Ainda é olhado de lado pela elite europeia, mas a cada época que passa, a Liga russa exibe cada vez maior nível futebolístico. No estilo, essencialmente físico, assemelha-se um pouco ao jogado na Bundesliga. É um mundo de contrastes que parece cruzar diferentes eras. Tanto se joga na neve em velhos estádios com relvados duros, onde controlar a bola é difícil, como em sintéticos perfeitos, dentro de modernos recintos fechados e aquecidos. Diferentes realidades por onde passam os cinco grandes candidatos ao título: o trio gigante de Moscovo (CSKA, Spartak e Lokomotiv), o Zenit (produto da era moderna) e o campeão Rubin Kazan (que sonha com o terceiro título). As duas primeiras jornadas confirmam esta ideia.
Vendo o empolgante Zenit-Spartak saltou à vista, no Zenit de Spalletti, a colocação de Danny como nº10 puro atrás do ponta-de-lança móvel Kerzhakov. Nessa posição (e espaços) fugiu à vertigem natural do extremo que costuma marcar o seu jogo em velocidade sobre uma faixa, surgindo mais pausado, lendo bem o jogo e destacando-se na capacidade de passe. Correu menos mas jogou muito mais, sem perder criatividade. Um sentido posicional exigente porque a equipa joga em 4x2x3x1 com alas típicos (primeiro Bystrov-Huszti, depois Rosina-Lazovic) pelo que Danny tem pouca liberdade para cair na faixa como seria natural para ele. Joga no centro e conduz o jogo ofensivo.
Olhando os outros candidatos, o CSKA, ainda na Champions, reinventou-se esta época com um maestro japonês, Honda, grande visão de jogo, e um ponta-de-lança que promete muito, Necid, um checo meio desengonçado mas que na luta entre os centrais inventa muitas bolas de golo. Falando em goleadores, porém, ouve-se logo o nome de Bukharov, o terrível caça-golos do Rubin que depois de perder o criativo argentino Dominguez (foi para o Valência) tenta recriar o seu melhor processo ofensivo. É um território onde, no Lokomotiv, continua a mover-se, esquivo, o perigoso Sychev, apesar de nunca se ter confirmado o grande craque que prometeu no início de careira.
Para além de Danny, o último jogo do Zenit foi também uma oportunidade para ver a colónia brasileira do Spartak, comandada, em 4x4x2, por Alex a meio-campo, apoiado por Ibson. No ataque, a dupla, Welliton-Ari, ambos muito móveis. É uma bela equipa, mas talvez pouco física para aguentar as exigências da Liga russa nesse campo.
No global, continua-se a ver um estilo muito sistematizado, com saídas rápidas para o contra-ataque, mas a evolução competitiva do futebol russo é evidente, sendo impossível pensar o futuro do futebol europeu sem olhar o seu poder crescente a todos os níveis (desportivo e financeiro).