos grandes treinadors de todos os tempos.
Arsene Wenger nas competições europeias:

No Mónaco
87/88 Não se qualificou
88/89 Taça dos Campeões: Quartos de final
89/90 Taça das Taças: Meia-final (eliminado pela Sampdoria, 2-2 e 0-2)
90/91 Taça UEFA: 3ª Eliminatória
91/92 Taça das Taças: Finalista (Monaco, 1-Werder Bremen, 2)
92/93 Taça das Taças: 2ª Eliminatória
93/94 Taça dos Campeões: Meia-final (eliminado pelo Milan, 0-3)
94/95: Não se qualificou
No Arsenal
96/97 Taça UEFA: 1ª Eliminatória
97/98 Taça UEFA: 1ª Eliminatória
98/99 Liga dos Campeões: Fase de grupos
99/2000 Liga dos Campeões: Fase de grupos
Taça UEFA: finalista derrotado (Arsenal, 0-Galatasaray, 0, 4-5 em g.p.)
2000/01 Liga dos Campeões: Quartos-de-final
2001/02 Liga dos Campeões: Segunda fase de grupos
2002/03 Liga dos Campeões: Segunda fase de grupos
2003/04 Liga dos Campeões: Quartos de final (eliminado pelo Chelsea, 0-0 e 1-2)