AT. MADRID: O labirinto de Bianchi

22 de Outubro de 2005
No seu grande teste no futebol europeu, Carlos Bianchi ainda busca qual o melhor modelo para o seu At. Madrid. Partindo do 4x4x2, o onze sente falta de um organizador clássico e continua sem um circuito preferencial de jogo claro. Estas são algumas questões tácticas que assaltam Bianchi.
Carlos Biachi e Wanderley Luxemburgo são os treinadores com mais títulos no futebol sul-americano. Esta época, encontram-se, ambos, em Madrid, no vulcão do futebol espanhol. Enquanto Luxemburgo começa a reequilibrar-se na «Casa branca», Bianchi, no Calderón, mergulhou numa séria depressão.9 jornadas, 13 pontos, 4 vitórias, 1 empate e 4 derrotas. 11º lugar. O mais grave, para além dos resultados, reside, no entanto, na crise exibicional da equipa. Vejamos algumas das questões que atacam hoje o seu Atletico Madrid: Tacticamente, depois de começar a época em 4x4x2. Bianchi, demonstrando hesitação táctica, passa, por vezes, para um desligado 4x3x2x1, que, para além de outros problemas, coloca, desde logo de fora, uma dupla avançada de quem se espera muito e precisa de jogar para ganhar automatização: Torres-Kezman. Só com um deles na frente, a equipa perde poder de finalização.
Onde o onze revela, porém, uma grave lacuna é na chamada zona de criação do meio campo. Com Ibagaza ainda a regressar de uma lesão e sem merecer a confiança de Bianchi, falta um nº10 que organize jogo. No início da época, Gabi, um chico vindo da cantera, ainda criou a ilusão de poder ser esse jogador, mas, na dureza da liga, cedo perdeu o embalo. A última opção de fazer subir no terreno, o médio defensivo Zahínos também não parece ser a solução. Sem este enganche com o ataque, a equipa parte-se facilmente na transição defesa-ataque. Com Lucin fixo no pivot defensivo, talvez a solução passa-se por resgatar Maxi Rodriguez para o centro, mas Bianchi continua a apostar no dinâmico argentino para a direita, procurando, assim, colmatar a saída de Gronjkaer, um extremo direito puro, algo que falta a este Atlético, embora Galletti, sem, no entanto, ter a mesma profundidade de jogo de um verdadeiro extremo, pode-se fazer o lugar. Assim, a construção do jogo ofensivo faz-se, quase sempre pela esquerda, onde está o explosivo Petrov, ficando a equipa, digamos, com uma perna torta a atacar, retirando fluidez ao seu 4x4x2. Resta, atrás, a excelente dupla de centrais Pablo-Perea, numa equipa que se tornou um quebra-cabeças táctico para Bianchi no seu definitivo teste no futebol europeu…

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