Inventar novas equipas

5 de Fevereiro de 2011 12:23
Como Luis Suarez, Carrol e Torres podem mudar Liverpool e Chelsea, uma equipa ainda sem médio-criativo

 

Um grande jogador, mesmo aquele que toca o génio, não vive isolado do resto do mundo. A equipa onde passa cada 90 minutos da sua existência condiciona essa qualidade de vida. Até ao ponto de necessitar de novos estímulos. Como qualquer jogador (pessoa) normal, afinal. O autêntico buraco negro que é o mercado de transferências de Janeiro estremeceu com o futebol inglês. No epicentro, um desses grandes jogadores em busca de nova vida. Fernando Torres, do Liverpool para o Chelsea. Ao mesmo tempo, chega a Anfield Road a maior promessa britânica em termos de ponta de lança, Carrol, vindo de Newcastle, e o goleador dentuço mais terrível da actualidade, o uruguaio Luiz Suarez, abandonando a sua fábrica de golos no Ajax. O que poderá cada um destes jogadores ser e mudar nas suas novas equipas?
Em ambos os casos, podem provocar um impacto táctico no colectivo. Mais do que mudar a forma de jogar global, mudar os processos atacantes, ou seja incutir novas vertentes no momento ofensivo.
 
O 4x3x3 assimétrico do Chelsea (isto é, com um ala puro numa faixa, Malouda, e outro falso na outra, Anelka, sempre em diagonais para o centro) tem mostrado que pode criar diferentes variantes no meio-campo recuado (mexendo no triangulo intermédio), mas no ataque tem revelado pouca imaginação de movimentos. Torres pode dar-lhe esse upgrade, caminhando, talvez, mais na direcção de um 4x4x2, com Drogba ao lado. Com losango (o diamante como dizem os ingleses) ou em duas linhas (1x3, pivot mais três médios) Anelka terá mais dificuldade em entrar na equipa. Pode subir Lampard, soltar mais Essien e ter Malouda a trabalhar tacticamente mais em posições mais interiores, mas continua a faltar-lhe o essencial: um médio criativo. 
No Liverpool, a contratação da dupla Carroll-Suarez faz recordar um pouco a mais clássica lógica do futebol inglês dos velhos tempos do puro 4x4x2 com dois avançados complementares. Um vocacionado para o jogo aéreo, choque e remate, outro mais vocacionado para fugir às marcações, jogando atrás, mais nas costas. Na lenda de Liverpool, tal significa Toschak-Keegan. Claro que os tempos são muito diferentes, mas a lógica de Dalglish não andará muito longe desta.
 
Sobre Carroll não duvido que é um nº9 tipicamente inglês desde o berço. Sobre Suarez pode-se pensar noutras variantes. Pensando na sua carreira, recordo que o lugar onde gostei mais de o ver jogar foi, no Ajax, desde a faixa esquerda em 4x4x2. Porque surgia muito oportuno desde trás, em velocidade, usando muito bem os dois pés a conduzir ou definir. Não acredito, porém, que vá jogar nesse lugar no Liverpool. O futebol inglês é, no entanto, a cara do estilo do seu jogo. 
 

 

 

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