Não está no mapa das grandes do futebol europeu, mas cada vez mais, a Liga suíça, pela qualidade das equipas e sua cultura táctica, merece análise mais atenta. E, claro, esconde muitos bons jogadores. Após três jornadas, fica um intenso aroma a bom futebol vindo dos relvados helvéticos.
O Basileia é a equipa mais adulta, com Yapi Yapo a mandar no meio-campo como pivot de 4x1x3x2 que mete na frente a sábia dupla Frei-Streller, deixando a rebeldia para Shaqiri. Nessa altura parece um 4x3x3, com Frei, experiente, a abrir na esquerda. Canhoto, Shaqiri faz sucessivas diagonais desde a direita. É um jogador de outro campeonato. Veloz, criativo e com remate. Tudo isto com apenas 19 anos. Está feito para brilhar na elite. Possantes, Zoua e Huggel são as outras âncoras do meio-campo. Zoua é muito forte a fazer o enganche com o ataque, deixando os laterais Steinhofer-Voser subir em desequilíbrios.
Muito interessante o nível de jogo do Servette de João Alves. Vi os dois últimos jogos, ambos fora (Zurique, vitória 2-3, e Young Boys, empate 1-1) e a primeira sensação é clara: uma equipa personalizada que não receia ter a bola ou esconder-se atrás da sua linha se for necessário. A base é um 4x3x3 com só um pivot e dois interiores de transição. Curioso ver como Nater, culto no passe mas lento, jogou o primeiro jogo a 10 e o segundo a 6 pivot (no lugar do experiente Pizzinat, mais preso) passando o brasileiro De Azevedo da ala para o meio, onde pode soltar melhor a sua vocação de entrar desde trás e rematar. Excelente Vitkieviez, na esquerda, e Kouassi a equilibrar atrás e à frente no meio-campo. Como ponta-de-lança, Eudis move-se bem e Karanovic é muito oportuno.
O Zurique, com processos rápidos de ataque, não sendo uma equipa de contra-ataque, mas de ataque organizado rápido, estende-se muito bem em campo. Está no play-off da Champions. Excelente o lateral-esquerdo Rodriguez, combinando muito bem com o sueco Djuric pelo seu flanco esquerdo. Na outra faixa, a direita, está Nikci. Parece um 4x2x3x1 (com o duplo-pivot posicional Aegerter-Margairaz), mas as rupturas desde trás de Alphonse, transformam muitas vezes o sistema em 4x4x2, com Mehmedi assumindo-se como um oportuno nº9 a rematar de primeira.
É um estilo de jogo parecido ao do Young Boys, no qual Khalifa é o médio-segundo avançado nas costas de Mayuka ou Bienvinu (a Zâmbia e a Costa do Marfim à solta nos relvados helvéticos). Com um processo ofensivo sempre em velocidade, o Sion tem avançados que dão muita profundidade à equipa. Fixem o nome de Sio e do sérvio Prijovic, num 4x4x2 losango que tem Obradovic como arquitecto ofensivo d a ligação entre meio-campo e ataque.
Como imagem de marca colectiva fica a intenção de todas estas equipas jogar pelos flancos e meter criatividade no meio-campo ofensivo. Intenções que aliadas à boa qualidade técnico-táctica, fazem hoje da Liga suíça um local muito agradável para ver futebol!