Sete Euros Sub-17, quatro Sub-19, dois Sub-21 e um Mundial Sub-20. Em duas décadas, catorze títulos para o futebol jovem espanhol. Aos 71 anos, o sábio Santiesteban continua a inventar grandes equipas. O último triunfo sucedeu com a conquista do Euro Sub-17.
Um titulo com a assinatura pessoal de um miúdo que, em breve, vai acompanhar Messi na primeira equipa do Barcelona: Bojan Krikic. Foi ele o ponta-de-lança móvel de um onze que impressionou pela cultura táctica evidenciada, algo invulgar para uma selecção tão jovem. Uma ideia que emergiu sobretudo quando a bola ia ter com Fran Mérida, um pensador que distribui e inventa jogo. Formou-se no Barcelona, mas já alinha nas reservas do Arsenal, embora em Inglaterra jogue mais recuado, à frente da defesa, zonas que nesta selecção foram ocupadas por uma dupla de grande categoria técnico-táctica: Ximo e Camacho
Como grandes princípios do seu futebol, a equipa procurou sempre virar jogo e fazer tabelas, com movimentação e progressão apoiada, modelo interprtado por esse trio de médios e dois alas bem abertos (Isma, Falqué ou Porcar).
A grande dúvida continua a ser o porquê de toda esta qualidade não se prolongar depois na selecção principal. Uma questão com muitas respostas….
Krkic (Barcelona B)

Pelo nome, poderá pensar-se que é uma nova estrela sérvia ou croata. Errado. É uma nova estrela a despontar, certo, mas a naturalidade é espanhola. Estranho? Um pouco, mas a explicação está em ser filho de um antigo jogador sérvio que se radicou em Barcelona após acabar a carreira. Depois, nasceu o chiquito Bojan Krkic e foi para as escolinhas do Barca. Aí se fez craque. Consequência: acabou na selecção espanhola Sub-17, onde brilhou este mês no Euro da categoria.
É um avançado que gosta de jogar solto, ideal portanto para o 4x4x2. Une o espírito lutador, disputando todas as bolas, mesmo longe da área, com a qualidade técnica, driblando com a bola dominada. Fisicamente resistente, tem visão de jogo, sentido de passe e remate potente.
Com apenas 16 anos, faz 17 em Agosto, joga no Barca B e já treina por vezes com o plantel principal de Rijkaard. Uma grande esperança para o futuro do futebol espanhol.
Hazard (Bélgica / Lille)

A principal razão para o futebol belga acreditar no futuro chama-se Éden Hazard. É um nº10 moderno, que enche o meio-campo, ajuda na recuperação e é fantástico a lançar o ataque com a bola dominada. Passa, organiza e remata.
Formou-se no La Louviére mas rumou para a França, para o Lille, há uma ano. Fisicamente é algo frágil (1,70m. e 56kg.), mas a forma como esconde a bola em progressão faz com que seja muito difícil de ser desarmado. Um craque para seguir.
Moses (Inglaterra/ Cristal Palace)

Força, técnica e decisão com a bola nos pés. Victor Moses, 16 anos, é uma pérola do novo futebol inglês. Organizador de jogo da selecção Sub-17, pode jogar no ataque como nas costas dos avançados, lutando muito pela bola e rematando à baliza, fazendo golos.
Joga no Cristal Palace, onde se formou. A sua potência física dá-lhe a moldura atlética ideal para sonhar em saltar para a primeira equipa.