FUTEBOL ASIÁTICO: China e Arábia Saudita

28 de Dezembro de 2001
Num continente com mais de 3 biliões de habitantes, cerca de 60% da população mundial, o futebol asiático expressa cada vez maior poder competitivo. Durante longos anos, o coreano Pao-Do-IK, autor do golo que bateu a Itália no Mundial-66, foi a única grande estrela asiática. Aos poucos, porém, o cenário foi mudando. Bum Kum Cha, anos 80 e Owiaran, anos 90, entre outros, levaram o perfume asiático pelo mundo. No presente, na senda de Nakata, destacam-se outras figuras de nível internacional. Na China, o central Fan Zhil, o grande capitão, 32 anos, do Crystal Palace, o guarda redes Jian Jin, um gigante de 2,02 metros, o defesa Zhang Enhua e o malabarista Sun Jiahi. Na Arábia Saudita, o simples pronunciar do nome Al Jaber, suscita de imediato vénias. Mais do que um simples jogador, tornou-se, aos 29 anos, numa lenda do futebol árabe. Avançado por natureza, recua muitas vezes no terreno para por ordem no onze. É como um segundo treinador no relvado. A nível interno logrou todos os títulos, no Ali Hilal, o seu clube de sempre, tirando uma curta experiência em Inglaterra, sem sucesso, no Wolverhampton Outras estrelas são o defesa Al Khilaiwi, próximo das 150 internacionalizações e os médios Al Temyat e Al Meshal. Longe de ser um viveiro de talentos, a Arábia Saudita exibe, porém, um jogo de grande nível técnico, distinto do veloz e vertical estilo coreano ou japonês, pelo que é conhecida como o Brasil da Ásia. Mais do que investimentos megalómanos, o futebol saudita necessita de criar uma identidade própria que, cruzada com a influência estilística brasileira, produza uma imperiosa revolução de mentalidades, evitando recorrer, ciclicamente, a treinadores estrangeiros a quem nunca dão tempo para trabalhar. Nasser Al Johar, antigo internacional, que guiou a selecção ao Mundial, após o despedimento de Santrac, repetindo o ocorrido na Taça da Ásia, onde, após a saída de Milan Macala, levou a equipa á final, já provou ser o homem certo para tal missão, mas os príncipes preferem um feiticeiro estrangeiro.

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