AS CHAVES DA BUNDESLIGA 2004/05

4 de Fevereiro de 2005
O ACTUAL MOMENTO DO FUTEBOL ALEMÃO: EQUIPAS E TÁCTICAS.

Ressurgindo de um período sombrio, a Alemanha voltou a colocar três equipas nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões: Bayern Munique, Werder Bremen e Bayer Leverkusen. Embora tenham um estilo de jogo semelhante, têm propostas tácticas diferentes. Na luta pela Bundesliga, emerge, porém, como principal destaque, o Schalke 04, enquanto o Stuttgart continua sem estabilizar o seu bom futebol.
Há várias épocas que o Bayern não tem um organizador jogo clássico, de estilo moderno, daqueles que se adianta no terreno, traçando coordenadas nas costas dos avançados. Ballack não é, já se provou, esse jogador. Ou joga demasiado recuado ou esconde-se do jogo. Entre ele e, por exemplo, Matthaus, o último dos grandes cérebros-patrão, existe um abismo de carácter. Por isso, o ressurgimento de Scholl, um jogador criativo e com grande leitura de jogo, pode ser muito importante. Já tem, no entanto, 34 anos. Se fosse quatro ou cinco anos mais novo seria, indiscutivelmente, o organizador de jogo que o Bayern tanto necessita. Tal viu-se, claramente, no último jogo contra o Hertha, onde Magath esquematizou o onze num maleável 4x3x1x2 (com Ballack volante recuado de perfi, com Heargreaves e Schweisteiger fechando sobre as alas) desdobrável a atacar num 4x1x2x1x2 em losango (fruto do adiantamento dos alas e da liberdade do médio ofensivo Scholl, fazendo o rombo ou abrindo na direita, procurando servir a dupla atacante aberta a toda a largura do terreno, Pizarro-Makaay. Como a equipa não tem faixas (pois joga sem extremos e os alas, mais de contenção, não tem profundidade ofensiva de jogo) o onze só funcionou quando Scholl pegou na bola ou Ballack se adiantou, não tanto para passar a bola, mas antes para procurar remates de fora da área.
O Schalke 04, depois de um desastrado inicio de época com Heynckes, que o levou até ao antepenúltimo lugar, saltou, com a chegada de Ralf Rangnick até ao primeiro, graças a 10 vitórias (6 consecutivas) em 12 jogos. Tacticamente, joga num 4x4x2 que se abre a atacar em 4x3x3 e tem como base um excelente médio defensivo, Poulsen, um pêndulo dinamarquês que corta, e mete a bola, curta ou longa, com precisão, e um nº10 organizador, o brasileiro Lincoln, a apoiar dois avançados fisicamente muito fortes: Ailton e Sand, enquanto Asamoah costuma entrar desde trás sobre a esquerda. Enquanto no eixo defensivo impõe-se uma sólida dupla de centrais Bordon-Krastjk, a preocupação em começar a desenhar bom futebol desde trás fica evidente na forma como inicia a saída de bola pelas faixas, onde surge, á direita, como lateral, um médio criativo de origem, o turco Altintop, enquanto, á esquerda, Pander e Kobishvili, que também fecha no meio em apoio a Poulsen, fazem todo o corredor com grande consistência táctica a defender e a atacar. O Bayern possui, no entanto, uma atitude, digamos, mais cínica perante o jogo, sobretudo em termos como defende a meio campo, zona onde mora, de resto, a base de muitas das grandes conquistas do futebol moderno...

Tácticas: Bremen, Stuttgart e Leverkusen

Embora não tenha, como equipa, a categoria dos velhos tempos, desde os anos 70, o Bayern Munique manteve-se sempre, ao longo dos anos, no topo do futebol alemão. Ao longo dos últimos vinte anos, tirando um ciclo do Borussia Dortmund em meados dos anos 90, foi sempre o Império da Baviera, apesar de nem sempre se sagrar campeão, a marcar o ritmo nos frios relvados teutónicos, mesmo nos períodos de menor fulgor. É, em certos aspectos, o que sucede hoje, onde, mais uma vez, emerge a falta de consistência de equipas como Werder Bremen, Leverkussen ou Stuttgart para marcarem um novo ciclo de domínio no futebol alemão. As razões são várias e podem vislumbrar-se nos jogos da actual época. Em relação á base da época passada, o campeão Werder Bremen perdeu o central e o ponta de lança: Krstajic e Ailton (ambos para o Schalke 04), mas a principal causa da sua quebra exibicional (actual 6º a sete pontos do líder) reside no desgaste físico e táctico do quarteto do seu meio campo, onde não existem grandes alternativas para o técnico Schaff fazer o turn-over entre campeonato e Liga dos Campeões, sobretudo em termos de construção ofensiva, onde Micoud, cada vez mais, só joga com a bola no pé. Assim o suporte táctico do sector e, por inerência, de todo onze, reside na dupla Baumann-Ernst, sobretudo este, como trinco solitário. Nas alas, destaca-se a subida do esquerdino Borowski, muito lutador, como interior ou ala puro, enquanto no ataque, Klose (11 golos) e Lasnic (6) fazem uma dupla atacante muito móvel. Na defesa, o francês Ismael, muito forte no corte e a sair com a bola, confirma-se como o grande patrão do sector. Falta, porém, a velocidade das transições a meio campo.
Apesar de ser, talvez, a equipa que jogue o futebol mais atraente, Stutgart de Sammer carece de solidez competitiva, o que já levou á troca do 4x4x2, seu sistema de referência, pelo 3x5x2, no qual a equipa revela falta de mecanização. O onze troca, porém, muito bem a bola, desenhando sucessivos triângulo de penetração, nas alas (Hinkel-Meissner-Tiffert á direita, Lahm-Hleb, á esquerda), abrindo no ataque com Cacau e Kuranyi. Sem bola, porém, sofre muito, pois não defende á frente da área. Na construção ofensiva, todos os elogios devem ir para um dos melhores jogadores europeus da actualidade, muito veloz a correr, pensar e executar, quer no passe, como a rasgar de trás: o biélorusso Hleb. Aos 23 anos já é um jogador verdadeiramente fabuloso. Embora tenha feito belas exibições em 3x5x2, Augenthaler entendeu que em 4x4x2 o seu Leverkusen ganha maior consistência táctico-defensiva, sobretudo sem bola, com o seu quarteto do meio campo muito rotinado. Com Ramelow confirmando-se um trinco muito sólido e Freier abrindo e fechando muito bem no flanco direito, a revelação é o dinâmico polaco Krzynowek, incutindo grande profundidade de jogo á ala esquerda e surgindo depois para rematar. No meio, Robson Ponte é o assistente de uma dupla atacante que se complemente muito bem. Enquanto o esguio Berbatov, tecnicamente fino, joga mais em cunha, França ou, sobretudo o veloz Voronin, são os dois avançados mais vagabundos na busca dos espaços vazios.

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