Como “morder” a Espanha?

10 de Julho de 2010 20:08
O segredo para combater a posse de bola espanhola passa pela eficácia da "pressão alta"

É impossível dizer em que tipo de lance um jogo vai ser decidido, mas, olhando as duas equipas (princípios de jogo, posicionamentos e características individuais), é possível prever os locais e tendências que o podem marcar. É nesses termos que se pode dizer, um treinador «estudar» o adversário. Espanha e Holanda são, sem dúvida, duas equipas com identidade própria (o sistema à frente do contra-sistema) mas, nesse exercício, acredito que será Vam Marwijk a meter mais nuances estratégicas específicas. Não se trata de mudar a filosofia, trata-se de mudar um desenho do meio-campo e com isso contrariar a forte e alta circulação de bola espanhola já a meio do meio-campo adversário.
A Espanha conseguiu-o contra Portugal (que tirou o pivot para meter um trinco encostado aos centrais e prendeu a subida dos outros dois médios), Paraguai (por opção uma equipa com duas linhas de quatro em bloco-baixo) e Alemanha (que teve Schweinsteiger-Khedira, o duplo-pivot que antes subia, todo o jogo demasiado recuado, sem sair, encostado à defesa).
 
Ou seja, nenhuma equipa, até agora, conseguiu pressionar alto contra a Espanha. Isto é, começar a morder a posse de bola de Xavi, Iniesta e Xabi Alonso em zonas mais subidas, impedindo-os de crescer em posse para perto da área e, assim, até recuperar a bola em zonas mais adiantadas que propiciem contra-ataques perigosos.
A Holanda pode fazer isso, mas para tal tem de mudar o desenho preferencial do seu trio do meio-campo na zona central. Passar do habitual «2x1» (duplo-pivot De Jong-Van Bommel com Sneijder a 10) para o «1x2», só com um pivot (De Jong) e soltar Van Bommel para mais perto de Sjneider, não tanto para apoiar este, mas para pressionar alto os médios espanhóis. Foi essa a alteração, aliás, que a fez ganhar ao Brasil. Contra o Uruguai, sem De Jong, recuou Van Bommel e adiantou Van Der Vaart para, neste caso, jogar ao lado de Sneijder.
 
Contra a Espanha, será a primeira opção, claro, a mais indicada. Se mantiver o duplo-pivot recuado, encostado à defesa, em bloco baixo sem pressionar alto, a bola voltará a ser «só» da Espanha e o jogo voltará a ficar no habitat preferencial espanhol. 
 
 
O ala que
transforma 
 
Na Espanha, um novo nome emergiu na meia-final com mais força em relação aos jogos anteriores: Pedro. Mais do que o valor do jogador em si (que é indiscutível) a importância das suas características (rápido e vertical, forte no um-para-um, embora sem ser um fantasista) e posicionamento em campo (extremo quase puro) para mudar o jogo, posicionamento e dinâmica, do ataque espanhol (dando-lhe mais largura ofensiva de origem e, depois, profundidade pela faixa).
Sem um jogador deste tipo (que também poderia ser Silva ou Navas) a Espanha necessitava, para ganhar profundidade atacante pelos flancos, das subidas dos laterais (sobretudo Sergio Ramos com Capdevilla mais comedido) ou das derivações de dentro para fora de Iniesta. Não é a mesma coisa.
Pedro deu à equipa uma largura natural que melhorou inclusive a amplitude periférica da circulação de bola e, a certo ponto, travar a sua lateralização (excessiva) para lhe meter um movimento vertical de desequilíbrio. Acredito que irá jogar a Final. E, dessa forma, o jogo (da Espanha e do confronto em si) será muito melhor.
É, em suma, a importância prioritária do jogo posicional (estrutura táctica) que depois permite o nascer da dinâmica com maior critério. 

 

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