Estas duas formas de pensar futebol, estão evidentes na estrutura estilística (entenda-se características dos jogadores que interpretam os sistemas) que molda as duas equipas. Ancelotti, entre as variantes do 4x4x2, prefere o 4x3x1x2. Capello, depois do 3x5x2 de Roma, também regressou ao mundo do 4x4x2, sobretudo nas versões com alas. Embora ambos dotem a equipa de um organizador de jogo que se solta na frente de um trinco-volante, estilo regista recuado, a diferença de perfil e estilo dos jogadores eleitos para esses lugares torna os dois onzes muito diferentes, tanto na hora de defender, como na de explorar a posse de bola.
Em Turim, Capello constrói a sua Juventus partindo da solidez defensiva dos médios de contenção, onde, ao lado do duro Blasi, emerge Emerson, um brasileiro musculado, o chamado jogador centauro: recuperada, transportador de bola e gere muito do jogo ofensivo de área a área. No mesmo espaço, Ancelotti aposta antes numa linha de três volantes, com Pirlo no centro, um tecnicista que verticaliza melhor o jogo, mas é muito mais leve nos lances divididos e na ocupação dos espaços sem bola. A seu lado, Gattuso, á direita, e Seedorf, á esquerda, tem a missão bífida de fechar os flancos e, junto com a subida dos laterais, dar profundidade ao jogo pelas faixas. Não são, no entanto, flanqueadores clássicos, pelo que o onze, em termos de construção ofensiva depende sobretudo do seu trequatista, Káka, playmaker nas costas dos avançados. Ao invés, o 4x4x2 da Juventus, que adiantou Del Piero para junto de Trezeguet no ataque, ocupa o espaço entre-linhas através das diagonais de Nedved, que partindo da esquerda, surge, depois, na zona central para descobrir mortais linhas de passe ou oportunidades de remate. Ao mesmo tempo, o lateral Zambrotta sobe pelo flanco buscando a linha, enquanto que, á direita, Camoranesi abre o jogo a toda a largura do terreno.
Se a Juventus possui maior solidez defensiva, sentindo-se confortável sem a bola, o Milan, ao invés, possui maior riqueza técnica individual, mas, com jogadores competitivamente mais macios, sente maiores dificuldades quando a perde. Por outro lado, apesar de conseguir ter maior posse de bola que a Juventus, trocando-a de pé para pé, sofre muito depois para mudar o ritmo de jogo e incutir-lhe maior velocidade, sobretudo frente a equipas que se fecham atrás, como frente a Messina e Livorno.
Tácticas:
O Inter de Mancini

Mais do que ser campeão, espera-se que o novo Inter, depois dos conturbados ciclos de Cuper e Zacheronni, volte, com Mancini, a jogar bom futebol, menos conservador, mais solto ofensivamente. Apesar dessas intenções, o onze continua, no entanto, neste inicio de época, a revelar muitos dos mesmos problemas técnico-tácticos do passado. Mantendo o 4x4x2 como referência, ainda não se vislumbra um claro fio condutor de jogo que una as três linhas. A grande questão reside na chamada zona de construção, um espaço onde o Inter continua a carecer de um verdadeiro organizador que sirva de enganche entre-linhas. No meio campo, as principais referências arquitectónicas, são num must de trincos (C.Zanetti, Cambiasso ou Davids), todos fortes na recuperação de bola, mas sem a necessária profundidade técnica na construção de jogo ofensivo para preencher todo o corredor central. Nesse sentido, e partindo da mesma zona, um jogador chave poderá ser Verón. Defende, ataca, passa curto ou longo e faz a bola circular, mas já não é o mesmo Verón de há quatro/cinco épocas atrás, quando atingiu o auge na Lazio campeã, em 99, então com Mancini a nº10. Depois de Eriksson, nenhum outro treinador o soube entender. Confundiram-lhe as ideias, até, quando o colocaram como trinco puro, posto que não é o seu. La Brujita é mais um médio centro que gosta de ter liberdade para atacar. É, digamos, um box to box atípico, pois em vez de partir da frente da defesa, deve partir do centro do terreno, para depois subir e descer gerindo o jogo. Aqueles três anos em Inglaterra acabaram por ser um atraso para a sua carreira.
A importância de Verón beste Inter, torna-se maior devido Stankovic jogar demasiado preso ao flanco esquerdo e os artistas Emre e Recoba continuarem talentos inconstantes, ora engatam grandes jogadas, ora desaparecem do jogo. Por isso, dificilmente se tornam titulares indiscutíveis. Na faixa direita, continua o processo de aculturação de Van der Meyde ao Calcio. O resto, são os fulminantes remates de Adriano...