Dramático final da Liga uruguaia. Ultima jornada: frente a frente, com o Estádio Centenário enlouquecido, Peñarol e Danúbio, separados por dois pontos. Apesar da vantagem, o gigante Penãrol cairia frente à maior fábrica de talentos de futbol charrua, o Danúbio, onde, no passado se formaram Recoba, Ruben Soza e Zalayeta. Mitos à altura dos novos heróis do presente, orientados pelo sábio Gustavo Matosas, que venceram o jogo decisivo por 4-1, realizando uma exibição espectacular conquistando o quinto da história deste pequeno clube de Montevideo. Com três defesas imponentes no jogo aéreo e marcando em cima, o trio Malrrechaufe-Jadson-Rodriguez, e Lima e Garcia soltos nos corredores, a equipa joga em toda a largura do terreno, soltando o contra-ataque.
Os grandes motores da equipa moram, porém, no meio campo, com a dupla de volantes Gonzalez-Gargano. Enquanto Gargano é um recuperador, rouba bolas e inicia com velocidade a transição defesa-ataque, Gonzalez é o construtor de jogo. Entre-linhas, jogando entre o centro e a direita, Grossmuller, procura entrar nos espaços vazios, apoiando a dupla de ataque, onde está esguio colombiano Ricard, inteligente a sair da área, recuando para depois servir, muito bem, os médios que entram de trás, como Gonzalez. A seu lado, pode jogar Cavani, jogador de passada larga, ou Salgueiro, um avançado muito móvel, fantástico, com arrancadas demolidoras, cai para a direita e depois rasgas as defesas, mas que não triunfou a época passada em Espanha, no Múrcia, onde passou quase incógnito.
O seu caso faz pensar novamente no tal túnel que atravessam os craques que saem da América do Sul para Europa. Muitos parecem não consegui-lo atravessar sem perder a essência do seu futebol. Mais do que uma questão de ritmo, é uma questão de espaços. Mais reduzidos na Europa, onde tem de se executar mais rápido.
Em termos de velocidade do jogo em si, o futebol uruguaio é hoje dos mais rápidos da América do Sul, embora tecnicamente tenha perdido alguma da qualidade do passado. O Danúbio é uma boa equipa, mas parece ainda longe de poder combater com as equipas brasileiras ou argentinas na Copa Libertadores.
A ESTRELA: Ignacio Gonzalez

Época - Clube - Jogos - (suplente utilizado) - Golos
2002 Danubio 24 /3
2003 Danubio 20 (8) 4
2004 Danubio 14 (0) 4
2005 Danubio 14 (2) 0
2005/06 Danubio 26 (2) 13
2006/07 Danubio 13 (1) 10
É o grande organizador de jogo do novo campeão uruguaio, o Danúbio CF. Com grande talento e imaginação, é ao mesmo tempo um criativo que desequilibra com a bola nos pés.
É um médio ofensivo que, parte de posições recuadas, e quase se transforma num segundo avançado. Faz passes de morte, entra na área e faz golos. 10 em 14 jogos no Torneio Abertura 2006.
Fisicamente forte e ágil (1,80m. e 73kg.), com a camisola nº10, Ignacio Gonzalez, 24 anos, dá uma lição de futebol sempre que encontra um espaço vazio.