Na América do Sul, há, neste momento, uma equipa que quando está em campo solta um intenso aroma a bom futebol: a selecção do Equador. Sob a batuta do colombiano Luiz Suarez que substituiu o carismático compatriota Dario Gomez Bolillo, velho discípulo de Maturana, esquematizado num clássico 4x4x2, revela uma atitude ofensiva com excelente toque de bola e perfeita ocupação dos espaços, sobretudo a atacar, fase em que é, claramente, mis forte do que quando é obrigada, sem bola, a defender. A base é a qualidade técnica dos jogadores, mas o que faz a diferença neste novo ciclo é a maior cultura táctica evidenciada nos três sectores, defesa, meio campo e ataque. Na essência desta sedutora dinâmica técnica, um grupo de interessantes jogadores que convêm conhecer melhor.

Neste sentido, o núcleo cerebral e criativo reside no meio campo, com dois volantes tecnicistas disciplinados a fazer a primeira linha de cobertura e, recuperada a bola, donos de grande projecção ofensiva, Ayovi, mais activo no transporte de bola, e Edwin Tenorio, mais cerebral, a parar o jogo e traçar linhas de passe nos últimos 25 metros. Nas alas, ora encostando-se á linha, ora flectindo como autênticos médios interiores, dois médios de grande categoria: a revelação Luis Valencia e o dinâmico Mendez, 26 anos, (nº8)o tipo de jogador que, pela forma como sobe e desce no terreno, sempre com critério e no timing certo, parece encher o campo sozinho. Pode jogar nos dois flancos, mas é na esquerda que rende mais, embora seja destro. Lê o jogo passa, organiza e remata. Joga no Liga de Quito, e merece um olhar atento por pare dos grandes clubes. É esta dupla Valencia-Mendez que lança, depois, a frente de ataque, onde habitam avançados que se complementam muito bem, casos do pujante Delgado, (nº11) forte no jogo de cabeça e dno de um remate potente, ao lado de O.Tenorio, mais móvel ou Salas, esquivo e veloz, muito forte no um para um. Na defesa, onde os centrais Espinoza-Hurtado parecem, muitas vezes, algo descompensados posicionalmente, abrindo muitos espaços (talvez porque subindo os laterais muito, eles são forçados a alargar para dobrar nas faixas) destaca-se um excelente lateral esquerdo: Ambrosi, 24 anos, também do Liga de Quito. Faz todo o corredor. Seguro a defender e objectivo a atacar. Como quase todas as selecções sul americanas da chamada segunda linha, este Equador cai muito de rendimento, porém, quando joga fora. Uma questão de personalidade, pouca maturidade ou falta do seu habitat próprio, nos 2.850 metros de altitude de Quito.
O ONZE BASE. SISTEMA: 4x4x2