REAL MADRID:
Beckham, do 4x2x3x1 ao 4x1x3x2
Treinador: Carlos Queiroz
Sistema táctico: 4x1x3x2
Depois de duas épocas fiel ao 4x2x3x1, o Real Madrid procura reconverter-se ao 4x1x3x2. No centro do debate duas zonas em particular: a frente da defesa, antes com um doble-pivot (Makelele-Cambiasso ou Flavio Conceição), e o ataque, no passado só com um avançado fixo. No novo sistema, surge só com um trinco clássico (Cambiasso), auxiliado por um dos médios que recua quando o onze perde a posse da bola (Beckham ou Zidane), e, no ataque, Raúl surge mais perto de Ronaldo. Os principais dilema residem em lograr, ao mesmo tempo, consistência defensiva e equilíbrio na chamada zona de criação, agora com menos protecção defensiva nas costas. Nessa zona, urge descobrir como conciliar Figo e Beckham, ambos jogadores de faixa direita. A solução preferencial, em face do observado neste inicio de época, será a de colocar Figo á esquerda, ficando Beckham no seu lugar natural á direita. Outra solução, seria puxar o inglês para o centro e encostar Zidane. Neste caso, Beckham, em certas situações de jogo, sem bola, teria de recuar quase para fazer doble-pivot com o elemento central defensivo do meio campo (Cambiasso). Á primeira vista, a primeira solução parece a melhor, pois Figo, que na selecção já jogou nessa posição, possui maior capacidade de adaptação e versatilidade que Beckham, um jogador que perde profundidade de jogo se colocado no centro. Por outro lado, é a opção que garante a permanência de Zidane, o maestro que sabe manejar os ritmos de jogo como ninguém e dar á bola sempre o destino apropriado, na zona cerebral das movimentações, o centro. Segura muito melhor a bola que Beckham, tem maior visão de jogo e trabalha mais na sua recuperação. Há, portanto, dois tempos a afinar: O jogo com e sem bola, impedindo que, na fase ofensiva, as estrelas se sobreponham na faixa central. Por isso, Queirós pede tantas vezes para Figo ou Beckham se encostarem á linha, buscando activar mais o jogo pelos flancos.
REAL SOCIEDAD: O 4x4x2 do «Druida» Denouiex

REAL SOCIEDAD
Treinador: Raynald Denouiex
Sistema táctico: 4x4x2
Permanece a base que, na época passada, ergueu o sensacional onze txuri urdin que lutou pelo titulo até á ultima jornada. Sem grandes estrelas, o seu 4x4x2 com o quarteto do meio campo em linha, vive, sobretudo, do rigor táctico-posicional de todos os seus intérpretes. A bola viaja de pé para pé, de um flanco ao outro, com simplicidade. Na hora de defender, todos recuam, e, quando recuperam a bola, sabem marcar o ritmo de jogo, preferindo uma cadência algo lenta, só despertada pelos raids de Nihat, um veloz turco que após uma época a jogar pegado á banda direita, explodiu como segundo avançado, furando pelos flancos, fazendo dupla com o ponta-de-lança Kovacevic, um nº9 de combate e com excelente visão de jogo aéreo. Na velocidade de Nihat reside outra grande arma desta Real: o contra-ataque.
Desta forma, a linha do meio campo é constituída, preferencialmente, na zona central, por Xavi Alonso e Aranburu, o doble-pivot, enquanto que abertos nas alas, estão Karpin, á direita, e De Pedro, á esquerda. No ataque, a dupla Kovacevic-Nihat, terá, esta época, como principal alternativa, o coreano Lee Cun Soo, um extremo esquerdo rápido, driblador e que sabe centrar. Nenhum movimento deste 4x4x2 faria sentido, porém, sem a acção do pivot central: Xavi Alonso. Passa bem, curto ou longo, controla a posse da bola e o ritmo de jogo, simula, vira o flanco e orienta os companheiros.
Na defesa, especial nota para a corpulenta dupla de centrais Schurrer-Kvarme, e para o lateral direito Lopez Rekarte, distinto dos carrileros modernos, joga á moda antiga, fecha o flanco e apenas sobe quando em superioridade numérica. Uma acção cautelosa que resulta do jogo pelo flancos ser responsabilidade sobretudo dos alas-flanqueadores De Pedro-Karpin, ambos muitos fortes a ir á linha e a buscar linhas de passe para centrar com perigo e precisão.
CORUNHA:
Irureta, o conservador, Ano VI

CORUNHA
Treinador: Javier Irureta
Sistema táctico: 4x2x3x1
É a sexta temporada consecutiva de Irureta no banco do Deportivo. Um treinador com rótulo de defensivo, devido sobretudo á atitude conservadora que as suas equipas exibem em campo.
Solução 1: 4x2x3x1. Permanecendo o mesmo bloco dos anos anteriores, está facilitado o sentido colectivo de jogo e a criação de automatismo entre os vários sectores do onze. Esta época, porém, perdeu o seu letal ponta de lança Makaay. Sem ele, a principal referência no ataque é Tristán, muito diferente do veloz holandês, um homem mais de espaços vazios e bolas em corrida, enquanto que o nº9 andaluz é mais tecnicista, gosta de jogar de costas para a baliza e mover-se na área em busca da bola e do melhor espaço para rematar.
Tal como nas épocas anteriores, a peça-chave do 4x2x3x1 de Irureta será o playmaker Valerón, um jogador discreto, daqueles que nunca vemos fazer grandes fintas, mas que, com a sua visão de jogo, faz girar toda a equipa. O seu entendimento com Tristan será, em principio, a principal arma ofensiva deste Corunha.
Solução 2: 4x3x2x1, o sistema do triple-pivot, inspirado no esquema francês de Jacquet, com três trincos (Sérgio-Mauro Silva-Duscher), que, em rigor, graças a sua capacidade atlética e visão de jogo, são muito mais do que isso. Não fazem grandes rasgos, mas garantem segurança defensiva e lançam o ataque, com Valerón distribuidor, Victor ala-extremo direito a abrir jogo e Tristan nº9.
Solução 3: 4x4x2 com dois avançados, neste caso Tristan, no centro, e Luque, descaíndo sobre a esquerda. Um sistema (utilizado contra o Rosenborg) mais ambicioso, mas que retira consistência táctico-defensiva ao meio campo, pois implica a saída de um médio que, tal como todos os demais elementos do sector, é fundamental na marcação á zona e na recuperação da bola. Uma tarefa bífida desempenhada exemplarmente por Victor, sobre a faixa direita, Fran, á esquerda, e, como doble-pivot, os inteligentes e pendulares Sergio, Mauro Silva ou Duscher.
BARCELONA:
Rijkaard, o regresso aos extremos

BARCELONA
Treinador: Frank Rijkaard
Sistema táctico: 4x2x3x1
Depois de Van Gaal, outro técnico de escola holandesa, Rijkaard, com, digamos, mestrado tirado no futebol italiano. Num tempo em que os extremos clássicos quase desapareceram, registe-se a presença, no primeiro design táctico utilizado, de dois extremos á moda antiga: Quaresma, á direita, e Overmars, á esquerda, que embora não seja um canhoto nato, já habituou o seu pé direito a correr e a jogar num flanco para ele quase contra-natura. Na zona central, o enganche mágico: Ronaldinho. Trata-se, pode-se dizer, de um 4x3x3 disfarçado, desenho que adquire na fase ofensiva, recuando depois, perdida a bola, para 4x2x3x1, o sistema que serve de ponto de partida para as dinâmicas movimentações tácticas em campo.
Um esquema que, porém, coloca em causa Saviola, um avançado que, em rigor, nem é um nº9 clássico, nem um extremo típico, nem um médio-ofensivo. Tacticamente, o seu estilo encaixa melhor num 4x4x2, em que jogue solto, deambulando de flanco para flanco, acompanhando um ponta-de-lança mais tradicional, que se infiltre nos seus espaços, do que num 4x4x3 com extremos, para o qual, em teoria, Kluivert é mais vocacionado.
Solução 2: o 4x4x2 com dois pontas de lança (Saviola-Kluivert), um médio ofensivo fazendo o rombo (Ronaldinho) um pivot (Xavi) um extremo-flanqueador (Overmars) e um médio vagabundo (Luis Henrique). Neste esquema, surgem dificuldades em recuperar e fazer circular a bola, uma máxima da escola holandesa.
Solução 3: o 4x1x4x1 (testado contra o Boca Juniores), com Xavi trinco, linha de quatro médios em losango com Ronaldinho na direita, Gerard central recuado, Overmars á esquerda, Luis Henrique a fazer o rombo, e Saviola a ponta de lança. Funcionou bem na saída de bola sob a zona central, colocando a questão de que só um trinco-farol com a velocidade e visão de jogo de Xavi não seria melhor que um doble-pivot menos fluído na saída de bola, mas aprisionou o talento de Ronaldinho a um flanco, depois de ele já ter provado ser o seu lugar como médio-ofensivo com liberdade para criar.
VALÊNCIA:
O 4x2x3x1 sob a batuta Aimar

VALÊNCIA
Treinador: Rafa Benitez
Sistema táctico: 4x2x3x1
Partindo de uma sólida estrutura defensiva, ainda da era-Cuper (sempre a «4» com Ayala e Pellegrino a centrais, Curro Torres á direita, e Fabio Aurélio, o único elemento introduzido no ciclo presente, á esquerda), mantêm, como sistema preferencial, o 4x2x3x1 com doble-pivot fixo, Baraja-Albelda, nas costas de um híbrido trio de médios onde, no centro, surge a estrela Aimar, o enganche artístico que faz a ligação com o ataque e desenha todos os movimentos ofensivos nos últimos 30 metros. Uma tarefa que, esta época, terá o apoio do dinâmico Jorge Lopez, um médio rompedor. Encostado á linha, no flanco esquerdo, Vicente, um extremo clássico. No ataque, um ponta-de-lança brasileiro tecnicista e rematador: Ricardo Oliveira, ex-Santos, principal aposta para um posto onde, nas últimas épocas, nunca existiu um titular fixo (passaram Carrew, Juan Sanchez, Mista, Salva...)
Face ao observado, este Valência necessita, sobretudo, de dar maior coesão colectiva ás suas três linhas, nomeadamente na fase ofensiva, onde as triangulações entre o enganche(Aimar) e o médio-ala ou extremo (Jorge Lopez ou Vicente) serão decisivas para a dinâmica táctica do sistema. Serão esses movimentos, consoante a especificidade do jogo, que irão desenhar as suas variantes. Entre elas, tendo em conta a opção preferencial de jogar só com um ponta-de-lança, estará, sobretudo, nas acções de contra-ataque, o 4x2x2x1x1, estendido a toda a largura do campo, fugindo ao fora-de-jogo com longos passes verticais, e no qual as grandes armas são os movimentos sem bola dos alas, e, no centro, verticalmente colocada, a dupla ofensiva «1x1», formada por Aimar e pelo ponta-de-lança de serviço.
Solução 2: 4x1x3x2 com dois avançados e uma linha de três médios. Neste sistema, mantêm-se sempre os dois alas bem abertos, mas desaparece o doble-pivot da frente da defesa, passando a jogar só com um trinco, o vértice superior defensivo de um losango que desenhado a meio campo teria no vértice ofensivo, fazendo o rombo, o génio Aimar.
CELTA:
A máquina galega de Lotina

Treinador: Miguel Angel Lotina
Sistema táctico: 4x3x2x1
Tacticamente, Lotina é dos treinadores mais astutos do futebol espanhol. Por definição, é um conservador que coloca a ordem táctica como prioridade, mas sabe que é com o talento que se ganham jogos. Nesse sentido, este Celta é a sua imagem fiel. Em teoria, o esquema base é o clássico 4x4x2, explanado em campo através de um 4x2x3x1com doble-pivot defensivo (José Ignacio-Giovanella ou Luccin) e um trio de médios ofensivos (Edu, com grande habilidade para mover-se entre linhas, Mostovoi, o maestro russo, e Jesuli, um flanqueador da faixa direita com grande criatividade). Os três espécie de falsos avançados, os chamados medias-puntas, que, nas jogadas de ataque, surgem junto do ponta-de-lança (Milosevic ou Catanha).
Na defesa, uma sólida linha de quatro elementos, com Cáceres e Contreras (ex-Sporting) como centrais, e os laterais Velasco, á direita, excelente sentido de antecipação, e o veloz brasileiro Silvinho, á esquerda, o típico lateral ofensivo moderno, mas que, graças á sua enorme velocidade, recuperando de imediato a posição defensiva. Nesses momentos, com as subidas de Silvinho e/ou do enganche de Edu ou Jesuli, o onze desenha-se, a espaços, em 4x4x2, ou até 4x3x3, resgatando depois, na hora de trabalhar na recuperação da bola o esquema inicial de 4x2x3x1.
É uma equipa que sabe defender e começar a pressionar muito longe da sua área, ainda mesmo dentro do meio campo adversário, executando com grande rigor a chamada zona pressionante. Com este estilo de jogo realista e eficaz, construiu o típico perfil das grandes equipas, aquelas que, quase á italiana, controlam e manejam confidencialmente os vários ritmos de jogo, seguram a bola, criam poucas oportunidades, mas, em geral, marcam nas raras ocasiões em que elas surgem.





