DINAMARCA: Miragens da «equipa-dinamite»

31 de Agosto de 2006
O ESTILO DE JOGO, A TÁCTICA E AS ESTRELAS DA SELECÇÃO DINAMARQUESA.
Embora distante da selecção-dinamite que assombrou a Europa nos anos 80/90, a Dinamarca continua fiel a um estilo que faz do uso dos extremos um princípio de jogo base. No banco, está o grande libero dessa era gloriosa, Morten Olsen, mas, no relvado, as estrelas são outras. Tomasson, Poulsen, Agger, Gravesen ou Gronjkaer. Uma mescla de técnica e capacidade atlética em busca do Euro-2008.
O futebol dinamarquês vive um período de indefinição, sem uma clara separação geracional. A selecção é o espelho disso. Jogadores mais experientes, como Helveg, Koldrup e Gronkjaerr cruzam-se com outros, jovens promessas, como Agger, Brendtner ou Larsen. O onze ainda não tem, por isso, uma identidade bem definida, embora Olsen tenha o 4x4x3 com extremos como o seu modelo de jogo preferencial. Partindo de uma clássica defesa a «4», o motor da equipa está na agressividade do trio do meio-campo constituído por Poulsen (pivot defensivo) apoiado pelos interiores Gravesen e Daniel Jensen, formando um triângulo muito forte sobretudo na marcação dos espaços e recuperação da bola. Nesta disposição táctica, procura um jogo essencialmente curto nas zonas centrais do terreno, saindo na transição defesa-ataque de forma apoiada, para depois, na fase de conclusão ofensiva, alargar o jogo nas faixas através dos dois extremos (papel onde se destacam Jorgensen, Rommedhal, Gronkjaer e Lovenkrands). Nesta variante, Tomasson seria o homem mais adiantado, uma espécie de falso avançado centro que tem como ponto forte do seu jogo a inteligência das movimentações e a capacidade de entrar de trás. Outro desenho seria a utilização de dois médios mais recuperadores, colocando Tomasson como médio mais ofensivo, invertendo assim os vértices do triângulo em relação à primeira opção. Mantinham-se os extremos abertos nas faixas, procurando sempre dar profundidade de jogo e ir à linha centrar, mas no centro do ataque surgiria um ponta de lança clássico, daqueles que joga em cunha entre os centrais, forte no jogo aéreo (Soren Larsen). Em qualquer das variantes, um dos princípios de jogo base reside nos passes em diagonal desde os médios interiores para os extremos, colocando a bola no espaço livre à frente deles, procurando explorar a sua velocidade. Se conseguir interceptar essas linhas de passar, o adversário anula, desde logo, um dos canais preferenciais de transição e construção ofensiva do jogo dinamarquês.

A DEFESA: A corte de Agger

No mesmo lugar onde nos anos 80 brilhou Morten Olsen, mora agora uma elegante central chamado Daniel Agger, uma das maiores promessas do futebol europeu nessa posição, já titular do Liverpool. A seu lado, tem surgido Gravgaard, pilar do FC Kopenhagen, pujante e perigoso nos lances de bola parada. Neste momento, esta é a melhor dupla de centrais dinamarquesa, embora Olsen também possa optar pelo veterano Helveg, 35 anos, que fez quase toda a carreira na faixa, tal como Kroldrup, ambos lateral de origem, mas igualmente utilizados no centro da defesa. Outra opção é o gigante Per Nielsen, esguio central do Brondby. Com Helveg a sentir o peso dos anos, o novo dono da faixa direita é o possante Priske. Na esquerda, o experiente Niclas Jensen é ainda a principal referência, fazendo todo o corredor a defender e a atacar. Não é muito veloz, mas nunca perde o sentido posicional. Um perfil semelhante ao de Kristiansen, que também pode actuar como ala. Combativo e com visão de jogo, será o dono do lugar no futuro.

MEIO-CAMPO: O império dos recuperadores

Pela agressividade com que disputa cada bola, Gravesen, enche todo o meio campo a defender e a arrastar a equipa para a frente, mas a verdadeira âncora do onze é o pivot defensivo Poulsen, o garante do equilíbrio entre-linhas num sector onde falta um verdadeiro organizador. Gravesen é um recuperador nato e Daniel Jensen joga sobretudo em apoio aos flanqueadores. Um jogador-chave na dinâmica defesa-ataque seria Silberbauer, médio-direito, incansável a jogar de área a área, mas, sem uma referência fixa na organização, quem muitas vezes ocupa esta zona de construção na segunda linha do meio campo, é o segundo avançado Tomasson, quando recua no terreno para pegar na bola, a assumir esse papel. Entre os novos valores emergentes do futebol dinamarquês existem, porém, nomes para dar essa nova dinâmica. Destaque-se Kahlenberg, médio esquerdo com tendência a flectir no terreno, tecnicamente dotado, forte nos lances divididos e com criatividade nos últimos 30 metros, procurando o passe ou remate. A outra promessa chama-se Wurtz, 22 anos, médio centro do AB, um jogador em cuja evolução Olsen deposita muitas esperanças.

ATAQUE: O perfume dos extremos

Estruturado em 4x3x3, a imagem de marca do futebol dinamarquês continua a residir, ofensivamente, a residir na intenção em jogar pelos flancos. Para isso, aposta em extremos puros. Gronkjaer, Lovenkrands, Rommedahl e Jorgensen. Todos eles podem incutir grande profundidade ofensiva ao flanco, mas, pelas características de cada um deles, a dinâmica pode ser diferente. Gronjkaer, que pode jogar nos dois flancos, é o jogador mais vertical a procurar a linha para centrar. Rommedhal, ala direito, também o faz, mas, quando entra de trás, tende mais a procurar uma diagonal para o remate. Lovenkrands é menos explosivo em espaços curtos, preferindo recuar no terreno e surgir depois embalado desde trás. Jorgensen, esquerdino, é aquele que prefere jogar mais de fora para dentro, como faz na Fiorentina. Nesta dinâmica de jogo com extremos, é importante ter uma referência fixa na área, forte no jogo aéreo. Um modelo perfeito para o estilo do esguio Soren Larsen ou da promessa Niklas Bendtner, 18 anos, cujo talento foi detectado há um ano por Wenger na selecção sub-17. Depois de um ano nas reservas, foi esta época emprestado ao Birmingham onde confirma a sua força pelo ar e astúcia para lutar entre os centrais.

Estrelas a seguir

 

Daniel Agger

Posição: Defesa-central Idade: 21 anos (12/12/84) Clube: Liverpool Elegante (1.89m. e 80kg), com perfeito sentido posicional, a marcar ou nas dobras, embora não seja muito agressivo, e com técnica para sair a jogar com a bola dominada, Agger é um central para marcar uma época no futebol dinamarquês. Adquirido ao Brondby em Janeiro, fez esta época a sua estreia na Premiere League com uma fabuloso golo num remate de 30 metros.

Christian Poulsen

Posição: Médio defensivo Idade: 26 anos (28/2/80) Clube: Sevilha Plantada à frente da defesa, gere a cobertura dos espaços na primeira linha do meio campo e, com boa leitura de jogo, inicia a transição defesa-ataque. A sua cultura táctica dá consistência à equipa e garante o equilíbrio entre-linhas nunca a deixando descompensada defensivamente. Joga quase sempre curto e apoiado, mas, fisicamente resistente, faz a bola circular de flanco para flanco.

Jon Dahl Tomasson

Posição: Avançado Idade: 30 anos (29/8/76) Clube: Stuttgart O jogador dinamarquês de maior projecção internacional. Avançado móvel, em permanente movimento, pode jogar em qualquer lugar da frente de ataque, no centro ou pelas alas, mas sem nunca perder de vista a baliza. Rápido e muito frio em frente ao guarda-redes, a sua posição ideal seria nas costas de um ponta de lança clássico, como espécie de segundo avançado a entrar de trás.

Soren Larsen

Posição: Ponta de Lança Idade: 24 anos (6/9/81) Clube: Schalke 04 Ponta-de-lança alto e forte (1,93m. e 86kg.), exímio no jogo aéreo, oportuno a surgir nas costas dos defesas. Não é muito estético com a bola, mas tem dotes técnicos para procurar tabelas. Apesar de ser, no perfil, o típico nº9 que joga em cunha entre os centrais, não se dá à marcação e, quando os espaços faltam, sabe recuar para buscar jogo e surgir depois, de surpresa, na zona de finalização.

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