EUROPEU SUB-19 / NORUEGA / 2002: Grande feira das jovens estrelas

July 21, 2002 12:00 AM
A maioria destes jogadores encontra-se na sua primeira época como senior. No horizonte próximo está o tal túnel escuro que separa a irreverência alegre do futebol jovem, do sério e stressante futebol profissional. Neste cenário, este Europeu Sub-19, disputado em plena pré-temporada, serão os últimos tempos de fantasia pura e a primeira grande oportunidade de marcar presença no futebol adulto, começando a conquistar um lugar ao sol.
Quando foi criada pela UEFA em 1980, esta competição ainda se denominava Europeu Sub-18. Com a alteração das idades dos diferentes escalões etários futebolísticos, passou, nos últimos tempos, a dirigir-se a jogadores Sub-19. Nesta edição de 2002, alberga todos os jogadores nascidos no inicio dos anos 80, após 1983, época em que se disputou a primeira edição do Euro- Sub-18, segundo os moldes actuais, em 80/81. Durante duas décadas, porém, nunca se distingiu uma força dominante nesta categoria do futebol jovem. É uma fase competitivamente híbrida, onde o talento se encontra confundido e ora se motiva, ora se amedronta, perante a aproximação do mundo profissional. Pelas 17 edições que se disputaram desde 1980, passaram, no entanto, grandes jogadores que mais tarde se tornaram estrelas do futebol maior. Após uma primeira fase, que durou entre os anos 70 e fins dos 80, de domínio de leste, onde o futebol jovem era quase uma obra científica de laboratório, a ultima década, desfeita a cortina de ferro, assinalou o renascer do futebol jovem latino, técnico e virtuoso, distinto do frio e mecânico estilo de leste, então órfão das referências e estruturas anteriores. Nas últimas dez edições, seis foram ganhas por uma selecção latina. Nesse período, Portugal esteve presente em cinco finais (88, 92, 94, 97 e 99), vencendo duas (94 e 99). Em 2002, o onze luso volta a falhar a fase final, afastada no apuramento, pela Eslováquia (1-1 e 0-1). Uma eliminação penosa, pois um dos objectivos deste Euro-Sub-19 é, também, apurar as selecções para o próximo Mundial-Sub-20 (nos Emiratos Árabes Unidos, em 2003). Os eleitos serão os vencedores de cada grupo, mais as seis melhores equipas classificadas.

Fernando Torres e Reys: As belas estrelinhas espanholas

Formam a mais atraente dupla atacante deste Europeu-Sub-19. No seus talento, já exibido nas canchas da Primeira Liga, mora muita da esperança espanhola em construir, no futuro, uma grande selecção nacional. São dois chicos de grande imaginação, velozes com a bola e sempre com os olhos na baliza. Reys, filho da cantera do Sevilha, 18 anos -faz 19 em Setembro- possui a classe da técnica andaluza aliada á velocidade e fantasia. Na ultima época fez 29 jogos e marcou 8 golos na Liga das Estrelas. O seu nome está na agenda dos maiores clubes europeus. Torres, 18 anos, já está há dois anos entre a primeira equipa do At. Madrid. É mais jogador de área do que Reys. Alto e esguio, de semblante tranquilo, não parece, á primeira vista, um jogador esteticamente belo, mas quando começa a tocar na bola, é capaz dos gestos técnicos mais sublimes. Para além do trabalho feito nos clubes, ambos são filhos da bela escola de formação das selecções jovens espanholas, de onde saiu a nova equipa técnica, liderada por Iñaki Saez, que irá, finda a era-Camacho, orientar a nova selecção «A». Um pouco na sombra, fica mais uma vez, o nome de Santiesteban, uma espécie de pai para todos estes chicos fantasistas, onde, para além de Torres e Reys, também se pode destacar os nomes de Murillo, do Ath. Bilbao, e Carmelo, médio do Las Palmas. Dirigidos ainda por Saez, o onze espanhol é um dos grandes favoritos á conquista do titulo. Para tal, terão de derrotar a selecção da casa, a Noruega. Nos últimos anos, a principal imagem do seu futebol jovem é o aguerrido Jonh Riise, lateral do Liverpool. Ele é o exemplo onde se espelha a nova geração do futebol norueguês, onde, entre os Sub-19, estão o defesa Hoas, do Molde, os médios Tor Moen, do Rosenborg e Olsem do Bodo Glimt, e os avançados Onstad, do SFK Lyn, e Winsnes, espécie de falso avançado centro, do Rosenborg. Com a geração dos Flo a chegar ao fim, a Noruega aposta muito nesta nova casta de talentos do futebol força para voltar a quebrar o gelo do seu jogo por definição pouco imaginativo. As outras equipas do grupo viveram durante longos anos sob a mesma bandeira: a Checoslováquia. Futebolisticamente esta união entre checos e eslovacos gerou atraentes selecções, misto de força e técnica. Separados desde o inicio dos anos 90, ambos procuram reconstruir as bases do seu futebol. Futebolisticamente nascidos e desenvolvendo todo o seu processo de formação já sob esta nova realidade, os onzes que surgirão neste Euro Sub-19, simbolizam, assim, muito do futuro do novo futebol destes velhos irmãos.

O estilo inglês e o novo futebol alemão

A Alemanha nunca teve, por tradição, grandes selecções jovens. Vogts, quando seleccionador principal, chegou mesmo a dizer que os seus resultados eram uma questão menor. O fundamental era formar. O actual chefe da formação germânica, é, no entanto, um homem que, desde os tempos de jogador, só entende o futebol para ganhar: Stielike, velha estrela do Real Madrid e da RFA dos anos 80. Apesar de ter atingido a final por duas vezes nos últimos oito anos, o último triunfo germânico, exceptuando a vitória da extinta RDA em 86, remonta há mais de duas décadas, em 81. Nos últimos anos, muito se falou na crise geracional alemã. A facilidade de gerar talentos, aliada ás inesperadas proezas mundialistas da selecção maior, atenuaram, porém, essas críticas. Este onze Sub-19, simboliza, assim, a nova esperança teutónica, projectada em jovens como os defesas Kocholl, do Stuttgart, e Meier, do St.Pauli, e os avançados Hanke, do Schalke, Odonkor, 18 anos, do Dortmund e Schied, do Rostock, todos já com presenças na Bundesliga enquanto o médio Voltz e o goleador Kneissl, vem de Inglaterra, do Arsenal e Chelsea, respectivamente. Martin Hunter, treinador inglês Sub-19, é um homem confiante. O seu onze de young boys é a imagem do novo estilo da Velha Albion, cada vez mais perfumada tecnicamente. Entre esta nova geração um nome se destaca: Jermain Jenas, o capitão, adquirido, por uma pequena fortuna, pelo Newcastle ao Nottingham Forest, de cuja Academia de formação é produto. Bobby Robson adora-o. Fez 21 jogos na Premier League esta época. É um médio elegante, com bom toque de bola e que gosta de mandar no jogo. Outros nomes a seguir são os de Ashton, o arquitecto de Crewe Alexandra, o flanqueador Michael Chopra e os avançados Darren Bent, do Ipswich e Cole, do Chelsea. A Republica da Irlanda sonha em repetir o triunfo de 1998, obtido nos penaltys frente á Alemanha. Entre os novos jovens talentos da Republica estão o guarda redes Murphy, Em plena fase de renovação, a Bélgica continua, tranquilamente, a impor o seu futebol. Um caso notável de consistência competitiva a nível europeu. No grupo Sub-19 que estará na Noruega, mora o excelente Blondel, do Excelsior, e dois talentos provenientes da escola de artes do Ajax, Verbist e Van Damme, ambos com 19 anos.

SELECÇÕES E SUAS ESTRELINHAS

GRUPO A NORUEGA Treinador: Bjorn Hansen Jogador-estrela: Kristian Onstad REPUBLICA CHECA Treinador: Josef Krejca Jogador-estrela: Jun Tomas ESLOVÁQUIA Treinador: Peter Polak Jogador-estrela: Igor Hrabach ESPANHA Treinador: Iñaki Saez Jogador-estrela: Fernando Torres GRUPO B INGLATERRA Treinador: Martin Hunter Jogador-estrela: Jermain Jenas ALEMANHA Treinador: Uli Stielike Jogador-estrela: Moritz Voltz BÉLGICA Treinador: Van Geersom Jogador-estrela: Jonathan Blondel. REPUBLICA IRLANDA Treinador: Brian Kerr Jogador-estrela : Brian Murphy

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