Nunca esteve presente na fase final do Mundial, e só por uma vez (1992) venceu a Taça de África, mas, nos últimos tempos, transformou-se como um dos mais fascinantes viveiros de talentos do futebol africano: a Costa do Marfim. É impressionante a qualidade e quantidade de muitos dos seus jogadores a alinharem actualmente na Europa, entre os quais emerge, como símbolo supremo, o fabuloso Drogba, ponta de lança do Chelsea após vários anos meio perdido em clubes franceses de segundo plano. No presente, lidera o seu grupo de apuramento para o Mundial-2006, com uma selecção, orientada pelo trota-mundos francês Henry Michel, toda composta por estrelas a jogar na Europa, como os defesas Toré (Arsenal) Meite (Marselha), Domoraud (Konyaspor), Zoro (Messina) e Kouassi (Guingamp); os médios Zokora (St.Etienne), Kalou (Auxerre), Yaya Touré (Dontesk), Ettien (Levante), Yapi Yapo (Nantes) e os avançados Drogba (Chelsea), Bagayoko (Nantes), Kalou (Feyenoord) e Dindane (Anderlecht), entre muitos outros. É a geração de ouro da Costa do Marfim. Quando regressam para jogar na selecção não revelam, porém, a mesma classe que evidenciam na Europa. Treino pouco tempo juntos, e estão longe, no campo e fora dele, de formar uma verdadeira equipa.. Nos Camarões, por exemplo, passaram quase noventa minutos a defender, a jogar claramente para o empate, acabando por perder, perto do fim, por 1-0, com total justiça. É certo que o pobre estado dos relvados africanos penalizam as melhores equipas tecnicamente, mas esta quebra exibicional é mais do que um caso de inadaptação ou, até, uma questão de excesso de confiança. Falta personalidade de equipa, individual e colectivamente, de cuja realidade é um claro exemplo o médio centro Bonaventure Kalou. No Auxerre manda no jogo, na selecção parece ter receio em assumir-se como um líder, como já lamentou Henry Michel. Se chegarem á fase final, noutra atmosfera competitiva, têm, no entanto, valor para lograr a melhor classificação de sempre de uma selecção africana num Mundial.