O velho reino dos sérvios, croatas e eslovenos, isto é, a velha Jugoslávia ficou conhecida como uma escola de bom futebol. Misto de virtuosismo técnico e disciplina táctica, ecos das múltiplas influências que a moldaram, geograficamente entalada entre a artistica europa do sul e a fria região de leste. Nos últimos anos muita coisa mudou. A guerra étnica estilhaçou o país de Tito e por consequência o futebol outrora conhecido como o “Brasil da Europa” despareceu, durante anos, dos relvados europeus.
Quando em 91 o Estrela Vermelha de Prosinescki e Pancev conquistou a Taça dos Campeões uma sensação estranha percoreu o corpo do resto da Europa. Aquela vitória, a última da antiga federação dos eslavos do sul -yug em jugoslavo significa sul- , obra de um fantástico grupo de jogadores não iria ter continuidade nos anos seguintes. As bombas da guerra há já algum tempo sobrevovoavam a região balcãnica e o futebol, que não se achava daquele mundo, estava condenado a uma travessia do deserto.
Com o fim do conflito foi tempo de reconstruir a escola do futebol jugoslavo. Com os clubes na ruína, a base teria de ser, naturalmente, o talento inato dos seus jogadores. Na velha capital Belgrado, (em sérvio Biograd-cidade branca) o Estrela Vermelha e o Partizan, rivais seculares, esqueceram os ferozes duelos com as equipas croatas, e procuraram em si argumentos para recuperar o prestigio abalado. Um processo dificil e moroso.
O Estrela Vermelha continua ainda sem corresponder aos sonhos dos seus loucos adeptos. O último campeonato foi ganho pelo Obilic, que, muito frágil futebolisticamente, não obteve o apuramento para a Liga dos Campeões.
Em face deste cenário, emergiu esta época, como que renascido das cinzas, o mitico Partizan de Belgrado. Após 15 jornadas disputadas na Liga jugoslava, o Partizan, que na UEFA eliminou o Newcastle e só caíu frente á Lazio após uma eliminatória titânica (0-0 e 2-3), conta por vitórias os jogos disputados: 15 jogos, 15 vitórias! Em segundo lugar, 12 pontos atrás, o Estrela Vermelha parece nem acreditar. Uma proeza inédita no conturbado futebol jugoslavo, ansioso de reconstruir os seus herois, capazes de lhe devolver o prestigio de outras eras. Este Partizan parece ser uma boa razão para sonhar.
TUMBAKOVIC: O TREINADOR DA RECONSTRUÇÃO

Não há grandes equipa sem grandes treinadores. O treinador mágico que comanda este onze supersónico chama-se Ljubisa Tumbakovic. Chegou ao clube em 1992 com a ingrata tarefa de substituir o lendário Ivica Osim, o ultimo selecioonador da velha Jugoslávia, no Mundial-90. Com estes resultados já conquistou um lugar para si na história do Partizan. Tumbakovic, apesar dos dias de glória, continua com os pés na terra: “ Sinceramente, não esperava que a equipa estivesse assim tão forte.”
O inicio da época não previa grandes proezas, depois das saídas de Krajl, para o FC Porto, Bolic, pilar da defsa, para a Salernitana, o influente médio Tomic, para a Roma e o avançado Isailovic, para o Valladolid. O clube não podia perder estas oportunidades de fazer dinheiro.
Sendo assim qual será o segredo do sucesso deste Partizan 98/99? No futebol actual não há nada mais precioso do que um segredo bem guardado, mas este mistério parece fácil de desvendar. Ele mora na ambição e na juventude do plantel, composto apnas por jogadores nascidos na década de 70. Eles são a nova imagem do talentoso futebol jugoslavo. Eles são o “Baby-Partizan”!
A base da equipa são jogadores formados no clube, um inesgotável fonte de talentos. Apenas três jogadores do plantel não foram feitos nas escolas do Partizan: Branko Savic e Vladimir Ivic, ex- Proteler, e Mateja Kezman, ex-Sartid. Outra prova de que mais do que arriscados investimentos milionários, os clubes devem antes investir na formação de verdadeiros talentos. No entanto, em boa verdade, em face da dificil situação financeira em que se encontra, a este Partizan, como a todo o futebol jugoslavo, não restava outra solução.
QUEM SÃO AS JOVENS ESTRELAS DO PARTIZAN 98/99?

Um onze elegante e empolgante que começa na baliza, onde está Nikola Damjanac, 27 anos, substituto de Krajl. A defesa, comandada pelo libero Milan Stojanoski, 25 anos, conta com um jogador poderoso no jogo áereo, Vuk Rasovic, que é ao mesmo tempo um simbolo do renascimento do bom futebol jugoslavo que herdou do seu pai, Branko, uma estrela do Partizan e da selecção nos anos 60.
No meio campo, joga o arquitecto da equipa. O maestro Vladimir Ivic, 21 anos: grande visão de jogo, sabe sempre quando segurar a bola e quando a deve passar com segurança, um talento puro, rápido e com grande espirito de sacrificio. Ele é, diz-se, a alma do onze. Não o perca de vista se é um amante do bom futebol. A seu lado joga o “menino de ouro” dos adeptos do Partizan: Sasa Ilic, 20 anos. Parece mais brasileiro do que jugoslavo tal a forma como toca e domina a bola. É um produto da formação do Teleoptik Zemun, o clube que também deu ao mundo Stankovic, jogador da Lazio.
No ataque, com os olhos postos na baliza, joga outro herdeiro do velho futebol jugoslavo: Nenad Bjekovic, 24 anos, filho de outro Nenad, goleador dos anos 70. Não são tem estilos parecidos, mas os objectivos são os mesmos: remates e golos.
Sabiamente dirigidos por Tumbakovic este Partizan suscita grande nostálgia em todos que procuram imaginar o que teria sido a fantástica equipa jugoslava que foi desmanbrada no inicio dos anos 90. Os jovens desse tempo estão agora na fase final das suas carreiras, mas é neles que se espelha a arte e a magia deste “Baby partizan”.
“Estão juntos há poucos meses mas gormam um grupo muito unido. São jovens ambiciosos, com grande sentido profissional e que não temem nada. Querem chegar á selecção, fazer cisas grandes e, no final do contrato, sair para jogar em grandes clubes estrangeiros” .
O virtuoso futebol jugoslavo está de volta. A europa futebolistica, em breve, voltará a contar com o sedutor perfume do seu futebol artistico e raçudo.