Construída por um dos mais multiculturais treinadores do moderno futebol alemão, o actual Stuttgart continua a alicerçar as suas bases tácticas na herança de Magath, um discípulo de Happel, que olhou de lado o tradicional 3x5x2 germânico feito de marcações ao homem, e incutiu, nas suas equipas, o primado do 4x4x2 com marcação zonal. Do seu atraente onze, apenas saiu o central brasileiro Bordon. No banco, estão agora dois homens cuja simples presença continua a inspirar, por si só, os jogadores a praticar bom futebol: Balakov, que após pendurar as chuteiras passou a integrar a equipa técnica, e Sammer, o treinador principal que desenha as diferentes dinâmicas do 4x4x2 de pendor ofensivo do novo Stuttgart, tacticamente dividido, sobretudo, entre o 4x1x3x2 e o 4x1x4x1.
Á primeira vista, o esquema preferencial, assemelha-se á clássica variante do 4x4x2 com losango a meio-campo, mas, vendo bem as movimentações dos jogadores, o design entre os dois sectores meio campo-ataque desenvolve-se antes num jogo de dois triângulos, com a particularidade de ambos terem o vértice na posição mais recuada no terreno. Assim, á frente da defesa a «4», surge o primeiro triângulo, com apenas um trinco, Soldo, no vértice, enquanto nas duas outras extremidades, estão dois alas, Meissner, á direita, Heldt, á esquerda, que ora abrem o jogo, ora flectem para pegar na bola a meio campo e, mais sobre o centro, organizar a saída para o contra ataque. São eles, também que, alternadamente, fazem o enganche com o outro triângulo, onde, colocado na mesma posição anterior, Hleb surge no vértice superior como playmaker, sobre o centro (quando na época passada jogava mais sobre a esquerda), nas costas da dupla de pontas de lança, (formada por Cacau-Szabics ou Kuranyi,) as duas extremidades da base deste segundo triângulo, ambos exímios nas diagonais sem bola à procura de oportunidades de golo. Nos flancos, especial destaque para os laterais, Hinkel, á direita, e, sobretudo, Lahm, um destro á esquerda, muito ofensivo, ao ponto de muitas vezes, quando Heldt recua para cobrir as suas subidas, nem se saber quem é o ala ou lateral de raiz.
Estas constantes triangulações ofensivas entre os laterais e os médios ala-extremos são a principal fonte de dinâmica ofensiva do onze, no qual, sobre a direita, também pode surgir o virtuoso Tiffert, médio interior direito que, ora cobre os espaços no meio, ora descaí sobre o flanco, abrindo o jogo a toda a largura do terreno, uma missão que, na esquerda, também pode ser desempenhada por Hleb, no caso de actuar mais preso a uma faixa, como fazia com Magath, dando sempre, em velocidade, muita profundidade ofensiva a todas as suas movimentações.
Os espaços defensivos e a dupla atacante

Embora possua uma sólida dupla de centrais (composta, preferencialmente, pelo gigante Stranzl e pelo experiente Babbel), o onze não forma, em termos de conjunto, um bloco defensivamente muito forte, dando, inclusivamente, muitos espaços ao adversário para manobrar nos primeiros 20/25 metros do seu meio campo, obrigando-o, muitas vezes, a defender demasiado perto da sua área, tendência contrariada, no decorrer do jogo, pelo adiantamento do quarteto defensivo. Ou seja, apesar de composto, talvez, pelo grupo de jogadores com maior nível técnico da Bundesliga, daqueles que gosta de ter a bola no pé, o meio campo deste Stuttgart não é tão activo na recuperação de bola, pouco vocacionado para o tal pressing alto que caracteriza as mais fortes equipas da actualidade. Neste contexto, resta a defesa alta, algo para o qual muito contribuiu o adiantamento dos laterais e o perfeito sentido posicional dos centrais. Apesar desta postura, como, preferencialmente, joga só com um trinco, sofre muito sobretudo quando o adversário pressiona pelo centro, ficando os defesas centrais muitas vezes obrigados a jogar de um para um. Para reforçar as marcações á frente da área, Sammer poderá colocar outro volante, Vranjes, junto de Soldo, retirando um médio mais ofensivo e alinhando, assim, com uma dupla de médios de cobertura defensiva, num esquema de 4x2x3x1.
Na frente de ataque, destaca-se a permanente mobilidade da dupla de pontas de lança. Enquanto um dos avançados se coloca mais entre os centrais (Cacau), o outro recua no terreno, desenhando uma espécie de 4x1x4x1, variante desenvolvida depois para 4x4x2 com as entradas desde trás, buscando espaços de penetração, do chamado segundo avançado (Szabics). No caso da dupla ser Cacau-Kuranyi, alinha com um clássica dupla de pontas de lança, muito ágil e com facilidade de remate, colocada paralelamente entre os centrais.
Tacticamente pouco coeso, carente de consistência defesa-ataque, sobretudo quando perde a posse da bola, este Stuttgart é, assim, uma equipa com dupla personalidade. Apesar das enormes carências de postura defensiva, vale sobretudo pela forma solta como aborda o jogo, com atitude ofensiva, sem complexos, cativando os adeptos do bom futebol.
Os triângulos de Stuttgart /
Sistema: 4x4x2

Baseado no clássico 4x4x2, a dinâmica ofensiva do onze desenvolve-se num jogo de triângulos a toda a largura do terreno, destacando-se, depois, as sociedades formadas nas faixas pelos laterais e os médios ala, enquanto, no centro, para além das movimentações da dupla de pontas de lança, emergem as diagonais do playmaker Hleb, quase sempre partindo da esquerda, para depois entrar nas costas dos avançados