França: A decisão colectiva

January 7, 2011 11:30 PM
Helena Costa no MUNDIAL FEMININO. Como ganhar o jogo no 11x11, pela organização, e não no 1x1

SATELITE DE FUTEBOL - HELENA COSTA

FIFA WOMENS`S WORLD CHAMPIONSHIP 2011   (3)

No Planeta do Futebol, a visão do satélite de futebol Helena Costa sobre o Mundial feminino 2011, na Alemanha. Equipas, atmosferas, estrelas e ideias. O futebol feminino na sua máxima expressão, o Mundial, visto a partir de várias dimensões.  

FRANÇA E A REFERÊNCIA DE DECISÃO COLECTIVA

  
Bruno Bini, seleccionador Francês, optou por jogar em 1:4:2:3:1 contra o Canadá. À primeira vista pensamos que o meio campo seria pensado e ocupado por cinco jogadoras. Contudo, sistemas de jogo não traduzem dinâmicas e raramente um resultado de jogo não expressa a dinâmica de uma das equipas.

Jogando com dois pivots (Bussaglia e Soubeyrand), a França dispôs numa segunda linha do meio-campo, Abily à direita, Necib no centro e Thiney à esquerda. Delie foi a avançada. Mas esta apenas foi a estrutura em teoria! Thiney foi a jogadora que mais “falsificou” o sistema de jogo e que maior dinâmica lhe possibilitou, independentemente dos dois golos que marcou.

Aquando de uma primeira fase de construção de jogo do Canadá (sector defensivo em posse), Thiney recuou para a primeira linha média francesa, juntando-se às duas pivots - raramente Abily (no corredor direito) a substituiu neste “papel táctico”. Assim sendo, a França defendia em 1:4:3:1:2, com um triângulo formado entre Necib (média mais ofensiva), Delie (avançada) e Abily (extremo direito).
 
O espaço que Thiney libertou no corredor esquerdo, foi a “provocação táctica” necessária para toda a dinâmica atacante! O deslocamento da avançada Delie...a referência de decisão colectiva!
 
Aquando da recuperação da posse, se Delie solicitasse passe através de desmarcação em apoio no corredor central, dando apoio para receber a bola, Necib e Abily garantiam largura e profundidade ofensivas à esquerda e direita, respectivamente. Se Delie se deslocava em diagonal para a direita, Abily apoiava em diagonal interior, garantindo Necib largura e profundidade ofensivas no corredor esquerdo. Quando a avançada se deslocou da mesma forma para a esquerda, Abily manteve a posição, dando largura à direita e Necib assumiu profundidade ofensiva no corredor central, desempenhando momentaneamente a missão táctica de avançada.
 
 
A forma como a selecção Gaulesa garantiu equilíbrio defensivo e em simultâneo preparou a transição e organização ofensivas, confirma de que os diferentes momentos de jogo estão interligados, de que o jogo é continuo, sendo também um factor estratégico. O resto foi resultado da cultura táctica, do conhecimento e interpretação do cenário táctico, de criatividade e de talento.
 
O jogo não é (ou não deve ser!) mais do que isso: o deslocamento e acção de uma jogadora é a constante referência de decisão das restantes, definindo posicionamentos e deslocamentos num futuro imediato. As trocas posicionais constantes nascem por garantia de largura e profundidade, por necessidade de se marcar golo. Não se formata ou castra a liberdade de uma jogadora decidir, e uma vez tomada a decisão, a restante equipa apenas tem de se adaptar. Mas este apenas é muito complexo...
 
A troca/permuta de posicionamentos, exige saber para onde e quando me devo deslocar, mas principalmente exige-me saber desempenhar outras funções tácticas. Requer por isso uma cultura táctica vastíssima, que a selecção Francesa tem, na qual Necib é o melhor exemplo.
 
No final do jogo McLeod, capitã do Canadá referiu que a França ganhou o jogo no 1x1. É uma forma de ver e sentir o jogo! Na minha opinião ganhou claramente no 11x11, pela sua organização!
 Helena Costa, Alemanha 2011
 
FIFA WOMENS`S WORLD CHAMPIONSHIP 2011   (3)
 
 
 
 
 

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