Enyimba campeão africano: O elefante do povo

20 de Dezembro de 2004
A ANÁLISE AO CAMPEÃO AFRICANO DE CLUBES 2004:

Seguir as competições africanas, clubes e selecções, é quase como viajar a outra dimensão futebolística, onde o impressionante atraso estrutural de muitas nações só é comparável ao enorme talento em bruto detectado em muitos jogadores, mesmo em relvados onde o rolar da bola mais parece um coelho aos saltos por entre terra revolta.
Pela segunda vez na história, a Taça dos Campeões africanos foi conquistada pela mesma equipa em dois anos consecutivos. Depois do TP Mazembe do Congo (em 67 e 68), o novo herói é o Enyimba F.C. da Nigéria, o Elefante do povo, como lhe chamam os nigerianos, uma equipa, no perfil e no estilo, na mais pura tradição da África negra. Truculenta, empolgante, mágica, mas, em vários momentos, ainda muito ingénua, técnica e tacticamente, num jogo de contraste que a torna até mais sedutora, pela falta de malícia competitiva revelada, em contraste, sobretudo, com os emblemas da África do norte, proveniência dos dois clubes que teve de derrotar, na meia-final e final, para conquistar o trofeu: o Esperance Tunes e o Etoile Sahel, ambos da Tunísia, potência da África branca. Dois trunfos só logrados nos penaltys, mas que premiaram o maior atitude ofensiva e o estilo mais solto e alegre do onze nigeriano Sem recurso a treinadores importados, orientada pelo velho Felix Ayansi-Agwu, o Enyimba joga em 3x5x2 e revela geneticamente, no três sectores, todos os pontos fortes e fracos do futebol africano em estado puro. Tudo começa na baliza, com um excelente guarda redes, na senda de outros que o moderno futebol africano produziu nos últimos anos. Chama-se Enyema, 22 anos, combinando, sem exotismo, excelentes reflexos com personalidade entre e fora dos postes. Depois, partindo de uma gigante defesa a «3», chefiada por Nwaneri, ao lado de Aliyu e Ezoba, um trio algo inestético com a bola nos pés, mas de passada larga e sempre no caminho da bola, revelou, na dinâmica da transição defesa-ataque, dois laterais ofensivos muito interesantes, Yusuf, á direita, e Omolade, á esquerda, enquanto no centro, atrás do volante central Udeh, algo lento, mas muito cerebral a recuperar e organizar jogo, uma dupla de médios interiores que, cada qual no seu lado do terreno, são os principais responsáveis pelo transporte de bola para o ataque, triangulavam depois com os laterais: Ogunbiyi, grande estrela do futebol do Benin, sobre a direita, e Okonkwo, na esquerda, lugar que também pode ser feito por Tyankase, originiariamente médio centro. No ataque, uma dupla em permanente movimento, onde se destaca o goleador Nwanna, ao lado de Anumunu, dois avançados muito perigosos. Desmarcam-se muito bem e, perto da área, nunca perdem o belo sentido de improviso africano.

Onze base, sistema 3x5x2

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