Duplas de Avançados

7 de Dezembro de 2001
Desolado, Inzaghi abandonou o relvado em lágrimas. Na mente de SuperPippo estava o medo de perder o Mundial. Para os adeptos, desfazia-se assim, pelos menos por três meses, uma das mais explosivas duplas de avançados do presente: Schvechenko-Inzaghi, á espera do regresso daquela que, dizem os teólogos da bola será a mais bela e eficaz do mundo: Vieri-Ronaldo
Imaginando os dois, Vieri e Ronaldo, no pico da forma, esta é, penso, uma opinião pacifica. Na ausência deles, porém, outras duplas procuraram obter a tal combinação mágica entre golos e bom futebol. Vejamos três desses ensaios: No 4-4-2 da Juventus habita uma dupla atípica: Trezeguet-Del Piero. O francês é um avançado centro de passada larga, astuto no remate e inteligente a procurar o segundo poste, o segredo dos grandes cabeceadores. Del Piero, é um clássico nº10 convertido em segundo ponta de lança. Algo contra-natura. O caso de um jogador que, na fase crucial da sua carreira, não consegue descobrir o seu verdadeiro lugar em campo. No Milan, Inzaghi e Schvechenko. O italiano, mais rápido, exímio nas desmarcações, o ponta de lança estilo ave de rapina a atacar a bola que surge a saltar na área, que combina bem com o perfil mais pensador de Shevy, mestre no movimento de, já na área, após um centro, dar um ou dois passos atrás e buscar o local certo para receber e rematar a bola. Em Barcelona, pensou-se num tridente de sonho: Rivaldo-Kluivert-Saviola, mas Rexach, encolheu-se e nunca aposta no trio em simultâneo. Juntos, Kluivert e Saviola formam uma dupla fabulosa. A mais forte no plano da complementaridade. Kluivert é forte de cabeça e nas desmarcações, lendo o jogo com a elevado cultura táctica holandesa. Saviola é rápido, mortal, tem a picardia sul americana e respira alegria em campo. Com ele no banco, surge Rivaldo mais adiantado. Ganha-se um génio mais perto da área, mas perde-se uma verdadeira dupla atacante, pois o brasileiro gosta de recuar para distribuir jogo como os grandes craques. Em todos estes casos, como em outros grandes da Europa, é raro encontrar um avançado veloz, de sprints longos, o típico jogador de contra ataque. Por definição equipas ofensivas, que passam a maior parte do tempo no meio campo adversário, sabem que raramente terão ao seu dispor os tais 30/40 metros livres onde, em corrida, esse tipo de jogador é mortífero. O eclipse de Claudio Lopez na Lazio ajuda a entender esta opção. Sem os mesmos espaços de Valência, o piolho não carburar como antigamente. Uma dupla de avançados é como um par romântico passeando no jardim. O segredo do sucesso é adivinhar o que o outro está pensar.

Artigos Relacionados