GRÉCIA: A queda do império grego

8 de Junho de 2005
Um ano depois de sagrar-se campeã da Europa, a Grécia voltou a descer á dura realidade e, neste momento, após perder em casa com a Ucrania, corre sérios riscos de falhar o apuramento para o Mundial-2006, já impossivel de forma directa. Afinal, onde encravou a mórbida máquina grega que devorou o Euro-2004?
Quando, pouco tempo depois de se sagrar campeã europeia, a Grécia iniciou, na Albânia, a sua fase de apuramento para o Mundial 2006, tinha a recebê-la um cartaz dizendo “Isto não é Portugal!”. E não era, de facto. Perdeu o jogo, perdeu confiança, atrasou-se na classificação e agora já está afastada da qualificação directa para a Alemanha. Mas, afinal, onde encravou a mórbida máquina grega que devorou o Euro-2004? No fundo, a selecção grega foi superada pelas suas próprias proezas, ficou prisioneira delas e quando, findos os festejos, quis voltar ao normal, sentiu que nunca mais um adversário os olhou da mesma forma. Na base do seu triunfo no Euro-2004, esteve o rigor defensivo e o mortífero contra-ataque, por vezes numa simples bola parada. Na abordagem dos dois jogos cruciais desta semana (Turquia, fora, e Ucrania, casa), a Grécia sabia que tinha de ganhar. O onze-base continua o mesmo. Apesar de entrar visivelmente nervosa, a equipa revelou, no entanto, personalidade e soube atacar o jogo, mas, em vez dos espaços vazios para o contra ataque, Giannakopoulos, Karagounis e Vryzas, deparam-se agora com cerrados muros defensivos.
Foi o que sucedeu frente á Ucrania, onde Rehhagel, em vez do 4x4x2 utilizado na Turquia (0-0), optou por um sistemas de três defesas, estendido numa espécie de 3x2x3x2. Cometeu, porém, o erro estratégico de colocar o cerebral Basinas no eixo da defesa a «3» (ao lado de Goumas e Kapsis), abandonando assim o seu lugar de pivot á frente da defesa, onde é usual comandar o triângulo basculante que garantiu a consistência defesa-ataque-defesa de todo o colectivo. Ao mesmo, Zagorakis adiantou-se para perto de Karagonis, movimentado-se atrás da linha atacante, onde Charisteas jogava em cunha e Gainnakopoulos e Vryzas abriam nas alas, dependendo a dinâmica do sistema das diagonais destes para apoiar o ponta de lança. Assim, neste esquema, Basinas jogou demasiado recuado, e Zagorakis, pelo contrário, alinhou demasiado adiantado. Nesta encruzilhada, a equipa perdeu quem pensasse o jogo na fase de elaboração atacante. O golo ucraniano, perto do fim, num contra-ataque solitário, foi, no entanto, um castigo demasiado severo. Os gregos tinham sentido, afinal, o veneno do sistema que os guiara á vitória em Portugal....
Foi o que sucedeu frente á Ucrania, onde Rehhagel, em vez do 4 utilizado na Turquia (0-0), optou por um sistemas de três defesas, estendido numa espécie de 3x2x3x2. Cometeu, porém, o erro estratégico de colocar o cerebral Basinas no eixo da defesa a «3» (ao lado de Goumas e Kapsis), abandonando assim o seu lugar de pivot á frente da defesa, onde é usual comandar o triângulo basculante que garantiu a consistência defesa-ataque-defesa de todo o colectivo. Ao mesmo, Zagorakis adiantou-se para perto de Karagonis, movimentado-se atrás da linha atacante, onde Charisteas jogava em cunha e Gainnakopoulos e Vryzas abriam nas alas, dependendo a dinâmica do sistema das diagonais destes para apoiar o ponta de lança. Assim, neste esquema, Basinas jogou demasiado recuado, e Zagorakis, pelo contrário, alinhou demasiado adiantado. Nesta encruzilhada, a equipa perdeu quem pensasse o jogo na fase de elaboração atacante. O golo ucraniano, perto do fim, num contra-ataque solitário, foi, no entanto, um castigo demasiado severo. Os gregos tinham sentido, afinal, o veneno do sistema que os guiara á vitória em Portugal....

Artigos Relacionados