COPA ITALIA: A VELHA ELITE DO CALCIO

19 de Abril de 2002
Macrocéfala e elitista, alérgica a tomba-gigantes, a Taça de Itália nunca teve, verdadeiramente, o mesmo encanto de outras Taças europeias. Disputada numa primeira fase por poules, e depois por jogos a duas mãos, carece da magia de outras velhas e românticas provas similares. Apesar disso, os tiffosi foram, com o tempo, dedicando-lhe cada vez mais carinho pelo que para Rui Costa, Nuno Gomes e Sérgio Conceição esta é uma grande oportunidade, para, mesmo por uma porta paralela, entrar na história dos grandes conquistadores do Calcio.
Ao longo dos anos, o encanto das chamadas competições de Taça, com jogos a eliminar, conquistou as emoções do futebol europeu. Uma competição romântica, que colocava frente a frente, no mesmo plano, ricos e pobres, grandes e pequenos, num espirito onde tudo parecia possível. Inspirado no exemplo inglês, a presença do mais alto mandatário da nação, tornou-se num ritual que lhe deu grande prestigio. No final do século, porém, o cenário economicista que passou a reger todo o futebol europeu, sobrecarregado de jogos, tem provocado a progressiva perda de interesse das provas de Taça, no calendário das principais nações futebolísticas. Seguindo essa tendência, a UEFA decidiu acabar com a sua Taça dos Vencedores de Taças. Na época passada, em Inglaterra, o Manchester United decidiu não participar na mítica Taça de Inglaterra e em Espanha, o Barcelona, invocando não ter jogadores suficientes, não compareceu na meia final contra a At.Madrid. Algo impensável anos atrás, mas que resulta perfeitamente natural em face da moldura mercantilista que envolve hoje, toda a Europa do Futebol. Em Itália, porém, ao contrário do que sucede na maioria dos países do futebol europeu, o Calcio nunca se cativou muito pela sua Coppa, que só adquiriu carácter regular no calendário transalpino a partir de finais dos anos 50. Ao longo dos anos conheceu vários moldes, ora por pontos, ora com jogos a duas mãos, ora um misto dos dois sistemas. A primeira edição da Copa Itália realizou-se em 1922. Foi uma prova descaracterizada. Participaram 37 clubes, sem distinção de divisão, mas nenhum deles de topo. A vitória pertenceu ao Vado, que bateu na final a Udinesse, por 1-0. Depois, entre 1923 e 1935, num período em que poder da FIGC, a Federação italiana de futebol, foi muito contestado, a prova não voltaria a disputar-se. Só em meados dos anos 30, a Coppa regressaria aos relvados do Calcio, no mesmo tempo em que era oficialmente instituído o profissionalismo no futebol italiano. Seria, porém, entre 1936 e 1941, que a Coppa azzurra conheceria a sua época áurea quando reuniu em prova 155 equipas (39/40), desde os escalões regionais até á elite da Série A. Foi nessa memorável época que mora o primeiro dos 5 triunfos da Fiorentina na Coppa Itália. Eram os velhos tempos de Celori, autor do golo que bateu o Génova nessa lendária final. Após este período, a prova voltou a entrar em crise, com os clubes a discutir a melhor forma de a disputar, até que em 1941, no auge da segunda guerra mundial, voltaria a ser suspensa. Regressaria já no fim dos anos 50, em 57/58, para desde essa data, fazer sempre parte do calendário futebolístico azzurro, embora longe de despertar as paixões de outras nações europeias.

NA COPPA, COMO NO SCUDETTO: A MARCA DA VECHIA SIGNORA

Para muitos clubes da Série A e B, a prova é hoje vista, no seu inicio, fase em que se joga por grupos nos meses de Agosto e Setembro, como uma forma de tornar a pré-época mais intensa. Só a partir dos 1/8 final, com a entrada das grandes squadras do Calcio, os tiffosi a passam a considerar verdadeiramente, mas, no inicio, nenhum gigante a coloca como um grande objectivo da temporada. De cariz macrocéfalo, a Coppa Itália raramente causou grandes sensações, os chamados tomba-gigantes. Olhando a sua lista de vencedores, pode-se vislumbrar, sem dificuldade, a elite centenária do futebol italiano. Nos anos 80, emergiram três mágicas squadras com especial vocação para a Coppa: a Roma de Conti e Di Bartolomei, o Napoli de Maradona e a Sampdoria da dupla Vialli-Mancini. Nos anos 90, a equipa símbolo da Coppa foi o Parma de Scalla No topo dos grandes vencedores, porém, mora a vechia Juventus, que em 90 chegou á Coppa guiada pelos zigzags velozes de Rui Barros num onze treinado por Zoff, onde também estavam figuras como Casiraghi e Schilacci. Depois desse triunfo (frente ao Milan de Sachi, 0-0 e 0-1), a Juve só voltaria a vencer a Coppa em 95, agora com o toque luso dado pelo trinco regista Paulo Sousa. SISTEMA DA COMPETIÇÃO 2000/2001 Disputada em jogos a duas mãos, as eliminatórias da Coppa carecem da magia que só o jogo único, decisivo, pode proporcionar. A competição inicia-se por um fase preliminar disputada em sistema de poule, por pontos, com um só jogo, dividindo-se em 8 grupos com quatro equipas cada um, 32 no total: 10 da Série C, 20 da Série B, todas, e 2, Atalanta e Brescia, promovidas na época anterior, da Série A. Apuram-se para a 1ª Fase os primeiras classificadas de cada grupo, no qual participam mais 8 equipas da Série A: Bari, Bologna, Lecce, Perugia, Rggina, Verona, Vicenza e Napoli, com jogos a eliminar, após sorteio, já no clássico sistema de Taça, em duas mãos, com o golo fora a valer o dobro, estilo UEFA. As vencedoras passam á 2ª Fase, 1/8 final, na qual entram, em jogos a eliminar, as equipas classificados nos primeiros oito lugares da Série A 99/2000: Lazio, Juventus, Milan, Inter, Parma, Roma, Fiorentina e Udinesse. Seguem-se os ¼ final e ½ final, até apurar os dois finalistas, para disputar a final, também em duas mãos. QUADRO DE VENCEDORES 9- JUVENTUS (38, 42, 59, 60, 65, 79, 83, 90 e 95) 7- ROMA (64, 80, 81, 86 e 91) 5- FIORENTINA (40, 61, 66, 75 e 96) e TORINO (36, 43, 68, 71 e 93) 4- MILAN(67, 72, 73 e 77) e SAMPDORIA(85, 88, 89 e 94) 3- INTER (39, 78 e 82), LAZIO (58, 98 e 2000) e NAPOLI(62, 76 e 87) 2- BOLOGNA (70 e 74 ) e PARMA(92 e 99) 1- ATALANTA(63), GENOVA(37) , VENEZA(41), VICENZA(97) e VADO (22)

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