Quando em 1990, no Mundial de Itália, a selecção da Costa Rica, orientada pelo trotamundos Milutinovic, causou sensação ao bater as poderosas Suécia e Escócia, um jovem veloz extremo direito, mortífero nos lances de contra ataque, despertara as atenções do mundo do futebol: Medord. Onze anos depois, após cinco épocas no México, continua dono do mesmo estilo. Com 33 anos, a jogar no Deportivo Saprissa, está, obviamente mais lento e pesado, mas, muito experiente, foi ele a guiar, com os seus golos e dribles, a selecção dos Ticos –nome pelo qual é conhecido o onze costariquenho- ao Mundial 2002, hoje orientada por um homem que em 1990, fora autor de um passe de morte para um memorável golo de Medord. Trata-se do brasileiro naturalizado costariquenho Alexandre Guimarães. Antes de rumar ao Oriente, a sua ambição é, pela primeira vez na sua história, levar a Costa Rica á conquista da Gold Cup, contando para isso com o talento de Meford e de uma geração renovada onde também brilham Reynaldo Parks, Rolando Fonseca e Paulo Wanchope, o perigoso avançado do Manchester City.
Se lograr tal proeza, Guimarães colocará a Costa Rica entre uma elite de vencedores onde até há dois anos apenas estavam México e EUA. O triunfo do Canadá em 2000, obra dos golos de Carlo Carrizzo e das defesas de Craig Forrest, batendo a Colômbia na final, impediu verificação do estranho fenómeno de entre a lesta de vencedores da prova maior de selecções da CONCACAF, surgisse uma selecção de outro continente.
Nesta 6ª edição da Gold Cup da CONCACAF, a intenção dos organizadores é, mais uma vez com a presença de selecções com maior projecção internacional, atrair os olhos milionários das televisões, sponsors e demais agentes comerciais que fazem do futebol de final de século um negócio de milhões. Uma estratégia vistosa se os convidados de honra forem, como o Brasil, presente em 1998, mas contraproducente com nações de segundo plano internacional, como sucedeu em 2000, onde com Colômbia, o Peru e a Coreia do Sul, a prova foi um fiasco financeiro e desportivo. Este ano, para revalidar o titulo, Oleger Osiek, o seleccionador alemão do Canadá, terá que bater os convidados Equador e, de novo, o onze coreano.
Se a CONCACAF pretende, como disse, equiparar esta Gold Cup ao Europeu da UEFA, deve rever os seus critérios de organização, evitando, com tais estratégias, o descrédito internacional do seu futebol, tornando a prova não num passeio de selecções caçadores de dólares, mas antes numa montra do futebol da região que, na ultima década, produziu estrelas como o tobaguenho Dwight Yorke, o americano Alexy Lalas e, entre muitos outros, o mexicano Luís Hernandez.
MEXICO, EUA e os convidados da Coreia do Sul
Adversário de Portugal na primeira fase do Mundial 2002, os EUA de Bruce Arena são uma selecção ainda em fase de crescimento. Com um liga americana a agoniar numa grave crise financeira, o soccer vive sobretudo de, e para, a sua selecção, que, no seu interior, tem mais espirito de equipa, do que qualquer outro clube privado da MSL.
Preparado para jogar o seu terceiro Mundial consecutivo, Claudio Reina é, aos 28 anos, o grande emblema do soccer americano. Filho de pais argentinos, simbolizando o microcosmos social que são os EUA, adquiriu nas últimas oito épocas passadas na Europa -onde se tornou no primeiro americano capitão de um clube estrangeiro, o Wolfsburg– uma maturidade competitiva que o tornou como que um segundo treinador dentro do campo. Actualmente no Glasgow Rangers, é ele que, polivalente, percorrendo todo o campo, melhor transmite, no relvado, as ordens do técnico Bruce Arena, que após a passagem de Milutinovic em 1994, ganhou o respeito de todos os sectores do futebol americano após, em 1999, surpreender o mundo, ao derrotar, por duas vezes, a poderosa Alemanha. No seu esquema a equipa baseia-se essencialmente na segurança defensiva, chefiada por Jeff Agoss, e num excelente guarda redes, Kasey Keller
Apesar do carisma de Reyna, a grande revelação do actual onze americano é, neste momento, o jovem avançado centro Donovan, 19 anos, jogador do San José Earthquakes, -o qual, com os seus golos, venceu a MSL- após duas épocas no Kaiserlautern, mas quase sem jogar. Juntos, Reyna e Donovan, são actualmente os jogadores mais valiosos da selecção de Bruce Arena, grande favorita para a conquista desta Gold Cup 2002, a disputar-se nos Estádios de Miami e Passadena, mais habituados, durante o ano, ao basebol e ao football americano do que ao soccer, produto sobretudo dos emigrantes de segunda geração
Também sobre olhar atento de António Oliveira, estará o onze coreano que, exibindo sempre um jogo veloz e vertical, ganhou maior cultura táctica com a chegada de Guus Hidink. Mais do que no triunfo, o treinador holandês aposta com esta Gold Cup, solidificar o jogo da sua selecção, tornando-a mais competitiva, capaz de apagar a imagem de excessiva debilidade que ficou das ultimas participações mundialistas. É difícil descobrir grandes individualidades no futebol asiático, mas, neste momento, toda a Republica da Coreia se orgulha dos seus emigrantes Seol, avançado do Anderlecht e Sim Won, lateral direito do Eintracht Frankfurt. Com a sua experiência europeia, o onze adquire maior nível experiência internacional.
MÉXICO, UM HISTÓRICO SEMPRE FAVORITO
A historia do futebol mexicano é das mais ricas do mundo. Histórico dominador da região da CONCACAF, irá somar no Oriente a sua 12ª participações na fase final do Mundial. O talento dos seus jogadores, misto de técnica sul americana com a garra latino-americana tem, ao longo dos anos, gerado atraentes onzes, mas carentes de maior exigência competitiva, face á debilidade da maioria das outras selecções da CONCACAF, onde o grande e histórico duelo se realiza entre México e EUA. O primeiro confronto foi em 1934 e nos 45 duelos que desde aí se realizaram, o onze mexicano venceu 28, perdendo apenas 10, mas nos últimos 15 jogos apenas por 5 vezes dobrou os astecas venceram os cowboys. Durante o apuramento para o Mundial 2002, a tendência manteve-se, com uma vitória para cada selecção (México, 1-0, e EUA, 2-0).
Um duelo que poderá ser repetido nesta Gold Cup 2002, numa altura em que o futebol mexicano, que conheceu três treinadores durante o ano transacto, -Lapuente, Mezza e Aguirre- atravessa uma fase de renovação, na qual se destaca o avançado Palencia, hoje jogador do Espanhol, depois de se evidenciar no Cruz Azul.
Entre as outras selecções, muita atenção ao médio Raul Arce e ao avançado Adonay Martinez, figuras do onze de El Salvador, Carlos Ruiz, da Guatemala, para até, obviamente, dos convidados do Equador, onde brilham entre outros, o goleador Delgado e o maestro Aguinaga.
CONCACAF GOLD CUP
Quadro de vencedores
1992 EUA
1994 MEXICO
1996 MEXICO
1998 MEXICO
2000 CANADÁ
Grupo A
MEXICO
GUATEMALA
EL SALVADOR
Grupo B
EUA
REPUBLICA DA COREIA
CUBA
Grupo C
COSTA RICA
TRINIDAD E TOBAGO
MARTINICA
Grupo D
CANADÁ
EQUADOR
HAITI