Vendo bem, este foi já um problema que Mourinho começara a sentir na parte final da época passada, mais precisamente após a eliminação da Champions pelo Barcelona, onde a equipa se revelou incapaz de dar outro impulso táctico ao seu sistema de jogo e criar desequilíbrios ofensivos frente a um colosso como o Barcelona.
Embora a nível interno o 4x4x2 tivesse sido suficiente para dar o impulso final na conquista do campeonato, sentia-se que, para dar-lhe consistência internacional, era necessário trabalhar os seus princípios e sub-principios desde a raiz. É o que está suceder esta época, com a aposta na dupla de pontas de lança Drogba-Schevchenko.
Com o tempo, esta pequena sociedade de terríveis avançados vai se mecanizando na ocupação alternada dos espaços, ora desmarcando-se um em diagonal, ora caindo um mais para a faixa, deixando o corredor central aberto para o outro.
A questão mais sensível para a operacionalização deste 4x4x2 reside, porém, nos mecanismos do meio campo.
Com a contratação de Ballack, o sector ganha ainda mais músculo e capacidade para jogar box to box em transição defesa-ataque-defesa, libertando um pouco Lampard desse desgaste, enquanto Makelele se fixa como pivot defensivo, a âncora da equipa na recuperação e inicio de saída para o ataque, mas continua a faltar-lhe criatividade na segunda linha, pois Essien funciona na mesma óptica do que Lampard ou Ballack.
A solução poderá passar pelo famoso losango, colocando Makelele no vértice recuado e Ballack no ofensivo, ficando Lampard e Essien nas extremidades, esquerda e direita, respectivamente, abrindo o mais possível na faixa quando de posse da bola.
Mourinho tem trabalhado, no entanto, outra variante, colocando nessas extremidades extremos puros mais indicados para o 4x3x3. Robben e Wright-Philipps. Se por um lado dão mais profundidade de jogo pela faixa, por outro impedem que a equipa tenha melhor circulação de bola.
Tudo isto são ainda, no entanto, apenas sintomas de uma nova filosofia que permita à equipa jogar em 4x3x3 ou em 4x4x2. Enquanto não mecanizar da mesma forma os diferentes princípios destes dois sistemas, a equipa irá continuar a sofrer sem um identidade própria de jogo, como se viu nas duas primeiras duas jornadas da Premiere League.

Uma das possiveís variantes do novo 4x4x2 do Chelsea de Mourinho. Outra possibilidade será abrir com médios alas puros (Kalou, Robben, Wright-Philipps) e optar por dois volantes centrais, Makelele pivot defensivo- Lampard box to box de transição. Nessa variante Essien e Ballack ficam. porém, sem espaço para jogar. A solução poderia passar por fazer descair Essien sobre a direita, e abrir mais profundidade á esquerda a Robben ou Kalou. Ballack parece indicado só para jogar na segunda linha e, nesses termos, só encaixaria num 4x1x3x2, como o contemplado na imagem. Para complicar mais esta equação táctica cite-se outro nome: Joe Cole. Um melhor flanqueador do onze. O lugar ideal seria sobre a esquerda, saindo, na segunda variante esboçada, Robben. Diferentes dinâmicas e sub-dinâmicas para um mesmo sistema (4x4x2) cujos principios Mourinho terá de afinar (treinar) nos próximos tempos.