GOLD CUP 2003 : O regresso da alma mexicana

July 29, 2003 12:00 AM
COMO O MÉXICO RECONQUISTOU O TITULO DE CAMPEÃO DA CONCACAF


Apesar da constante presença de selecções, como o poderoso Brasil, vindas de fora do espaço territorial da Confederação da América do Norte, Centro e Caraíbas, o titulo de campeão da CONCACAF continua na posse dos seus históricos representantes. Em 2003, o vencedor foi o novo México de Ricardo Lavolpe, um argentino com coração aszteca.
Na hora em que termina a 7ª edição da Gold Cup, este é o perfil -nomes e táctica- do renovado futebol mexicano, onde se fala, também, do sedutor Brasil Sub-23 de Káká, mais um génio traído pela altitude.
Há dez anos, no verão de 1993, quando conquistou a sua primeira Gold Cup, que começara a disputar-se em 1991, o México tinha como principais figuras nomes como Hernandez, Hermosilo ou Luiz Garcia. Uma década depois, as estrelas asztecas são outras, mas o seu histórico domínio no seio do desiquilibrado e exótico futebol da CONCACAF, continua, apesar da subida de nível competitivo dos EUA, intocável, mesmo quando para dar maior visibilidade internacional á sua prova, a Confederação da América do norte, central e Caraíbas, convida para o seu torneio, outras selecções, mais fortes, vindas da América do Sul, como a Colômbia e o poderoso Brasil, este ano presente pela terceira vez na Gold Cup. Apesar da temível presença canarinha, a sua lista dos vencedores continua, no entanto, fiel á génese territorial e, até hoje, o titulo nunca fugiu da pose das suas selecções. Principal responsável: o México, com quatro triunfos (93, 96, 98 e 2003) Consciente que, no presente, a sua principal missão reside em renovar o onze mexicano de forma a mante-lo entre a elite do futebol mundial, o seleccionador Ricardo Lavolpe decidiu reunir nesta Gold Cup (espécie de ensaio para o apuramento do Mundial-2006) um grupo de jovens talentos que, em breve, irão ser a base da nova selecção mexicana. Como principal dificuldade, o facto da maioria das equipas mexicanas estarem repletas, nos seus postos-chave, de jogadores estrangeiros. Depois dos calmos Miguel Mejia Barón e Javier Aguirre, a selecção aszteca tem agora no seu comando um homem muito diferente, no carácter e na filosofia futebolística defendida: Ricardo Lavolpe, 51 anos, um argentino com coração mexicano, país onde já está há quase 25 anos. Chegou ainda como jogador, em fins dos anos 70, após ter sido o terceiro guarda redes da Argentina no Mundial-78. Jogou no Atlante e no Oaxtepec. Finda a carreira tornou-se treinador. Nunca mais saiu do México. Passou pelo Puebla, Atlante, Guadalajara, Querétaro, Atlas e Toluca. Em todos os lados, as suas equipas cativaram pelo seu estilo ofensivo. Uma fama que, findo o Mundial-2002, motivou o convite para se tornar o novo seleccionador mexicano. Quem vê a forma como vibra no banco e assistiu a como festejou, chorando agarrado aos jogadores, a conquista desta Gold Cup-2003, logo entende que estamos perante um homem que ainda vive o futebol á moda antiga. Depois de muito criticado pelo fraco jogo exibido, Lavolpe ganhou novo fôlego para partir em busca de mais conquistas.

A armada aszteca de Lavolpe

Tacticamente, Ricardo Lavolpe, no trilho da nova escola argentina, é um adepto do 5x3x2 que, na dinâmica ofensiva pelos flancos, se transforma em 3x5x2. Observando a evolução da selecção mexicana desde que lhe assumiu as rédeas, podem-se detectar quais as prioridades que impôs para a sua reconstrução: 1º: solidez defensiva, com três bons defesas que, pelo seu valor, permitam jogar, com segurança, sempre com a defesa a «3»; 2º: dois volantes centrais no meio campo, bons a defender e a iniciar a saída de bola; 3º dois médios ofensivos criativos e rompedores; 4º: um ponta-de-lança mortífero e lutador. O onze presente nesta Gold Cup, já deu boas indicações para o sucesso deste plano. Embora a maior força atacante resida em dois jogadores mais rodados, o médio ofensivo Arellano e o nº9 Borgetti, ambos com 30 anos, a idade média da equipa está entre os 24/25 anos. Na defesa, sem o central Marquez, que, já no Barcelona, só jogou a meia final contra a Costa Rica (2-0), destacaram-se três defesas muito fortes técnica e fisicamente: Briseño, Tigres, 25 anos, no centro, Osorio, Cruz Azul, 23, na esquerda, e Salazar, Atlas, na direita, 24. Subindo pelas alas, Carmona, 28, á direita, e Valdez, 30, á esquerda, ambos do Toluca. Os motores do onze, mora, no entanto, a meio campo, onde estão jogadores para seguir com muita atenção no futuro: Luis Perez, do campeão Monterrey, 22, dono de grande leitura de jogo, Pavel Pardo, America, 27, um armador que inicia, com objectividade, a saída da bola para o ataque, Daniel Osorno, Atlas, 24, médio-ofensivo, muito forte a furar no ataque, Omar Bravo, Guadalajara, 23, uma promessa com sentido táctico. Como jogadores mais adiantados, Jesus Arellano, claramente o melhor jogador mexicano da actualidade, que, partindo da faixa direita, joga como falso avançado, e o perigoso ponta-de-lança Borgetti, forte no corpo a corpo, potente remate e bom jogo aéreo.

O BRASIL SUB-23 DE RICARDO: A orquestra de Diego e Káká

Conduzido, em campo, pela classe de Kaká, o Brasil Sub-23, orientado, no banco, por Ricardo Gomes, foi, apesar de não ter conquistado o trofeu, a equipa que melhor futebol apresentou nesta Gold Cup-2003. Seria, no entanto, derrotada, duas vezes, pela selecção mexicana. Apesar do valor aszteca, outros factores contribuíram para esses desaires. No primeiro jogo, a falha na concretização, num jogo que dominou totalmente. No segundo, a altitude, que colocou, desde o meio da segunda parte, os jogadores brasileiros com a língua de fora e a jogar quase a passo perante a maior frescura e habituação mexicana a essas difíceis condições climatéricas. No jogo decisivo, elas fizeram a diferença. O futuro está, no entanto, garantido. Esta selecção canarinha Sub-23, esquematizada sempre em 4x4x2, é um must de talentos, liderado, a meio campo, por dois nº10 no estilo e na vocação: Diego, mais cerebral e com futebol apoiado, e Káká, mais explosivo, veloz e imaginativo. Como volantes armadores, Paulo Almeida e Julio Baptista, autênticos pêndulos do meio campo que, partindo da zona dos trincos, dão consistência táctica ao colectivo. Na defesa, uma dupla de zagueiros segura e elegante, Alex-Luisão, e dois laterais seguros a defender e acutilantes a atacar, Adriano, á esquerda, e Maicón, á direita,. No ataque, Robinho, muito apagado nesta Gold Cup, tem o apoio de Nilmar, um franzino e esquivo centro-avante. Tudo estrelinhas brasileiras para brilhar nos próximos Mundiais. Antes, estão, porém, os Jogos Olímpicos 2004

O ONZE DA GOLD CUP-2003

Gomes (Brasil) Maicón (Brasil) Briceño (Mexico) Alex (Brasil) Adriano (Brasil) Luis Pérez (México) Diego (Brasil) Kaká (Brasil) Arellano (México) Borgetti (México) Donovan (EUA)

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