
É, porém, no meio campo, que mora a chave para a transformação do modelo de jogo, entre o 4x3x2x1, com três médios centro e dois alas, e o 4x4x2, em linha ou com rombo, versão 4x3x1x2. Para a eficácia destas variações tácticas, Mancini depara-se, porém, com um problema de base: as características dos médios, quase todos centrais, e a falta de alas flanqueadores, agravada com as lesões de Kily Gonzalez e Coco. Para ocupar o centro, dispõe de um núcleo duro (Davids, Cambiasso, Véron, Stankovic), mas nas alas, têm de fazer adaptações. O único verdadeiro ala apto é Van der Meyde, á direita, onde combina com o lateral Zanetti. Á esquerda, é o vazio em todo o corredor, surgindo as adaptações de Stankovic, Verón ou Davids aos flancos, solução que retira profundidade ao 4x4x2, pois nenhum deles é jogador de faixa. Neste contexto, a melhor solução, já testada, com grande sucesso, em Valência (vitória 5-1) seria o 4x3x1x2 em rombo, com a linha recuada do triângulo composta por Stankovic, á direita, Cambiasso no meio, e Veron (ou Davids), á esquerda, ficando Emre a fazer o rombo atrás dos avançados. Nesta encruzilhada perde-se, ainda, o talento de Recoba, que poderia jogar no vértice ofensivo do rombo, ou adaptado á esquerda (como fazia com Cuper), enquanto Verón insiste em demonstrar que o seu lugar é no centro, como box to box que, em vez de partir da frente da defesa, parte do grande circulo, terreno pisado sobretudo por Stankovic como forma de colmatar a falta de um clássico médio nº10 organizador de jogo.
No inicio da época, mais do que apostar no Inter como grande candidato ao titulo, esperava-se, sobretudo, que, com Mancini, resgata-se o principio do bom futebol. 18 jogos depois (em Itália e na Europa), a equipa tornou-se no grande case study da época.
As razões para a debilidade táctico-colectiva atravessam os três sectores, mas, em termos de modelo de jogo, situam-se, sobretudo, no meio-campo. Na defesa, sempre a «4», sente-se a falta de um lateral esquerdo de classe e os centrais, tirando Córdoba, são lentos (Mihajlovic) e faltosos (Materazzi). Esquematizada á zona, sofre muito quando apanhada em contra-ataque, onde revela graves erros de dinâmica posicional, como sucedeu, esta semana, no segundo golo da Juventus, onde central e lateral foram, ao mesmo tempo, fechar no flanco, abrindo uma cratera no corredor central, num momento em que todo o sector, sem ordem, já descurara um dos princípios básicos da zona segundo a qual quando uma defesa assim esquematizada corre toda para a sua baliza em recuperação, é uma defesa morta.
No ataque, emerge o debate sobre a complementaridade Adriano-Vieri, dois jogadores demasiado iguais. Nesta perspectiva, a melhor dupla seria, talvez, Adriano, mais de área, força e técnica, e Martins, fugindo pelos flancos, velocidade e leveza.