É notável a capacidade da Espanha gerar selecções fortes nas camadas jovens. Nos últimos dez anos, venceu oito torneios nas diferentes categorias:
1 Mundial Sub-20 (1999)
1 Europeu Sub-21 (1998)
3 Europeus Sub-19 (2002, 2004 e 2006)
3 Europeus Sub-17 (1997, 1999 e 2001).
A última conquista sucedeu, esta semana, na Polónia, no Europeu Sub-19. Embora poucos talentos destas atraentes selecções tenham, depois, igual produção na selecção principal, estes resultados espelham o excelente trabalho de formação feito no futebol espanhol. Mais difícil é, depois, atravessar o túnel para o nível sénior. O que irá suceder com a bela geração Sub-19 campeã europeia em 2006? Para já, após conquistar o título, quase todos vão jogar para a Segunda B ou até para a III Divisão. Há, porém, excepções. Vejamos:
Esquematizada em 4x2x3x1, o onze de Ginés Meléndez, teve como patrão da defesa um alto central que já é propriedade do Manchester United: Piqué. Ao lado de Valiente, provou que é um jogador claramente já preparado para alinhar ao mais alto nível. Outro caso poderá ser o lateral-direito Barragán, possível aposta de Caparros no Corunha. Os outros casos são todos mais complicados.
Entre eles, os pivots que deram segurança à equipa (Javi Garcia-Mario Suárez) e os extremos (Toni-Jeffren) e avançados (Mata-Bueno) que a fizeram voar. Suaréz é um pivot com excelente leitura de jogo. Vai fazer a pré-temporada com a equipa principal do At. Madrid. Javi Garcia, recuperador de bolas nato, vai seguir o caminho dos avançados Mata e Bueno, todos jogadores do Castlla, o Real Madri B, que esta época será treinado por Michel, na II Divisão B.
Mata é uma espécie de segundo avançado, daqueles que deambula, com técnica e criatividade, por toda a frente de ataque nas costas do ponta de lança, neste caso Bueno, muito oportuno, esquivo a surgir nos espaços vazios. Ambos precisam, no entanto, de muscular o seu jogo. Tecnicamente são perfeitos, mas falta-lhes ainda capacidade de choque para entrar, sem pestanejar, na dureza das marcações do futebol sénior.
Diferente pode ser o caso dos alas, onde pela velocidade e drible em progressão evidenciado, fugindo ao choque com um excelente jogo de cintura, tanto o canhoto Jeffren, de origem venezuelana, na esquerda, imaginativo e objectivo a lançar os avançados, como Toni, na direita, elegante no drible, saindo dele sempre com perfeito controlo de bola para cruzar com perigo para a área, tem um estilo capaz de encontrar espaço (ou pelo menos alguns minutos) ao mais alto nível. São ambos jogadores do Barcelona (jogam na equipa C) e a melhor solução seria um empréstimo. Em jogo está, apenas, o futuro do futebol espanhol.
