Da observação da primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões, uma equipa merece destaque: o campeão suíço FC Zurich que venceu o Salzburg de Trapattoni e Mathaus (2-1). Orientada pelo experiente Lucien Favre, tem um estilo de jogo apoiado, marcando muito a meio campo, baseando os seus movimentos ofensivos nas subidas dos seus laterais e na imaginação de uma imprevisível dupla de pontas de lança.

O sistema preferencial é o 4x4x2, com centrais fortes (com o experiente finlandês Tihinen a comandar os timings de saída e corte) e um pivot defensivo com excelente leitura de jogo: Dzemali. Posiciona-se bem nos espaços, tanto a recuperar como para iniciar a transição defesa-ataque, com precisão de passe. O médio de transição clássico é, no entanto, o turco Inler, interior-esquerdo. Recua quando a equipa não tem a bola e auxilia Dzemali na recuperação e depois solta-se a auxiiar César na segunda linha, a zona de construção. Nessa estratégia tem a seu lado Margairaz, interior-direito, desenham os vértices adiantados do triângulo do meio campo, ora acelerando o jogo, ora temporizando a posse de bola. Tem ambos 22 anos, e mesclam condição física com a técnica.
A atacar, sem extremos típicos, as asas nas faixas são os laterais: Stahel, 21, à direita, e Schneider, à esquerda, este médio ala de origem. Sobem sempre para causar desiquilibrios nos últimos trinta metros, não se limitando a apoiar. Os seus movimentos são acompanhados das deambulações dos dois avançados, o guineense Keita, 23, e o brasileiro Rafael, 21. Dois jogadores esquivos, rápidos, com elevado nível técnico e muito oportunos a surgir nos espaços vazios. Nessa dinâmica, Keita joga mais em cunha entre os defesas adversários e Rafael recua mais em apoio, para fugir ás marcações e depois entrar de trás com criatividade. O grande apoio desta dupla e cérebro da equipa na construção atacante mora porém um pouco descaído sobre a esquerda. É o brasileiro César. Flecte muito bem no terreno para, de cabeça erguida, fazendo circular a bola, abrindo jogo, servindo o ponta de lança Keita ou tentando o remate para golo. É um pouco lento, mas sempre que toca na bola faz a equipa mexer-se em termos ofensivos.
Veremos agora como reage este interessante FC Zurich no jogo da segunda mão em Salzburg.