
É hoje uma das equipas mais sedutoras do futebol europeu. Quatro vezes consecutivas campeão francês, falta a este Lyon a vitória (ou pelo menos chegar à final) numa prova europeia para lograr a consagração internacional que o faça ficar na história.
O mais atraente neste belo projecto-Lyon é, porém, a fidelidade a um modelo de jogo, para lá dos sistemas tácticos, que sobrevive à troca de treinadores e mantêm-se mesmo quando saem jogadores chaves, sempre substituídos com grande precisão, nunca mexendo na obra-máquina feita.
Esta época, sucedeu o mesmo, apesar da saída do sábio Le Guen, o treinador-tranquilo. No seu lugar, Houlier, regressado ao futebol francês, gere o mesmo modelo, alicerçado em jogadores rápidos que sabem jogar em um-dois toques, fazem correr a bola e abrem o jogo pelas faixas.
Tacticamente, monta um triângulo à frente da defesa, com Diarra como trinco no vértice recuado, soltando, depois, dois volantes transportadores de bola, os médios interiores Juninho Pernambucano, sobre a esquerda, e Pedretti, o substituto de Essien, sobre a direita.
As asas propulsoras do onze moram, porém, nas alas, onde Govou e Malouda fazem evoluir o 4x3x2x1 para 4x3x3, com um ponta de lança corpulento em cunha entre os centrais, Carew.

No Mónaco, Deschamps prefere modelos com dois avançados, Adebayor e Chevanton –enquanto espera o regresso de Kapo- sempre em movimento entre o sector defensivo adversário. Baseando o jogo pelas faixas nas subidas dos laterais Maicon e Evra, a âncora do meio campo é o trinco argentino Bernardi, protegendo a segunda linha criativa com dois interessantes reforços: o ala Maoulida, ex-Rennes e um playmaker que gosta de cair para a esquerda, dono de sublime uma visão de jogo, Meriem, em busca da definitiva afirmação da sua classe.
É um sistema semelhante ao que Ricardo Gomes montou no Bordeaux, esquematizado num 4x4x2 com dois trincos-volantes, Cheyrou e o incansável Mavuba, raramente falha um passe, é claramente um jogador de selecção.
No ataque, dois avançados móveis que se complementam muito bem, embora nenhum deles seja, como o suplente Laslandes, tipicamente de área: Darcheville, desmarca-se nos espaços vazios e joga muito bem sem bola, e o virtuoso marroquino Chamakh. Descaído sobre a esquerda, Smicer pega no jogo em constantes diagonais.
O novo Paris St.Germain de Fournier

Findo o ciclo de Halilhodzic, o Paris St.Germain entregou a reconstrução do seu edifício futebolístico a um antigo lateral-direito, Laurent Fournier, que viveu, no relvado, o ultimo título nacional conquistado pelo onze parisiense, em 94, então ainda orientado por Artur Jorge.
Saído da equipa B, Fournier parece não sentir o abalo da transição. Transmite serenidade no banco, e, em campo, a equipa, bem distribuída, revela já uma mecanização avançada.

Esquematizada em 4x1x3x2, o seu circuito preferencial de jogo inicia-se num trinco recuperador e muito lúcido no primeiro passe, M`Bami. É um tipo de jogador, de origem africana, que, diga-se, abunda no futebol gaulês (Makelele, Diarra, Oruma, Makoun. Mavuba, etc). A partir dos seus pés, como uma placa giratória, traçam-se as coordenadas do colectivo, soltando, sobre a direita, o pendular Cissé e, na esquerda, o rompedor Rothen.
As grandes aquisições que deram sangue novo ao onze, moram, porém, no corredor central: Dhorasso e Kalou. Tem estilos diferentes. Dhorasoo é um criativo que, perto dos 32 anos, sabe sempre os terrenos que pisa. Os seus timings de jogo são perfeitos. Sabe quando tornar o jogo mais lento, ou, em drible, quando lhe deve imprimir maior velocidade nas transições defesa-ataque, servindo a linha mais ofensiva do onze, onde está, como segundo avançado, o marfinense Kalou, sempre em passada larga, criando perigo a cada bola que toca nas imediações da área, onde vive um ponta de lança, Pauleta, reencontrado com o golo.
Para dar segurança a este meio campo-ataque, mora no eixo da linha defensiva, uma forte dupla de centrais, formada pelo colombiano Yepes, El Chefe, com bom jogo aéreo, e o reforço checo Rozehnal, mais solto, com bom toque de bola. Nas faixas, os laterais Mendy e Armand sabem manobrar muito bem as compensações defesa-ataque, subindo ora em apoio, ora em desequilíbrio.
Uma equipa muito inteligente no plano táctico-técnico, que, pode sonhar, 12 anos depois, em resgatar para Paris o título gaulês. Veremos…