Vista da bancada, quando o jogo está quase a iniciar-se, a equipa impressiona pela sua robustez física. Um onze todo construído a partir do 1,80 para cima, fiel aos ditames atléticos do tradicional futebol norte-europeu, sem recear o aumento da dimensão física do jogo. Pelo contrário, procura-o sempre. Sabe que enquanto ele estiver nesse patamar, o seu estilo de jogo combativo terá sempre vantagem, sobretudo frente a equipas mais leves e essencialmente técnicas. Quando a bola passa a andar de pé para pé, revela, no entanto, uma comprometedora dureza de rins perante bolas em velocidade junto à relva.
Tacticamente, partindo de um 4x4x2 clássico, sem nº10, o onze de Stale Solbakken enche o campo com quatro médios quase sempre em «linha», colocando quase sempre oito jogadores atrás da linha da bola. Nessa fase do jogo, com a equipa bem posicionada na cobertura defensiva, é difícil furar a muralha dinamarquesa. Basta, porém, que ela se adiante um pouco para que a sua vulnerabilidade na ocupação dos espaços em recuperação se torne evidente, devido sobretudo á falta de agilidade dos seus jogadores recuados. É neste momento que, a atacar, o Benfica pode fazer a diferença no jogo.
Alback, Gronjkaer, Hutchinson:
Como o 4x4x2 abre nos flancos
No papel, vemos um 4x4x2, mas, a atacar, a equipa surge, muitas vezes, aberta a toda a largura do terreno, parecendo então quase um 4x3x3. Responsáveis por essa elasticidade táctica, três jogadores: a dupla atacante Gronkjaer-Allback e o médio perna-longa canadense Hutchinson. Forte a desmarcar-se e decidido a atacar a bola na área, Allback é o homem-golo do onze. Um estilo que se complementa com Gronkjaer, ainda a estrela da equipa, mas já sem a velocidade de outrora. Deixou de ser um extremo típico, visto já não ter a mesma disponibilidade física para fazer os tradicionais piques nas faixas, mas continua com uma inteligência e imaginação repentista de movimentos, sobretudo quando descaí para uma faixa, preferencialmente a direita, e desequilibra a defesa adversária. É nesse momento que, no flanco oposto, Hutchinson que inicia o jogo com médio-esquerdo, tem tendência a executar um movimento mais vertical por essa faixa canhota.
Desta forma, com as deambulações simultâneas de Gronjker, furando sobre a direita, o avanço de Hutchinson, na esquerda, e a colocação de Allback no centro da área, o ataque estende-se a toda a largura do terreno.
«Gigantes» na defesa,
«guerreiros» a meio-campo

No centro da defesa, duas torres: Gravgaard (1,86m.) e Hangeland (1,95m.). O seu poder no jogo aéreo assusta pássaros e pontas-de-lança. Atentos, para dobrar nas suas costas nos cruzamentos, os laterais Kvist, à direita, e Jensen ou Wendt, à esquerda. Raramente se desposicionam, entregando a saída de bola na transição defesa-ataque para os médios.
Para esta tarefa, de recuperação e primeiro passe, a equipa perdeu, em relação á época passada o disciplinado sueco Linderoth (foi para o Galatasaray). O seu substituto, Wurtz (ex-Aalborg) está longe de ter a mesma inteligência táctica de jogo. Assim é o rudimentar Norregard que se assume como o principal recuperador do onze na zona central. Apesar de lutadora, falta criatividade com a bola a esta dupla Nooregard-Wurtz .
A responsabilidade de transportar jogo para o ataque fica, assim, entregue aos médios que, em posse, abrem nas faixas. Hutchinson, na esquerda, e o dinâmico Silberbauer, mais sobre a direita. A época passada foi ele, com uma exibição fabulosa frente ao Ajax, em Amesterdão, que levou, quase sozinho, o FC Copenhaga á fase de grupos da Champions. Outra opção, numa postura de maior risco, será recuar Gronjkaer para o «4» do meio-campo, e lançar a promessa Nordstrand na frente com Allback.
Tecnicamente, nenhum destes elementos se destaca (o suplente Sionko será, talvez, o mais dotado nesse capitulo) mas num jogo disputado em espaços mais reduzidos (conseguindo fazer o chamado campo pequeno a defender), tornam-se muito difíceis de ser ultrapassados, pois o contacto físico é inevitável e, nesse capítulo, o estilo nórdico tem claramente vantagem. Será tudo, portanto, uma questão de ganhar os espaços em antecipação.
Quatro estrelas a seguir
GRONJKAER

Posição: Avançado
Idade: 29 anos (12/8/77)
Nacionalidade: Dinamarca (65 internacionalizações)
O melhor jogador do onze. No passado, deixou marcas no Ajax, Chelsea, At.Madrid, entre outros. Joga solto no ataque, mas é quando descaí para uma faixa, a zona onde fez os melhores jogos no auge da sua carreira, que Gronjkaer ainda faz a diferença. Com visão de jogo e perfeito controlo de bola, acelera e executa em velocidade o cruzamento mortal. Como no golo que garantiu a eliminatória m Israel.
ALLBACK

Posição: Ponta-de-lança
Idade: 34 anos (5/7/3)
Nacionalidade: Suécia (66 internacionalizações)
Um veterano ponta-de-lança que sabe tudo sobre os caminhos que vão dar às balizas. Nunca foi um avançado rápido, mas é muito forte (1.80m e 77kg), move-se bem e surge depois em cunha entre os centrais adversários, com um nº9 clássico. Nas duas últimas épocas no Copenhaga marcou 26 golos em 58 jogos.
HUTCHINSON

Posição: Médio
Idade: 24 anos (8/3/83)
Nacionalidade: Canadá
A forma como, em passada larga, consegue acelerar pelo lado esquerdo, cria com facilidade desequilíbrios no jogo. Tacticamente disciplinado, porém, raramente perde o timing para recuar na compensação defensiva. Tem um estilo meio desengonçado, alto e esguio (1.85m e 65kg) e está longe de ser tecnicamente dotado, mas pelas suas características físicas é um jogador complicado de travar.
NORDSTRAND

Posição: Avançado-centro
Idade: 24 anos (8/6/83)
Nacionalidade: Dinamarca (1 internacionalização)
A principal aquisição da época. No FC Nordsjaelland fizera 19 golos em 33 jogos. No Copenhague, já leva 4 em 5 jogos. Não jogou a segunda mão contra o Beitar. Gosta de jogar entre os centrais embora não seja, fisicamente, o típico ponta-lança nórdico (apenas 1.77m e 70kg). Vale, sobretudo, pela forma como se esquiva ás marcações surgindo muito frio a finalizar.