O sonho de apuramento para o Euro-2004 depende de uma quase utópica vitória na Alemanha, mas para este país onde ainda há pouco tempo todos imaginavam o futebol jogado de nariz vermelho, gorro e cachecol, junto a uma pobre casita de pescadores e num exíguo relvado queimado pela neve, o facto de chegar ao último jogo ainda no comando do grupo, já é, por si só, motivo para o maior entusiasmo. É o renascido futebol da Islândia, o País do Gelo. Para aquecer toda esta atmosfera glacial, um grupo de jogadores, quase todos a alinhar no estrangeiro, que, com a experiência adquirida além-fronteiras, deram nova vida ao outrora rudimentar futebol islandês, como bem sentiu na pele o seu actual seleccionador, Asgeir Sigurvinsson, antigo líbero da selecção da Islândia no tempo em que o gelo futebolístico ainda não tinha sido quebrado.
A base do renascimento islândes é a mesma que presidiu ao restante futebol norte-europeu: Cruzamento entre os princípios básicos do físico futebol anglo-saxónico, sobretudo o britânico, com maior cultura técnico-táctica das suas individualidades e, consequentemente, do seu colectivo. Para tal, muito contribui o facto da base da selecção, sete elementos, jogar em Inglaterra: Os defesas Larus Sigurdsson, Marteinsson e Hreidarsson, os médios Joey Gudjonsson e Ingimarsson, e os avançados Helguson e Gudjohnsen. A este grupo, junta-se, o médio Thordur Gudjonsson, a jogar na Bundesliga, no Bochum. Do onze-base titular durante o apuramento, o único a alinhar na Islândia, é Bjarnason, do Grindavik, que tanto pode jogar no eixo como á frente da defesa.
Tacticamente, Sigurvinsson joga num clássico 4x4x2, com dois avançados bem abertos, Helguson e Gudjohnsen, a grande estrela do onze, jogador do Chelsea, um nº9 rematador, com grande cultura de jogo. Em contraste com outras emergentes nações nórdicas, a Islândia apresenta muito menor índice técnico. O grande argumento continua, portanto, a residir na ancestral condição atlética, muito forte no jogo aéreo. Agora, só resta sonhar.