No banco, durante os jogos, o seu olhar, ansioso e nervoso, é o espelho fiel de um homem que sente ter perdido o controle técnico-táctico da equipa. Halilhodzic é um treinador no fio da navalha. De inicio, face ás saídas de Henize e Sorin, procurou refazer o flanco esquerdo com as contratações de Armand e Rotthen, lateral e extremo esquerdo, novos donos do corredor canhoto do onze, ao mesmo tempo que Helder era adquirido para substituir o central Dehú. A saída do extremo direito Fioresse para o Marselha (já com três jornadas do campeonato disputadas), foi, no entanto, um rombo táctico mais difícil de preencher, sobretudo face ao facto da outra principal contratação ter sido um médio centro, Corridon, ex-Lens. Este desequilibro táctico ficou evidente nas várias hesitações tácticas reveladas por Halilhodzic no arranque da Liga dos Campeões e nas donze jornadas do liga Francesa já disputadas, vagueando, sem nunca formar um bloco coeso, entre o 4x4x2, o 4x3x1x2, o 4x2x3x1 e o 3x5x2.
Independentemente da defesa se escalar numa linha de quatro ou de três elementos, a principal dificuldade deste PSG para definir um padrão de jogo, reside no meio campo, sector sempre dividido em duas linhas, a de contenção e a ofensiva, entre as quais Halilhodzic ainda não descobriu os melhores elos de ligação. Para formar a dupla de volantes de contenção, as opções variam entre M`Bami, Cissé, Cana e Benachour. A combinação preferencial é M´Bami-Cissé, fortes na recuperação e no primeiro passe para o contra ataque, embora o albanês Cana, possua maior versatilidade no transporte da bola, pelo que, nos últimos jogos, conquistou a titularidade. Seja qual for o sistema, Hailhodzic nunca abdica desta dupla de trincos. O desenho táctico alterna, depois, em função das opções ofensivas, zona onde as lesões e alguma divergências com o técnico, amputaram do onze, na maioria dos jogos deste inicio de época, o seu elemento mais criativo, o sérvio Ljuboja, uma espécie de segundo avançado, tecnicista e rompedor, com precisão de passe, que joga nas costas do ponta de lança Pauleta.
O labirinto táctico de Halilhodzic

Assim, na Liga, começou por utilizar, nas primeiras quatro jornadas, o mesmo sistema utilizado na época passada: o 4x4x2, com defesa a «4», dois trincos, extremos-volantes que arrancam desde a linha do meio campo e recuam a fechar quando a equipa perde a bola, e dois avançados, um em cunha entre os centrais e o outro nas suas costas. As alterações foram sendo apenas de dinâmica posicional, incidindo sobretudo, na utilização de Cissé como trinco ou como volante pela direita, opção que surgiu após a saída de Fiorésse, entrando Cana para a zona central. Na esquerda, Rothen é um elemento fixo e no ataque, sem Ljuboja, Reinaldo surgiu ao lado de Pauleta. Os fracos resultados (Rennes, D. 1-2; Caen, E. 2-2; Toulose, D. 1-2; St.Etienne E., 1-1) levaram á alteração, na 5º ronda, em Istres, do módulo táctico para 4x2x3x1, inserindo Coridon como médio centro mais adiantado, Ogbeche na ala direita e, na frente, apenas um ponta de lança, Pauleta. O empate (1-1) e a fraca exibição motivariam a revolução seguinte, em casa, frente ao Mónaco, Halilhodziv voltou a alterar o sistema e optou por um mais cauteloso 4x3x1x2, de contra-ataque, com três médios defensivos, M`Bami, fechando á direita, Cana no centro, e Ateba, sobre a esquerda. Entre linhas, mais adiantado, Coridon, como elo de ligação com o ataque, onde Pauleta teve (pela primeira e única vez) a companhia do servio Ibisesiv. Apesar da derrota (0-1) e a exibição, sem confiança, com a bola queimar nos pés dos jogadores, o sistema manteve-se nos jogos seguinte, Lens e Strasbourg (apenas com a alternância de Pancarte ou Ljuboja ao lado de Pauleta). O regresso de Ljuboja coincidiu com as duas primeiras vitórias do PSG no campeonato (Strasbourg, 1-0 e Bastia, 2-1), tendo, na Córsega regressado ao 4x2x3x1, com a particularidade de Coridon recuar mais sobre o eixo central, ficando a dupla de trincos M´Bami- Cana mais aberta a fechar os flancos, nos quais surgiu Pancarte no lado direito. Um sistema mantido, sábado passado, em Nantes, com Pancarte na faixa direita.
A chave do problema

Como principais motivos para a falta de mecanização de jogo e incapacidade para unir as três linhas, formando, assim, um bloco coeso, emergem as lacunas em dois posto-chave: O médio centro ofensivo e o extremo-volante direito, para os quais as principais opções têm sido, respectivamente, Coridon e Ogbeche, este depois da saída de Fiorése. Apesar da sua experiência, 31 anos, e de se notar que tem futebol nos pés e na cabeça, pois todos os seus movimentos revelam técnica e boa leitura de jogo, Coridon não tem o carácter de um verdadeiro patrão. Falta-lhe agressividade para segurar a equipa nos momentos difíceis e raramente executa passes verticais a desmarcar as diagonais de Puleta para os espaços vazios, o que impede o onze de ganhar maior velocidade nas manobras ofensivas, onde os lances de maior perigo saem sempre dos pés do extremo-volante esquerdo Rothen, por vezes apoiado pelas subidas, no centro, de M`Bami ou Cana.
Na direita, Ogbeche é um artista africano, jogador de rasgos, mas que não tem cultura táctica para jogar preso a um flanco, pedindo o seu futebol maior amplitude de movimentos. Pancarte, a outra opção, verticaliza melhor o jogo, dando, em passada larga, maior profundidade de jogo pelo seu corredor.
A defesa é o sector mais consistente da equipa com uma boa dupla de laterais, sobretudo Armand, á esquerda, atleticamente forte, muito bem a subir no apoio ao ataque e aguerrido a defender, enquanto, na direita, Mendy é um jogador algo irregular, alterna boas subidas com momentos de menor atenção posicional. No centro, destaca-se uma dupla muito forte no jogo aéreo Pierre Fanfan-Yépes, sendo outras alternativas o português Helder (sobretudo como libero, se jogar com defesa a «3») e o jovem Badiane, vindo este ano do centro de formação.
Chelsea e CSKA: as tácticas para a Europa

Um espelho perfeito dos dilemas tácticos do actual PSG foram os dois primeiros jogos da Liga dos Campeões, frente ao Chelsea e ao CSKA, nos quais Halilhodzic adoptou dois sistemas tácticos diferentes, do 4x2x3x1 ao 3x5x2. Em ambos os casos, nunca revelou um circuito preferencial de jogo mecanizado.
No Parque dos Príncipes, contra o Chelsea de Mourinho, armado num aberto 4x4x2 em losango, o PSG alinhou num 4x2x3x1 com a tradicional linha defensiva de quatro elementos, marcação zonal e dois médios de contenção á frente da defesa, M`Bami, atento no corte e na intercepção de linhas de passe, e Cana, responsável pelo primeiro passe na saída de bola para o ataque. Na segunda linha do meio campo, mais adiantada, três médios ofensivos: Ogbeche na faixa direita, Rothen na esquerda, e Coridon, no centro, nas costas do ponta de lança Pauleta. Na intenção de impedir o Chelsea de controlar o meio campo, Halilhodzic procurou adiantar a defesa e executar a chamada zona pressionante a meio campo sobre o portador da bola inglês, mas, depois, sem capacidade para segurar a bola, nunca logrou controlar o ritmo de jogo, acabando enredado na circulação de bola dos quatro vértices do meio campo inglês. A substituição de Coridon por Ljuboja, deu novo impulso ofensivo á equipa, mas com o sérvio fora de forma o onze perde criatividade na chamada zona de definição.
Em Moscovo, frente ao CSKA, surgiu, pela única vez num revolucionário 3x5x2, na variante 3x4x1x2, num esquema de três defesas, com Helder a libero e a dupla Badiane-Pierre Fanfan em acções de marcação individual à dupla de avançados adversária Olic-Wagner Love. Á frente do trio defensivo, na zona central, com M`Bami no banco, Cissé era o principal responsável por controlar o meio campo, vigiar o movimentos dos russos e soltar Cana no transporte de bola para o ataque. Nas faixas, a profundidade ofensiva era incutida pelos laterais Mendy-Armand. Na movimentação atacante, o jogo excessivamente curto de Coridon não permitia, no entanto, que a dupla atacante Pauleta-Ljuboja, muito esforçada, recebesse os necessários passes verticais a solicitar as suas desmarcações nos espaços vazios. A troca de Cissé, lesionado, por M`Bami, logo aos 23 minutos, travou o plano de Halilhodzic em controlar o meio campo através do chamado em pressing alto e, nas faixas, perante o 3x5x2 russo, com dois médios ala adaptados a laterais carrileros, Zhirkov e Gusev, o CSKA teve sempre a iniciativa de jogo.
Os Sistemas europeus do PSG
Contra o Chelsea (casa, D. 0-3).
Sistema: 4x2x3x1

É o actual sistema preferencial, com dois médios defensivos, alas e um médio centro. O problema reside na falta de circulação de bola. Nesse sentido, as maiores lacunas residem na ala direita e no centro ofensivo.
Contra o CSKA (fora, D. 0-2).
Sistema: 3x5x2

Foi a única vez que jogou em 3x5x2. De inicio, revelou-se mais forte nas antecipações e no pressing alto a meio campo, soltando o contra-ataque, mas sem o controle das faixas, o sistema perdeu a base da sua dinâmica ofensiva.