Diário do Euro 21

26 de Junho de 2008
Com os blocos mais baixos, as melhores equipas esqueceram a pressão alta.

Um ou dois pivots-defensivos?

 

As tendências tácticas 
 
Há vários anos que os Mundiais e Europeus deixaram de ser marcos na evolução táctica. É utópico pensar em encontrar nestes torneios qualquer novidade. No fundo, as selecções seguem as tendências que os clubes melhor apresentam na época. Deste Euro-2008 não fica nenhum marco táctico, mas há dados importantes a reter no plano estratégico do controlo do jogo. Cada vez mais a importância do meio campo, espaço por excelência da transição orientada, é mais evidente.
 
Nota-se isso desde logo na estrutura, onde o primado do 4x4x2 ou do 4x2x3x1 sobre o 4x3x3 revela, no papel e na dinâmica, que sem superioridade numérica na ocupação dos espaços intermediários é impossível uma equipa conseguir controlar um jogo. Portugal e Holanda, embaixadores do 4x3x3, sentiram isso na pele quando as exigências tácticas e a intensidade competitiva dos jogos cresceram. Para jogar a partir dessa estrutura só com uma pressão alta muito forte e eficaz para compensar a inferioridade zonal na ocupação dos espaços frente a equipas que jogam de inicio com quatro ou cinco médios verdadeiros. E este aspecto de serem médios de verdade é muito importante, pois outra coisa é tentar fazer o «4» do meio-campo com o recuo de um extremo ou a subida de um lateral. Não é a mesma coisa. E o controlo do jogo não pode ser tão eficaz.
 
Todas as equipas que chegaram às meias finais (Alemanha, Turquia, Rússia e Espanha) jogam assim. Com o meio-campo a «4» ou a «5», com especialistas, médios intensos nas transições, mas nenhuma delas joga em pressão alta. Nem a Rússia. Ficam num bloco baixo ou médio-baixo, procuram transições organizadas e pedem aos laterais que subam sobretudo em apoio de circulação até ao meio-campo. Desta forma controlam melhor os quatro momentos do jogo, tendo como principal referência, nessa sequência, a organização e transição defensiva.
 
 
Um ou dois pivots-defensivos?
 
Os pivots-defensivos são, cada vez mais, os donos tácticos do jogo. Das quatro equipas das meias-finais só Rússia (Semak) e Espanha (Senna) jogaram apenas com um. A Turquia mesclou a estrutura, com Aurélio mais posicional e Altintop a marcar. A Alemanha que começara em 4x4x2, com Frings pivot, passou para 4x2x3x1 com duplo-pivot Rolfes-Hitzlsperger. Nessa alteração, soltou Ballack para a segunda linha e ocupou melhor o meio campo nas transições, sem der espaço entre-linhas.
 
Embora pivots únicos, Senna e Semak têm dinâmicas muito diferentes. Mais posicional, Senna, com amplitude de movimentos reduzida, aposta no passe curto e mais do que na primeira fase de construção, participa, perto dos centrais, numa espécie de pressing construtivo para roubar bolas. Semak sai mais de posição e entra na segunda fase de construção, fazendo também transições, sendo apoiado na defensiva pelas compensações de Semshov. Diferentes filosofias, diferentes dinâmicas, mas a mesma eficácia a controlar os espaços no meio-campo. É o fundamental no futebol actual.      
 

 

 

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