Tacticamente, observando os seis jogos já realizados neste inicio de época (5 na Premiere League e 1 na Liga dos Campeões), Ranieri tem, á medida que as estrelas vão descendo na relva de Stanford Bridge, evoluído entre o 4x4x2 clássico, o seu sistema preferido -ora na variante 4x1x3x2 com rombo e alas, ora com o quarteto do meio campo em linha- tendo ainda testado o 4x1x4x1 com trinco e duas linhas a meio campo (contra o Liverpool, fora, v.2-1) e o 4x5x1 de inspiração italiana (na segunda parte contra o Sparta Praga, v.1-0).
Em cada jogo, porém, mesmo utilizando igual sistema, a dinâmica táctica têm conhecido diferentes rostos, em função do adversário e, sobretudo, da movimentação dos jogadores, visto que embora Rainieri tenha uma filosofia de jogo muito própria, é dificil sistematizar tacticamente no mesmo onze, sobretudo na dinâmica da ligação meio campo-ataque, tantas estrelas que nunca jogaram juntas.
A elevada cultura táctica de todas elas, sobretudo na zona central (Makelele-Lampard-Veron), tem contruibuido para, mesmo nos primeiros jogos, sem automatismos criados entre sectores, o onze revele já um entrosamento e um sentido colectivo de jogo, com sincronizados movimentos de um-dois, sobretudo pelas faixas, muito positivo.
Assim, no primeiro jogo, em Liverpool, utilizou um compacto 4x1x4x1 com dois quartetos em bloco bem definidos -a defesa e o meio campo- ligados entre si por um trinco armador, (Verón), plantado á frente dos centrais, enquanto que no ataque morava um solitário ponta de lança (Gudjohnsen). O onze revelou segurança defensiva, grande personalidade na troca da bola a meio campo, mas careceu de profundidade ofensiva.
As várias faces do 4x4x2 com rombo e alas

Escudada sempre numa defesa a «4», orientada por uma poderosa dupla de centrais chefiada por Desailly (com Terry ou Gallas ao lado) o design táctico preferencial, utilizado nos jogos seguintes da Premiere League, teve como base o 4x4x2, na variante 4x1x3x2 que, na dinâmica da táctica, dá origem a uma espécie de 4x1x2x1x2, com médios alas abertos nos flancos, as asas propulsoras de um losango que se faz e desfaz conforme se detenha ou não posse de bola. Isto é, mesmo partindo, em teoria, com uma dupla de médios defensivos centrais, há, depois, no relvado, um elemento que se solta nas acções ofensvas, fazendo o chamado rombo (Lampard ou Verón) nas costas da dupla atacante (Jimmy-Mutu). É, assim, na organização do meio campo, que o puzzle táctico deste Chelsa revela maior complexidade e elasticidade posicional.
Em qualquer sistema, porém, destaca-se o volume de jogo pelos flancos, cuja dinâmica, na direita, é feita, ora pelas subidas do lateral Johnson, muitas vezes a procurar triangulações com Geremi ou Gronjkaer, conforme o médio ala utilizado, sendo o seu papel mais ofensivo quando na sua frente joga o camaronês, um jogador mais consistente na cobertura defensiva do que Gronjkaer, um flanqueador quase extremo que, pela sua profundidade ofensiva, faz, quando joga, a equipa adquirir, na maioria do temp de jogo, um desing de 4x3x3.
É na faixa esquerda, porém, que mora a asa mais virtuosa do onze, com dois criativos esquerdinos donos de velocidade, drible e remate: Duff, um médio-ala que entra de trás a rasgar, e Mutu, uma mescla de extremo canhoto e falso segundo avançado, tal a forma como ora rompe pelo flanco esquerdo, ora como, noutro seu movimento típico, flecte no terreno e surge na área, entrando nas costas do ponta de lança, em busca do golo.
4x5x1: Chelsea de «rosto europeu»

Face ao observado, os dois sistemas utilizados utilizados contra o Sparta de Praga, no primeiro jogo da Liga dos campeões, terão sido os que, até agora, mais se aproximaram das duas principais opções tácticas a utilizar por Ranieri durante a época.
De inicio, um 4x4x2 com o meio campo em rombo, sendo Makelele o vértice recuado, com tarefas defensivas, e Verón o avançado, atrás da dupla atacante formada por Crespo, em cunha, e Mutu, mais descaído sobre a esquerda, compensando a ausência de um ala esquerdo típico, pois Duff foi para o banco dando lugar a Petit, escalado com a missão de médio vagabundo para recuperar bolas. No segundo tempo, porém, tudo mudou e surgiu o que poderá ser o, digamos, Chelsea de rosto europeu, inspirado nos cadernos da escola italana pelo qual Ranieri estudou no inicio da carreira, passando a jogar num elástco 4x5x1, só com um ponta de lança (Crespo), o que tornou o campo mais longo e onde Mutu saiu para dar lugar a um verdadeiro médio ala esquerdo, Duff, num clássico sistema de cinco médios, entre eles Lampard que substituiu Petit, até então perdido num lugar que não era seu, na faixa esquerda.
Makele-Lampard: o cérebro e o motor
Ao mesmo tempo, a presença da dupla recuada Makelele-Lampard, primeiro segurando o jogo e, depois, dinamizando a saída de bola para o contra ataque, permitiu a Verón jogar mais adiantado, fazendo uso da sua visão de jogo e capacidade de meter a bola nos espaços vazios, nas costas dos defesas, onde surgia, deambulando de flanco para flanco, o nº9 Crespo. Ou seja, com um meio campo de cinco elementos, a bola passou a girar melhor e o jogo tornou-se mais apoiado, ficando o seu ritmo sempre controlado.
Ainda será cedo para o afirmar claramente, mas, face ao verificado, parece estar a nascer um Chelsea versão interna e um versão europeia. Não só por necessidades de turn-over, mas sobretudo pela postura competitiva, atitude táctica (do 4x4x2 ao 4x5x1) e estilo de jogo exibido nas diferentes situações. Mais rápido, menos apoiado a meio campo e com maior verticalização de jogo e passes na Premiere League. Com maior circulação de bola, toques curtos, ritmo mais lento e contra ataque, na Liga dos Campeões.

Lampard, o grande motor do meio campo do Chelsea de Ranieri
OS ESQUEMAS TÁCTICOS