Futebol asiático: as marcas

June 27, 2010 9:10 PM
Coreia e Japão. A velocidade e a posse, Dois estilos para analisar o futebol asiático neste Mundial

 

Tal como em 2002, a Ásia meteu duas selecções nos oitavos-de-final do Mundial (Japão e Coreia) mas desta vez jogando longe de casa. Descontando a queda da Coreia do Norte, este Mundial revelou os passos seguros (progresso táctico e técnico) que o futebol asiático tem dados nos últimos tempos. Coreia e Japão simbolizam, no entanto, estilos completamente diferentes. Nem se pode, aliás, dizer que existe só um estilo de futebol asiático. Mais veloz e vertical o praticado pelos coreanos. Mais técnico e apoiado o dos japoneses.
 
Na forma como a Coreia desafiou o Uruguai, viu-se os princípios tácticos de 4x2x3x1 que, com largura e profundidade sempre garantidas por alas como Chu Yong Lee e Kim Hum Yeom (contra o Uruguai, visando dar mais presença ao meio-campo, entrou o volante ofensivo Kim Jae Sung) transformava-se em 4x4x2 através da aproximação de da estrela Park (na selecção numa posição mais central, enquanto no Manchester joga mais na ala) ao ponta-de-lança Chu Young Park, jogador muito móvel. Ao mesmo tempo, resolveu a compatibilidade da dupla de pivots Kim Jung Woo-Ki Sung Yong e, assim, garantiu o equilíbrio da organização defensiva. Todos estes nomes podem dizer pouco aos adeptos europeus, mas eles existem mesmo e têm vida própria. Para jogar na Europa, para além dos que já cá moram (atenção a Young Park, que mexe com tudo no Monaco) apostava em Kim Jung Woo, um médio-defensivo que corta e orienta a saída de bola com visão e intensidade. Com 28 anos, joga no Gwangju Sangmu coreano. Os alas são rápidos, mas não parecem poder jogar de forma muito diferente. Curioso ver Cha Du Ri (filho do mítico Bum Kum Cha, estela dos anos 80) a jogar, e bem, como lateral-direito, após ter brilhado como avançado.
 
A estrada asiática deve buscar uma inspiração mais táctico-europeia. Quanto menos correm, melhor parecem jogar, mas essa estranha sensação não é positiva. Resulta de assim disfarçar as limitações de disciplina posicional que tenta compensar com a velocidade (tentam estar em todo o lado primeiro que os outros) mas o caminho é o oposto. Pensar mais serenamente, Ou seja, a paciência oriental aplicada ao futebol. 
 
 
Japão: o “sushi-futebol”
 
Mantendo uma inspiração mais sul-americanizada, o Japão vive sobretudo da qualidade táctica e técnica dos seus médios. É, estruturalmente, uma equipa lenta e, ao optar jogar sem ponta-de-lança clássico (o titular anterior era Okazaki) metendo no seu lugar o maestro Keisuke Honda, médio de vocação, tornou-se ainda mais curta, com dificuldade em dar profundidade ofensiva ao seu jogo. Aparecem, então, os alas, Matsui e Okubo para esticar a equipa a atacar, mas na maior parte do tempo, o Japão passeia (circula) com a boa a meio-campo. Quando entra Okazaki (e Tamada, outro avançado móvel), recuando Honda, a equipa parece logo outra nos últimos 30 metros.
Contra o Paraguai, porém, deve entrar com a estrutura habitual, na qual já não entra Nakamura, aos 31 anos sem a intensidade de jogo necessária para este nível. O jogador que mais impressiona, porém, nunca ter saído do Japão é o médio-defensivo organizador Yasuhito Endo. Neste Mundial tem jogado demasiado descaído para uma ala (mais a esquerda) na saída de bola, mas tem uma visão de jogo e colocação de passe notáveis. Fez 29 anos e é uma instituição do Gamba Osaka, mas, bem enquadrado numa equipa, ainda poderia pisar a relva europeia. É o chamado sushi-futebol do qual se aprende a gostar.  

 

 

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