FUTEBOL ALEMÃO: Do 3x5x2 ao 4x1x3x2

September 8, 2003 12:00 AM
No passado, muitos grandes treinadores fizeram a gloriosa história do futebol alemão. Homens sábios, mais do que simples técnicos, estudiosos do comportamento humano, como o velho Herberger, o pai da dinastia musculada, o revolucionário Weisweiler, criador do grande Monchengladbach dos anos 70, o polémico Latek, um motivador nato, até, claro, ao campeão mundial de 1974, Helmut Schon, o homem que dizia desconfiar sempre da motivação mais fácil.
Tacticamente, porém, nunca foram grandes inovadores. Nesse capitulo, o futebol alemão consagrou-se, historicamente, como o grande embaixador do 3x5x2, um sistema hoje gloriosamente revitalizado na América do Sul, mas ancestral no anglosaxónico futebol germânico. Para o colocar em ebulição, sempre tiveram grandes liberos, duros stoppers e, num posto vital para a dinâmica desse sistema, grande laterais ofensivos, daqueles que correm 90 minutos de um só fôlego, como Vogts, Kaltz, Breitner, Briegel, Berthold, Brehme, entre outros. Hoje eles quase desapareceram dos relvados teutónicos. Apesar da relativa crise geracional que atravessa, o futebol alemão é, hoje bastante diferente do dos anos 70 e 80. Mantêm a força física e mental –o grande segredo da maioria das suas vitórias- mas melhorou tecnicamente e alterou quase radicalmente o seu desenho táctico. Abandonou o 3x5x2, e, hoje, quase todas as suas equipas jogam num clássico 4x4x2, utilizando depois, cada qual, a variante preferida desse sistema. Entre elas, sobressai, nos relvados germânicos, o compacto 4x1x3x2. Tal opção táctica saltou á vista, desde logo, no inicio da Bundesliga 2003/04. Assim, em relação aos latinos, por exemplo, o 4x4x2 teutónico distingue-se, com personalidade própria, por, regra geral, só jogar com um trinco, um médio-defensivo típico, á frente da defesa. No ataque, imperam dois pontas de lança que se complementam e sabem jogar em conjunto. É o triunfo do 4x1x3x2, sistema vislumbrado, por exemplo, no Bayer Munique, Stuttgart, Schalke 04, Leverkussen e Werder Bremen, cada qual, porém, com as suas dinâmicas específicas, adaptadas às características dos jogadores ao dispor e, claro, respectivas opções dos treinadores. Assim, na primeira análise á nova época, destaca-se, no novo Bayern de Hitzfeld, o facto de Ballack surgir um pouco mais adiantado, como uma espécie de eixo central de uma linha vertical que atravessa o meio campo e vai da defesa ao ataque, composta, nas pontas, por Hargreaves, á frente dos centrais, e Deisler, atrás dos pontas-de-lança. No centro, Ballack abre o jogo, sobressaindo mais a asa esquerda com Zé Roberto e Rau nas triangulações. Apesar das mudanças tácticas, o sexto sentido do futebol alemão continua, porém, no músculo.

TÁCTICAS: Magath, Schaaf e Sammer - Três técnicos da nova vaga

Na hora em que em Heynckes regressa á Bundesliga após oito anos de ausência, é possível falar hoje numa nova elite de treinadores alemães a entrar na casa dos 50 anos: Peter Neururer, Felix Magaht, Friedhelm Funkel, Jurgen Rober e Ewald Lienen, seguidos de outra geração, mais jovem, com Thomas Schaaf, Matthias Sammer e Klaus Augenthaler. Neste universo, destaca-se um nome: Magaht, 50 anos, obreiro do belo Stuttgart. Como jogador, no grande Hamburgo dos anos 80, junto de Kaltz e Hrubesch, já era, pautando o jogo com a lentidão dos velhos nº10, um segundo treinador em campo. Nesse tempo, aprendeu com raposas como Zebec, exímio na disciplina táctica, e Happel, profeta da zona e do futebol ofensivo. Hoje, mescla tacticamente as duas escolas. A época passada, 2º classificado, destacou-se com um 4x1x3x2 dinamizado por dois nº10: Balakov e Helb. Esta temporada, mantêm o meio campo apenas com um trinco, o experiente Soldo, mas sem Balkov, surge, para já, com a reciclada opção de desenhar o losango no meio campo, colocando Helb no vértice ofensivo, atrás dos pontas de lança Kuranyi e Szabics. É um sistema algo parecido com o do Werder Bremen de Schaaf, onde também coexistem dois médios de estilo regista: Listez, mais recuado, e, como que fazendo o vértice superior do triângulo ofensivo, o criativo francês Micoud, atrás de dois avançados com golo no sangue: o veloz Aliton e o oportunista Charisteas. Em contraste táctico, estão Borussia Dortmund e Hamburgo, com um 4x4x2 mais longo, com dois médios defensivos, estendendo-se, em campo, num 4x2x2x2, que, na fase ofensiva, vira 4x3x3. Sem Frings e Kehl, a dupla de trincos, Sammer também optou pelo 4x1x3x2, mas perdeu consistência a meio-campo. O Schalke-04 de Heynckes começou a época só com um alemão. O guarda redes Rost. No seu multinacional 4x1x3x2,com Poulsen a marcar o ritmo atrás, atenção ao cruzamento de estilos do ataque, com o truculento Asamoah, ganês naturalizado alemão, o frio dinamarquês Sand e, sobretudo, o gigante nigeriano Agali.

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