Nos longínquos anos 30, na chamada era romântica, o futebol austríaco celebrizou-se como a escola do futebol bonito, táctica e atleticamente evoluído. Era o tempo da Wunderteam. Com o tempo, porém, a sua escola, fruto dos ventos da história, foi perdendo grande parte da sua identidade. Nostálgicas, muitas das suas selecções partiram á procura do tesouro e do espírito da Wunderteam, mas o passar dos anos apenas intensificou que esta era uma busca inglória. Influenciados pela cultura germânica, morfologicamente semelhantes, o futebol austríaco tornara-se como que uma extensão estilística dos conceitos teutónicos. Para o bem e para o mal.
No decorrer desta luta por resgatar as velhas glórias, surgiram, entre os anos 70 e 80, alguns grandes jogadores, como Schachner, Pezzey ou Prohaska, mas o único que conseguiu acariciar a imagem vencedora e possante de outrora foi o terrível goleador Hans Krankl, figura do Rapid Vienna, Barcelona e, claro, da selecção austríaca, bota de ouro de melhor marcador da Europa em 1978. Inspirado nesse passado glorioso, a Federação austríaca decidiu agora tentar transpor esse espirito vencedor dos relvados para o banco da selecção, a atravessar uma grave crise de exibições e resultados. Com 48 anos, Krankl, que até Dezembro treinou o Admira Wacker, substitui o desgastado Otto Baric, que falhou o apuramento para o Mundial 2002.
A missão de Krankl é hoje muito mais difícil do que no seu tempo de jogador. Carente de atributos técnicos, a nova geração do futebol austríaco, onde o veterano Herzog continua a ser a sua principal figura, encontra-se hoje numa encruzilhada histórica, pois no actual cenário do futebol internacional, a condição atlética, por si só, já não vence jogos. No fundo, a raiz da crise austríaca é a mesma do futebol alemão, só que, menos poderosos, demográfica e financeiramente, os meios para atacar a crise são menores. Neste contexto, a lenda da Wunderteam está condenada a repousar, para a eternidade, nos anais o passado.