Nunca o Estádio Olímpico de Atahualpa vivera ambiente de loucura semelhante em torno da tricolor equatoriana. No centro do vulcão, um onze que ameaça fazer história, levando, pela primeira vez, o Equador á fase final de um Mundial. Depois de anos e anos na sombra das mais deslumbrantes selecções sul americanas, o Equador encontrou, por fim, o coração do seu futebol.
Por ironia, o toque de midas que despertou as paixões de Quito e Guyaquil, chegou de além fronteiras. Da Colômbia, terra do alquimista Pacho Maturana, que em 1995, depois de oferecer ao mundo um novo estilo de jogo, o chamado toque, bonito e técnico, mentor da mais fantástica selecção colombiana de toda a história, chegou ao Equador, para substituir o jugoslavo Dusan Draskovic, e semear o mesmo sedutor estilo, apostando nas fortes ligações históricas entre dois países.
A revolução de resultados começou durante o apuramento para o Mundial-98, quando o Equador venceu pela primeira vez na sua a história a Argentina, por 2-0, goleou o Uruguai, que nunca batera em jogos para o Mundial, por 4-0 e derrotou o Peru, por 4-1, o que então já não sucedia há 30 anos! No final, porém, o onze equatoriano falharia o apuramento, mas, em todos os sectores do futebol equatoriano ficara a certeza de que aquele era o caminho. Por isso, após a partida de Maturana para o Perú, todo a nação apostou em Dario Gomez, El Bonillo, seu discípulo e antigo adjunto para continuar a obra. Carismático e impulsivo ele era o homem ideal para relançar o sonho. Assim foi. Quem hoje assiste, no banco, aos saltos, sorrisos e constante incentivos de El Bonillo, entende muito desta sensação equatoriana, que mudou o curso da história, na tarde em que bateu o Brasil de Romário.
Tacticamente, nenhum deles foi um grande inovador. O estilo de jogo do Equador bebe um pouco da técnica brasileira e da garra argentina. Com os alquimistas colombianos, apenas conquistou confiança e rigor técnico-táctico. Embora o seu toque não tenha a fluidez da teia colombiana do inicio dos anos 90, os guerreiros de Bonillo podem sonhar com a viagem ao Oriente no verão de 2002.
AGUINAGA:
O HERDEIRO DO GATO SELVAGEM

Longe dos grandes palcos, o Equador, que a nível de clubes divide as suas paixões entre o Emelec e o Barcelona Guyaquil, nunca deu grandes estrelas ao futebol mundial. A grande figura da sua história, continua a ser o goleador Spencer, o gato selvagem, um sensacional avançado, que foi grande estrela do Peñarol dos anos 60, mas que, naturalizado, chegou a jogar pelo Uruguai. Hoje, as suas grandes figuras continuam a jogar fora do Equador: Kaviedes, em Espanha, no Valladolid e, no México, Alex Aguinaga e Agustin Delgado, ambos no Necaxa.
O ritmo de jogo é pautado, sempre, pelos movimentos de Aguinaga, na meia cancha, mas é a dupla atacante Delgado-Kaviedes que, com os seus golos e tabelas, tem levado o país á loucura.
Agustin Delgado, El Tin-Tin, 27 anos, é um ponta de lança gigante, 1,83 m, que joga nas costas dos defesas, á espera da bola a saltar na área. Com 7 golos é, com Romário, o grande goleador desta fase de apuramento sul americana.
Ivan Kaviedes, 24 anos, é um talento nato que depois de ter despertado a atenção da Europa, parece perder brilho. Contratado ao Emelec, onde marcara 43 golos numa época, em 1998, pelo Perugia, passou pelo Celta de Vigo e joga hoje no Valladolid. Ágil e tecnicamente superior a Delgado, revela dificuldades de adaptação ao agressivo futebol europeu. Na selecção, porém, ambos sentem-se no seu habitat natural e fazem uma dupla temível, que joga de olhos fechados. Juntos são a flecha e o golo.
Outras figuras são, na defesa, o defesa central Ivan Hurtado, jogador do Tigres, há vários anos no futebol mexicano, e no meio campo, com perfil de lutadores, Burbano, Tenorio e Chalá, o tipo de jogadores que deixa a pele em campo. Nenhum deles atinge, no entanto, a dimensão de Aguinaga, sem dúvida, o jogador mais adorado.
Depois de Spencer, o Equador descobriu, nos anos 80, outro talento capaz de orgulhar o seu futebol: Alex Aguinaga, o maestro de Quito. Observando o seu jogo ao longo dos anos, custa a crer que chegue ao final da carreira quase desconhecido dos olhos europeus.
Passeando hoje a sua classe na ternura dos 33 anos, fez quase toda a carreira no México, onde está há 12 anos, sempre no Necaxa, onde é, tal como na selecção equatoriana, o líder espiritual do onze, responsável pelos gritos de Si se puede, Si se puede que durante 90 minutos ecoam nas bancadas.
Já não tem a velocidade de outrora, mas continua a possuir todos os traços técnicos que fazem os grandes jogadores sul americanos, temperados com garra e sublime visão de jogo. A sua carreira é uma lição de profissionalismo. Personalizado, nunca se impressionou com ambientes adversos. Mesmo com a camisola da competitivamente frágil selecção equatoriana, silenciou, com golos soberbos, os habitats mais escaldantes, como no Maracana, contra o Brasil ou em Buenos Aires, contra a Argentina. Todo o jogo da equipa passa por ele, um clássico nº10 que passou ao lado de uma grande carreira internacional.
AGUINAGA:
A CHAMA DO EQUADOR
Depois de Spencer, o Equador descobriu, nos anos 80, outro talento capaz de orgulhar o seu futebol: Alex Aguinaga, o maestro de Quito. Observando o seu jogo ao longo dos anos, custa a crer que chegue ao final da carreira quase desconhecido dos olhos europeus.
Passeando hoje a sua classe na ternura dos 33 anos, fez quase toda a carreira no México, onde está há 12 anos, sempre no Necaxa, onde é, tal como na selecção equatoriana, o líder espiritual do onze, responsável pelos gritos de Si se puede, Si se puede que durante 90 minutos ecoam nas bancadas.
Já não tem a velocidade de outrora, mas continua a possuir todos os traços técnicos que fazem os grandes jogadores sul americanos, temperados com garra e sublime visão de jogo. A sua carreira é uma lição de profissionalismo. Personalizado, nunca se impressionou com ambientes adversos. Mesmo com a camisola da competitivamente frágil selecção equatoriana, silenciou, com golos soberbos, os habitats mais escaldantes, como no Maracana, contra o Brasil ou em Buenos Aires, contra a Argentina. Todo o jogo da equipa passa por ele, um clássico nº10 que passou ao lado de uma grande carreira internacional.