DE PUSKAS A HUGO SANCHEZ: OS GOLEADORES DO SÉCULO

December 27, 1998 12:00 AM
Em 1971 o Panathinaikos chegava á final da Taça dos Campeões europeus, para defrontar o Ajax. Em Londres, no Wembley, onde se realizou o jogo poucos estavam interessados em falar com os jogadores gregos. O homem sob os “flashes” era o treinador Puskas. Ainda hoje muitos dos que assistiram ao jogo que mostrou ao mundo um jovem chamado Cruyff, recordam-se mais da fase de aquecimento do que dos 90 minutos. Naquele período preliminar, no aquecimento do guarda-redes grego Ikonomopoulos, Puskas, então com 44 anos, deu um autêntico festival com remates de fora da área, levando a bola a entrar, várias vezes, nos ângulos da baliza do número 1 do Panathinaikos. Há quem acredite que foi aí que os gregos perderam o jogo, como disse anos mais tarde o guardião helénico: “Se levo golos do velho o que será que me espera diante de Cruyff, Kaiser, Muhren e companhia?”. O Ajax venceu 2-0, mas essa final foi o maior feito conseguido por Puskas enquanto treinador, tempo no qual esteve também no Egipto, Paraguai, Canadá, Roménia e Austrália. No entanto nenhum daqueles golos marcados em Wembley, naquela tarde de 2 Junho de 71, foram para a conta do “Major Galopante”- alcunha que lhe ficou do tempo em que jogava no Honved e este clube foi colocado sob dependência do exército húngaro onde Puskas tinha a patente de Major- eleito o melhor goleador mundial do século.
Ferenc Puskas nasceu em 1927, em Kispest, um bairro de Budapeste. Em 1957, já com 30 anos ingressou no Real Madrid pela mão de Don Santiago Bernabeú, numa altura em que estava em Bilbau com o Honved. Na mesma altura irromperam em Budapeste os tanques soviéticos. Nesse momento, Puskas e outros jogadores húngaros resolveram não voltar. Em Espanha também haveriam de jogar outros magiares famosos como Kubala, no Barça, Kocsis e Czibor, mas nenhum teria a fama de que ainda hoje goza Ferenc Puskas, que com o Real Madrid conquistou três Taças dos Campeões, até perder a quarta em 61/62 frente ao Benfica de Eusébio. Uma derrota que ainda hoje lhe está atravessada na garganta como há alguns anos confessou em conversa com jornalistas portugueses: “ Te recuerdas del hijo de puta del señor ese que ha pitado la final contra tus amigos de Benfica?”.
Observando a lista dos 20 melhores marcadores de sempre, salta á vista que entre os anos 80/90 apenas o mexicano Hugo Sanchez ocupa um lugar de destaque. Jorge Valdano, o romântico técnico argentino, definia. no seu livro “Sueños de Fútbol”, o golo como um produto de primeira necessidade para qualquer equipa com vocação atacante. “Mas como fazer para conquistá-lo? O golo deve ser conquistado como a uma mulher bonita, ou seja, utilizando todas as artes sedutoras possíveis. Há golos fáceis que fazem a sua conquista menos meritória; outros são precedidos de grandes dificuldades e elevam o seu autor á categoria de Don Juan. Alguns goleadores são autênticos Casanovas, mas para fazer golos não é necessário ser um galã.” Desta forma, Valdano elogia todos aqueles que, duma forma ou de outra, alcançam o privilégio do golo. Entre muitos desses magos do remate estaria certamente o mexicano acrobata que, tal como Puskas, no Real Madrid, encantou Chamartin. Em Junho do ano transacto, com 39 anos, Hugo Sanchez disse adeus ao futebol. Nessa noite, foi aplaudido, entre muitos outros, por Ferenk Puskas, de 70 anos.
O carisma goleador de Hugo fez--se á base de velocidade, preciosismo técnicos, oportunismo e muita picardia latino-americana. As suas teses competitivas, expressas em longos anos de actividade goleadora, são o exemplo que é verdade a frase de que o futebol é inteligência em movimento: “ Um jogador á medida que vai adquirindo certa perfeição nos seus movimentos e um entendimento entre o que se propõe realizar e as capacidades do seu organismo, vê-se beneficiado para fazer certas coisas com naturalidade e capacitado para as fazer com um maior grau de dificuldade. É um pouco como a ginástica, onde há certos exercícios que, dada a sua dificuldade, conquistam uma maior valorarão.” Argumentos que o colocavam, no momento do abandono, como o único jogador em actividade entre os melhores marcadores de sempre no futebol mundial, segundo estatísticas oficiais, e que elegia como supremo “carrasco dos guarda-redes” o Major Ferenc Puskas, á frente de outras figuras míticas de remotas eras, como o relâmpago alemão Gehard Muller, morfologicamente arredondado que levou a RFA ao ceptro mundial em 74. É demasiado subjectivo e ingrato, embora irresistível, qualquer exercício de comparação entre jogadores de tempos diferentes, mas tanto Puskas como Hugo Sanchez, ora de cabelo curto, ora de cabelo encaracolado, facilmente seriam considerados como genuínos Don Juan do golo.

OS MELHORES MARCADORES DO SÉCULO DO FUTEBOL

NOME, PAÍS, PERÍODO, JOGOS e GOLOS 1. FERENC PUSKAS (Hungria) 43/66 , 533 , 511 2. INRE SCHOLOSSER ( Hungria) 05/28 , 318 , 417 3. GYULA ZSENGELLER (Hungria) 35/52 , 394 , 416 4. JAMES MCGRORY (Escócia) 22/38 , 408 , 410 5. GERHARD MULLER (Alemanha) 65/81 , 507 , 405 6. FERENC SZUSZA (Hungria) 40/61 , 462 , 393 7. HUGO SANCHEZ (México) 76/97 , 650 , 392 8. CARLOS BIANCHI (Argentina) 67/84 , 546 , 385 9. DI STEFANO (Argentina) 45/66 , 521 , 377 10. GUNNAR NORDAHL (Suécia) 40/58 , 463 , 376 11. JAMES GRAVES (Inglaterra) 57/71 , 527 , 366 12. DELIO ONNIS (Argentina) 68/86 , 560 , 363 13. HUGH FERGUSON (Escócia) 16/30 , 474 , 361 14. JOZSEF TAKATS (Hungria) 20/40 , 355 , 360 15. JOHANN KRANKL (Austria) 70/88 , 473 , 354 16. GYORGY SAROSI (Hungria) 30/48 , 383 , 351 17. OSVALDO CASTRO (Chile) 66/84 , 592 , 351 18. ALBERT DE CLEYN (Bélgica) 32/54 , 395 , 350 19. EUSÉBIO (Portugal) 60/77 , 373 , 342 20. JOSEF MERMAANS (Bélgica) 41/57 , 382 , 339

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