Na "relva azul", Guarín, Maicon, Fucile e James: a rotatividade secreta e os titulares que "não jogam de início"
Sinceridade táctica. A manutenção da consistência física e mental através de uma época longa (muitos jogos a pedir recuperações curtas) é hoje o grande desafio para qualquer equipa que quer triunfar a top. Ponto de partida para a rotatividade: definir o onze base e, ao mesmo tempo, definir o quatro base que, cirurgicamente, entra e mantém a máquina táctica em funcionamento sem lhe provocar bruscas mudanças de comportamento/equilíbrio. As expressões, titulares e alternativas, do FC Porto, espelham essa lógica de funcionamento. As peças preferenciais da rotação azul estão perfeitamente identificadas.
Guarin é o jogador-chave que activa a rotação de uma peça do 3 do meio-campo. De início, pensava-se que esse papel principal pertenceria a Ruben Micael, mas o upgrade de conhecimento táctico (e amplitude periférica) do colombiano (de médio de pressão/contenção a queima-linhas/rematador) ganhar um espaço antes impensável na equipa. Pode hoje entrar para os três lugares do sector, embora seja a nº8 sem rédeas que se exprime melhor. E, assim, a rotação do 4x3x3 não treme na casa de máquinas do meio-campo.
No 3 do ataque, sobre os flancos, o jogador-chave da rotação é James. Entra no espaço de Varela. Mantém largura, mas joga mais por em zonas interiores. Varela quando vai para dentro, em geral, procura uma diagonal tendo mais na mente o remate que o passe.
No 4 da defesa, os jogadores-chave da rotação são, nas faixas, Fucile (sobretudo após a lesão de Emidio Rafael) e no centro, Maicon. O facto de Fucile poder jogar nos dois lados facilita essa alternância. Sapunaru cresceu muito em termos de agressividade no posicionamento táctico (e é forte no jogo aéreo), mas o jogador que marca mais a diferença é Álvaro Pereira sobretudo pela velocidade vertical que imprime a todas as suas acções (e faz menos faltas que na época passada). Maicon precisa de se expor menos aos erros, a cultura da equipa pede-lhe uma posse que a sua limitação técnica não permite. Rolando funciona cada vez mais em dupla com Otamendi (noção decisiva para, numa equipa de top, os centrais serem tacticamente vistos prioritariamente em dupla e não apenas individualmente).
Quando mexe na equipa, mexe, em geral, no meio-campo. Ou melhor, dando mais um elemento ao meio-campo. Timing da mudança: entre os 60 e os 75 minutos. Tira um ala do ataque e, assim, faz o 4 do meio-campo, base intermédia do 4x4x2 e suas variantes (losango ou 1x3). Evita, assim, o desgaste e fadiga táctica que o 4x3x3 pode mais facilmente provocar na equipa (e jogadores individualmente) e evita falar em jogadores cansados ou equipa desgastada. O momento em que a faz a mudança também não é inocente. No limite, a equipa começa a recuperação para o jogo seguinte ainda no...jogo anterior. O 4x4x2 permite, claramente, descansar melhor com a bola (a posse pela posse).
No futebol, as coisas, quase sempre, são mesmo como parecem e as melhores equipas vêem-se por trás do papel que atingem os ditos jogadores mais vulgares.
