O meio-campo é o cérebro táctico da equipa. É importante, portanto, que os médios pensem como médios. Isto é, que não se importem de partir atrás da linha da bola e ter muitos jogadores à sua frente para descobrir caminhos ou atalhos para perfurar e criar novas zonas de construção.
No actual 4x3x3 do Barcelona, os três avançados só jogam de frente para a bola. Ronaldinho, Saviola e Messi. Avançados puros que apenas pensam o jogo ofensivamente. Atrás, pelo contrário, na primeira linha do meio-campo, Edimilson é um pivot-defensivo com perfil de trinco e genes de defesa-central, seu lugar de origem. Pensa o jogo como um defesa (no corte e cobertura) e não como um médio.
Assim, o Barca apenas tem dois médios para pensar o jogo da equipa e faze-lo avançar no terreno com critério: Deco e Iniesta (ou Xavi). Dois jogadores de sedutor recorte técnico, que unem sentido criativo com o organizativo, mas ambos atleticamente leves para suportar o peso de todas a transições defesa-ataque-defesa da equipa.
Frente a equipas com um meio-campo de grande rotação (como o Chelsea ou o Corunha, últimos adversários) que pressionem essa linha de criação, a equipa fica sem ideias na construção de jogo e posterior criação de desequilíbrios ofensivos.
Falta, um médio com mais músculo para ser a âncora da equipa e nunca a deixar desposicionar-se, libertando ao mesmo tempo Deco para surgir mais vezes na zona de construção entre-linhas atrás dos avançados e fazer o último passe.
Numa primeira análise, este Barça precisaria de um pivot-defensivo com maior cultura de jogo na transição defesa-ataque, daqueles que saiba fazer circular a bola de frente para o meio-campo adversário e não que viva, sobretudo, de recuos para sentir maior segurança defensiva.
Era um papel que, na época passada, Marquez, hoje a central, realiza de forma mais consistente, visto ter uma visão mais ampla da posição. Hoje falta coerência de jogo à equipa desde posições mais recuadas.

Outro problema deste Barcelona, reside na posição 9. A lesão de Eto´o retirou mobilidade ao ataque. Ou seja, a equipa está mais posicional, até desenha linhas de passe com maior facilidade, mas o problema é que são todas mais previsíveis e, por inerência, mais fáceis de anular pelo adversário.
No lugar de Eto `o joga Gudjhonson ou Saviola. Com o islandês ganha mais peso na área, mas sendo um jogador mais estático, dando referências de marcação mais precisas ao adversário, pede-se que Ronaldinho ou Messi desequilibrem desde as faixas em diagonal.
O problema é que, para fazer isso, necessitam que o ponta-de-lança tenha capacidade para fazer essa troca posicional, que, por exemplo, Eto `o fazia tão bem com Ronaldinho. Quando o brasileiro rompia em diagonal, o camaronês descaía para a direita, arrastando o marcador, abrindo espaço no centro e ocupando, na tal troca posicional, o lugar de extremo. Com Gudjhonsen isso não sucede e o trio fica quase sempre posicional.
Foi talvez por isso que Rijkaard colocou Saviola, um jogador esquivo e muito móvel, no centro do ataque. Falta, no entanto, ao argentino rotina nesses princípios de jogo. Apesar de ser muito rápido, Saviola é o tipo de avançado que alinha melhor dentro de um 4x4x2, solto no ataque, movendo-se em torno de um ponta-de-lança mais fixo. Colocado em cunha entre os centrais no actual 4x3x3 do Barça, fica aprisionado e sente necessidade de recuar para respirar melhor e tentar embalar com a bola.
Com isso, movendo-se de forma oposta à de Eto `o, retira Ronaldinho os espaços vazios de penetração pois as referências indispensáveis para funcionar a troca posicional desaparecem.
No fundo, a equipa necessita de adquirir novos hábitos de movimentação ofensiva, dentro da qual também sofrem actualmente os passadores do meio-campo (Deco, Xavi ou Inidesta) que com a alteração de movimentos dos avançados, deixaram de ter as referências de passe que tinham no passado.