
Quando o jogo começa, poucos vislumbram naquele franzino lourinho com o nº7 (no clube joga com o 11 e na selecção já utilizou o 15), uma grande ameaça para as defesas adversários. Escondido no chamado buraco negro entre-linhas que se abre nas costas dos avançados e á frente dos trincos, ele move-se sem fazer ruído, em bicos de pés, quase confidencialmente.
Parece inofensivo, mas, num ápice, surge na área nos espaços livres, adivinhando onde a bola vai cair e, sem tremer, surge, de surpresa, quase como se tivesse saído de uma tampa de saneamento escondida debaixo da relva, mortífero, sempre no sitio certo, para encostar ou rematar a bola para o golo. Seu nome: Marek Mintal.
Um estilo esquivo, ambidestro, oportunista e adornado pela técnica que o tornou, em jeito ou mais em força, num temível goleador que é proibido perder de vista, o actual melhor marcador do campeonato alemão (21 golos em 26 jogos), apesar de até jogar num clube de menor dimensão, que luta apenas pela permanência, o FC Nuremberga.
Esta vocação goleadora não é, no entanto, uma revelação recente ou uma mera explosão circunstancial de um jogador a atravessar um grande momento de forma. Ela está o sangue futebolístico que corre nas veias deste talento de Zilina, terra onde nasceu há 27 anos. Depois de se ter sagrado, jogando na mesma posição, melhor marcador do campeonato eslovaco, pelo MSK Zilina em 2001/02 e 2002/03 (com 21 e 20 golos, respectivamente), já fora também o artilheiro da II Bundesliga na época passada (18 golos em 31 jogos). Agora, busca o mesmo feito na elite do futebol alemão.
O mais espantoso reside, porém, no facto de Mintal nem ser um ponta de lança típico, é antes a mistura entre o médio ofensivo e o chamado segundo avançado que entra de trás nos espaços abertos pelos homens que jogam mais em cunha na frente de ataque.
Um disfarce que confunde os defesas, desesperados pela forma como aparece e desaparece das zonas de perigo, sendo, assim, muito difícil de ser marcado. Por isso, chamam-lhe o fantasma eslovaco,
Vittek:
O dono da bola

Apesar da explosão goleadora de Mintal, o melhor jogador eslovaco da actualidade continua a ser, claramente, outro: Vittek, que também alinha no FC Nurenberga, onde joga como avançado centro. É ele, aliás, ainda o actual melhor marcador em jogos da selecção na campanha rumo ao Mundial-2006: 5 golos em 4 jogos. Na Bundesliga, onde chegou em Janeiro de 2004, já fez 14 golos em 51 jogos.
Se não jogar ou o fizer com limitações (pois vem arrastando uma lesão no joelho), tal condiciona todo o jogo do onze, que embora disponha de outros fortes avançados de área, não tem nenhum com a mesma inteligência de movimentos do veloz e virtuoso Vittek, o cérebro da construção atacante. Em vez de ficar fixo no ataque, gosta de recuar, procurar a bola e arrancar com ela dominada, buscando triangulações ou espaços para o remate.
Um estilo que o torna, actualmente, num dos avançados europeus com maior visão de jogo em corrida tendo a bola dominada á sua frente.
Solução ofensiva:
A força de Reiter e o esquivo Nemeth

Sem Vittek, Dusan Gallis pode lançar outras armas ofensivas para, junto com as diabruras de Mintal, assustar a defesa portuguesa. Vários nomes a fixar: Nemeth, que jogou pelo Middlesbrough contra o Sporting, não é o tipo de jogar fixo entre os centrais, gosta de recuar e tentar entrar pelas faixas. Sestak, 22 anos, revelação do Zilina (onde leva 12 golos em 19 jogos) move-se bem em busca do remate, mas ainda lhe falta instinto matador, enquanto o gigante Jakubko (1,90m.), vive sobretudo dentro da área. Neste sentido, o maior perigo chama-se Reiter, do Sigma Olomuc, um robusto ponta de lança, com agilidade e facilidade de remate, quase sempre forte e colocado. É um excelente ponta de lança, experiente, 30 anos, que poderá ser o grande arma-secreta de Galis para o jogo com Portugal.
O jogo pelas alas

Embora sem possuir extremos típicos, daqueles velozes que vão á linha cruzar, a equipa revela, no entanto, sempre intenção de jogar pelos flancos ora através das deambulações do inteligente Vittek, ora com a entrada de Breska, ora, sobretudo, através da vocação ofensiva dos laterais e das movimentações dos médios alas.
Sem o experiente Gresko, lesionado, é Cech, muito disciplinado, a fechar a faixa esquerda, na qual a principal referência é o influente Michailik, 31 anos, um flanqueador clássico, que sabe abrir o jogo a toda a largura do terreno e quase transformar-se num avançado.
Á direita, o dono do corredor é o dinâmico Zabavnik. Defensivamente atento, quando ataca tende mais a flectir para buscar jogo na zona central, do que procurar a linha para centrar.
O relógio Karhan
e as torres defensivas

No centro do meio campo, iniciando a saída e transporte de bola para o ataque há um jogador chave na dinâmica do jogo eslovaco: o médio centro defensivo Karhan, o relógio que marca o timing certo das compensações defesa-ataque. Domina todo o meio campo com agressividade e carácter. Não é muito rápido, mas está sempre no caminho da bola. Condutor de jogo, destro e atleticamente possante, é um dos médios tacticamente mais conscientes do futebol alemão, onde está há quatro anos, no Wolfsburg.
Quer jogue em 4x4x2 como num sistema de três defesas (como fez num dos últimos particulares frente á Eslovénia), o onze eslovaco baseia a sua ordem defensiva, centrais e trincos, num grupo de jogadores muito fortes fisicamente. Nesse contexto, um dos jogadores mais importantes nesta fase de qualificação, tem sido Hanek, 24 anos. Pode jogar como central, o seu lugar natural (onde alinha no Dinamo de Moscovo) ou á frente da defesa, como trinco, o que sucede muitas vezes na selecção. Em ambos os postos, revela grande personalidade, no corte e com a bola nos pés, ganhando lances divididos ou executando o primeiro passe na saída para o ataque.
Outra opção para a luta do meio campo, utilizada na Estónia, é o operário Hlinka, do Rapid Viena (onde chegou esta época vindo SW Bregenz), muito dinâmico em tarefas de recuperação, sempre no caminho da bola e o experiente Igor Demo, 29 anos, trinco volante do Borussia Monchengladbach, clube onde joga há cinco épocas (desde 2001), após ter passado, embora quase sempre no banco, dois anos no PSV, que o decobrira no Slovan Bratislava, em 1997.
No centro da defesa, a grande referência é o gigante Varga, clássico central possante (1,93m. e 93kg.), rude e sem cerimónias, joga ao típico estilo britânico, onde está 6 épocas, alinhando actualmente no Celtic. Sem Kratchovil (titular nos primeiros quatro jogos da fase de apuramento), a seu lado poderão jogar Petras, robusto e sempre atento no corte, e Valachovic, que se estreou na Estónia, muito forte no jogo aéreo e que em Janeiro se transferiu do Slovan Liberec para o Rapid Viena.

